Quine, não me recordo onde, concebeu uma Biblioteca de Babel mais enxuta
onde há apenas 2 livros: um com o caracter 0 e outro com o caracter 1. Dado
um sistema de codificação binário suficientemente robusto (UTF-8 por exemplo
não seria suficiente pois não possui uma série de símbolos matemáticos e de
linguagens artificiais, i.e., os símbolos do Begriffsschrift) todo o output
literário da humanidade em tese pode ser re-escrito como a concatenação de
apenas 2 livros.

2011/9/29 Joao Marcos <[email protected]>

> Não vejo como dizer que Shakespeare teria "descoberto" algo que estava
> no "espaço de possibilidades" sem que ele tivesse sequer _vasculhado_
> este espaço.  Talvez "reinventado" seja a palavra certa, mesmo para um
> platonista...
>
> O tema da "Biblioteca Universal" foi de fato inventado (ou, dizem
> alguns, foi encontrado entre os livros da própria Biblioteca
> Universal!) há bastante tempo, e o tema foi explorado com muita
> competência e razoável criatividade (sem macacos nem máquinas de
> datilografar, na versão final), em particular, por Borges
> (http://www.literaberinto.com/vueltamundo/bibliotecaborges.htm).  A
> Biblioteca de Babel borgiana contém exclusivamente "libros de formato
> uniforme; cada libro es de cuatrocientas diez páginas; cada página, de
> cuarenta renglones; cada renglón, de unas ochenta letras de color
> negro".  Segue desta descrição, pelo Lema de Zorn, que há pelo menos
> um livro com infinitas cópias, caso a biblioteca seja mesmo infinita.
> Borges parece não ter percebido isto, contudo, como consequência dos
> seus "axiomas" (ou talvez ele não trabalhasse exatamente em ZFC, algo
> que também fica aparente no seu conto "El Aleph").
>
> Quine tem um artigo bem curtinho no qual ele analisou e simplificou a
> "Biblioteca Universal":
> http://jubal.westnet.com/hyperdiscordia/universal_library.html
> O Teorema do Macaco Infinito é por sua vez discutido em:
> http://en.wikipedia.org/wiki/Infinite_monkey_theorem
>
> Por fim, vale mencionar ainda o conto borgiano "Pierre Menard, autor
> de Quijote", na qual a obra de Cervantes é recriada de uma forma muito
> mais inteligente e direta do que no _negócio dos macacos_.
>
> Joao Marcos
>
> 2011/9/29 Antonio Carlos da Rocha Costa <[email protected]>:
> > Na verdade, chama-se "Princípio da Biblioteca do Museu de Londres", para
> > indicar que, dado o tempo necessário, todos os livros da biblioteca
> poderiam
> > ser "re-inventados" desse jeito.
> >
> > Mas, para mim, o principalmente questionamento que resulta é de natureza
> > estética, particularmente sobre a noção de "criatividade": dado que, em
> > nível formal, todos os textos já estão escritos no espaço de
> possibilidades,
> > é correto dizer que o autor do texto "criou" o texto?
> >
> > Dado que qualquer peça de Shakespeare já estava escrita no espaço dos
> textos
> > possíveis com aquele tamanho de texto, é certo dizer que Shakespeare
> "criou"
> > aquelas peças?
> >
> > Ou é mais correto dizer que ele as "descobriu" (como quem descobre um
> > depósito de um mineral qualquer que já existia em algum lugar).
> >
> > A consequência prática direta é que o argumento parece invalidar qualquer
> > noção de "direito autoral".
>
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