Tem critérios, Decio. P.e., excluir citações de ex-colaboradores. Em geral
evito referenciar (com exceção do Newton) citações de gente com quem
colaboro.

Pode ser certo, pode ser errado, não sei; não tem critério geral, a verdade
é essa.

2009/11/30 Decio Krause <[email protected]>

> Doria e demais colegas
> Deixem-me terminar o que iniciei para evitar mal entendidos. Há anos,
> quando eu era o Coordenador de Pesquisa da UFPR, foi preciso me inteirar do
> ISI e congêneres. Lembro de uma classificação de 1995, na qual o Journal of
> Symbolic Logic tinha fator de impacto perto de 0,6, enquanto Nature tinha
> algo como 28! As revistas aobre câncer, avanços da medicina, etc tinham
> fator altíssimo. Já as de filosofia.... Não estou dizendo que isso está
> errado. O problema é como isso é usado. Os físicos, na época, falavam da
> dificuldade de conseguir uma bolsa do CNPq porque exigia-se, para começar,
> pelo menos dois artigos por ano em revistas de impacto >1,4 se não me
> engano. Achavam impossível para a situação nacional da época. Claro que
> tinham razão. Espero que a situação para eles tenha melhorado, mas concordo
> plenamente em que devemos repensar o critério de entidades como Thomson
> Learning e seus usos. *Seus* critérios podem não ser bons em todas as áreas.
> Lembro ainda que em filosofia havia muito poucas revistas catalogadas, essa
> parte do ISI era ruim em suma.
> Mas o que quero dizer é que não é por isso que devemos criar as *nossas*
> revistas. Inclusive eu acho que as pessoas devem evitar ao máximo publicar
> nas *suas* revistas. Depois, pelo que sei pouco ou quase nada se pontua com
> publicações como capítulos de livros (mas de editorias com credibilidade, de
> preferência intenacionais ---estabelece-se uma ordem, não acho difícil fazer
> isso--não as de fundo de quintal).
> Finalmente, para os que estão achando isso ruim, preparem-se para quando
> propuserem o número de citações. Não fizeram isso ainda? Ora ora, o que
> virá?....eu te cito, tu me citas, nós nos citamos...Não tem jeito.
> Sobreviver é um exemplo de seleção natural acadêmica.
> Abraços e chega.
> D.
>
>
>
>
> ________________________________
> Decio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
> deciokrause[at]gmail.com
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
> ________________________________
>
> "our universe is not just described by mathematics---it is mathematics"
> (Max Tegmark, "Shut up and calculate")
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>
> Em 30/11/2009, às 15:12, Francisco Antonio Doria escreveu:
>
> Aquela turma da “Produtividade em pesquisa” é pelo facilitário pura e
> simples. O mínimo que me xingaram foi “elitista” - o Adolfo se lembra, com
> certeza. Claro que não sou por aí.
>
> Parece que deu muita briga na Capes esse critério. Quanto a mim, confesso
> que estou cansado: mit der Dummheit kämpfen Götter selbst vergebens.
>
> 2009/11/30 Decio Krause <[email protected]>
>
>> Doria
>> Eu não disse que a coisa não continua idiota. Um exemplo é Synthese ser C
>> ou D (ou mesmo B). Mas essa reclamação me parece infundada, pois
>> simplesmente parece tentar proteger as nossas revistas (se isso não é
>> assim, eu gostaria de saber que não é). Elas são boas mesmo? Se forem,
>> porque não competem internacionalmente? Ou será que o nosso time é bom
>> somente em casa e apra não passar carão não deve se arriscar fora? (O meu,
>> coitado, nem em casa....). Algumas revistas a gente sabe que são mesmo muito
>> boas, mas outras....(o que acontece lá fora também, claro). Depois, se forem
>> boas ou más, o serão sob que critérios se não forem os internacionais comuns
>> a todos? Eu acho que devem todas ser mesmo colocadas em pé de igualdade, mas
>> deve-se ter uma classificação adequada, não essa que está aí.
>> Para acabar, respeito a luta que está havendo (e-mail do Adolfo), mas eu
>> não gosto de certas expressões saca-bicho que me lembram de discursos de
>> antes da queda do muro de Berlim ou de uma certa ilha na América Central.
>> D.
>>
>>
>>
>> ________________________________
>> Decio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
>> deciokrause[at]gmail.com
>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
>> ________________________________
>>
>> "our universe is not just described by mathematics---it is mathematics"
>> (Max Tegmark, "Shut up and calculate")
>>
>>
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>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> Em 30/11/2009, às 14:43, Francisco Antonio Doria escreveu:
>>
>> Lembrem-se que Synthèse era C ou D, sei lá...
>>
>> Sou contra o facilitário, mas do que vi da lista (e da crítica do Rocha e
>> Silva) a coisa continua idiota.
>>
>> 2009/11/30 Decio Krause <[email protected]>
>>
>>> Caro Walter e demais colegas
>>> Precisaríamos ver quais revistas o Qualis aceita, ver o que estão
>>> fazendo. Onde está essa informação?
>>> Mas, como a gente sabe do que os burocratas são capazes, devemos sempre
>>> suspeitar e, de fato, entrar no circuito, mas com cautela.
>>> Porém, sob pena de receber uma vaia, digo que eu sou meio cético com
>>> relação a essas reclamações que visam defender as revistas nacionais a
>>> qualquer preço.
>>> Em princípio, não vejo nada errado em colocar as nossas revistas par a
>>> par com as de fora. Se a maioria não sobreviver, será por seleção natural.
>>> O que se está tentando fazer, me parece, é proteger algumas *mutações
>>> científicas* (revistas escritas em português)  que não teriam condições de
>>> competir por elas mesmas em um ambiente mais competitivo.
>>> Porque teríamos o privilégio de considerar a *nossa* produção sobre
>>> critérios diferentes dos adotados internacionalmente?
>>> Daí uma primeira pergunta: como fazem países como França, Itália,
>>> Espanha, para falar de uns poucos fora do circuito EUA-UK? Ademais, o
>>> argumento do artigo de O Estado, de que em biologia (mais em entomologia,
>>> segundo o texto), como se trata de classificação de *nossas* espécies,
>>> deveriam ficar por aqui, em português e nas nossas revistas, me parece
>>> ridículo (não creio que estou errado, mas convençam-me por favor).
>>> Os autores parecem desejar que quem quiser conhecer a nossa fauna que se
>>> dane: aprenda português e venha aqui, porque essas revistas não circulam por
>>> lá, e estão escritas em uma língua que eles não entendem. Acho isso algo
>>> difícil de aceitar. Já pensou de para conhecer os bichos das estepes russas
>>> um entomólogo tivesse que aprender russo e ir para a Sibéria?
>>> Claro que podemos e devemos ter revistas aqui e em português, mas sob o
>>> risco de sabermos que quase ninguém lerá: as pessoas daqui que têm o nível
>>> suficiente, certamente lerão em inglês e, lá fora, nem na Argentina (de onde
>>> escrevo) eles lêem português direito (e certamente não se esforçam para
>>> isso, a menos que saibam de antemão que valerá a pena).
>>> Creio que é algo já mais do que estabelecido que a linguagem da ciência é
>>> o inglês, e não devemos nos esconder da competição internacional. Full stop.
>>> Abraços,
>>> DK
>>>
>>> ________________________________
>>> Decio Krause
>>> Departamento de Filosofia
>>> Universidade Federal de Santa Catarina
>>> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
>>> deciokrause[at]gmail.com
>>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
>>> ________________________________
>>>
>>> "our universe is not just described by mathematics---it is mathematics"
>>> (Max Tegmark, "Shut up and calculate")
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> Em 30/11/2009, às 13:49, Walter Carnielli escreveu:
>>>
>>> Colegas:
>>>
>>> aproveito, continuando a questão QUALIS-CAPES, para colar aqui um
>>> artigo de "O Estado de São Paulo" de  06 de Julho de 2009, que se
>>> refere precisamente a  um ponto-chave
>>> na questão do QUALIS, que  eu e diversos outros pesquisadores  vimos
>>> colocando hã bastante  tempo: "pedir a opinião da raposa sobre as
>>> galinhas"-- no caso, *perguntar* à
>>> Thomson Learning/Reuters,  que negocia ações na Bolsa de  Nova Iorque,
>>> quem é  quem na ciência no Brasil... é   exatamente isso o que acontece
>>> quando
>>> super-valorizamos o FI (Fator de Impacto) da  Thomson Learning/Reuters.
>>>
>>> Abraços,
>>>
>>> Walter
>>>
>>>
>>>
>>> - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
>>> FONTE: O Estado de São Paulo – 06 de Julho de 2009
>>>
>>> RANKING COLOCA REVISTAS CIENTÍFICAS BRASILEIRAS EM ''RISCO DE EXTINÇÃO''
>>> “Com alterações no Qualis, sistema oficial de avaliação, periódicos
>>> nacionais têm de concorrer com estrangeiros”
>>>
>>>
>>> Herton Escobar
>>> O espantoso aumento de 56% da produção científica brasileira em 2008
>>> foi proporcionado, em grande parte, pelo aumento no número de revistas
>>> nacionais indexadas no Institute for Scientific Information (ISI) - o
>>> seleto banco de dados da empresa Thomson Reuters que reúne
>>> estatísticas sobre aquelas que são consideradas as melhores revistas
>>> científicas do mundo. Fato que foi celebrado como um reconhecimento da
>>> qualidade desses periódicos brasileiros no cenário internacional.
>>> Porém, um crescente coro de cientistas tenta chamar a atenção para um
>>> fenômeno contrário que estaria ocorrendo no País. Segundo eles, várias
>>> revistas científicas brasileiras estão "ameaçadas de extinção" pelos
>>> novos critérios de avaliação adotados pela Coordenação de
>>> Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para o sistema
>>> Qualis, que hierarquiza as publicações de acordo com sua importância
>>> nas respectivas áreas do conhecimento. A crítica é endossada por
>>> pesquisadores das áreas de zoologia e botânica - além de outras
>>> disciplinas - cujas publicações foram "rebaixadas" na avaliação da
>>> Capes. Até 2008, o Qualis era dividido em duas categorias: nacional e
>>> internacional. Agora, há uma estrutura única, em que as revistas
>>> brasileiras "competem" com as estrangeiras dentro do mesmo ranking. O
>>> resultado é que muitas publicações nacionais, antes classificadas
>>> entre as melhores de sua área, passaram a ocupar os estratos mais
>>> baixos do Qualis.
>>> "O efeito prático, em última instância, é que estão destruindo as
>>> revistas nacionais", diz o herpetólogo Hussam Zaher, professor titular
>>> e responsável pelas publicações científicas do Museu de Zoologia da
>>> Universidade de São Paulo (MZ-USP). Ele lembra que o Qualis é um dos
>>> principais critérios usados pela Capes para avaliar os cursos de
>>> pós-graduação.
>>> "Em flagrante contraponto à sua própria política de incentivo às
>>> publicações brasileiras, o sistema Qualis da Capes promove um processo
>>> gradual de desagregação do nosso conjunto de revistas de qualidade das
>>> áreas de Zoologia e Botânica, que deverá restringir em curto prazo os
>>> meios de comunicação da comunidade científica nacional", diz uma carta
>>> enviada à Capes pela Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ). O texto é
>>> assinado por 130 pesquisadores.
>>> "Temo uma debandada geral de autores para publicações fora do País",
>>> diz o biólogo Walter Boeger, professor da Universidade Federal do
>>> Paraná e editor da revista brasileira Zoologia. Lideranças na área de
>>> Química também publicaram editoriais e enviaram cartas à Capes com
>>> críticas semelhantes.
>>> Entre os "ameaçados" também estão os taxonomistas - que se dedicam à
>>> descrição de novas espécies -, já que a maioria de seus trabalhos são
>>> publicados em revistas nacionais. "São pesquisas que não têm grande
>>> apelo internacional, mas que são fundamentais para o conhecimento e o
>>> aproveitamento da nossa biodiversidade", diz o biólogo Carlos Joly,
>>> editor-chefe da revista Biota Neotropica.
>>> Joly ressalta que por trás de um trabalho internacional há quase
>>> sempre um histórico de publicações em revistas nacionais. "Ao ignorar
>>> esse processo, a Capes está dizendo que toda essa etapa de construção
>>> do conhecimento não tem importância científica. Só o produto final",
>>> critica o cientista.
>>>
>>> FATOR DE DISCÓRDIA
>>>
>>> A principal crítica dos pesquisadores sobre o novo Qualis diz respeito
>>> ao uso do Fator de Impacto (FI) como critério único do ranking. O FI é
>>> uma "nota" calculada pela Thomson Reuters que indica a frequência com
>>> que os trabalhos em determinada revista são citados na literatura
>>> científica. Quanto maior a nota, maior a importância do trabalho e da
>>> revista. O problema é que o FI não mede a qualidade de um trabalho -
>>> apenas a sua repercussão.
>>> "Há artigos muito bons em revistas com baixo fator de impacto que são
>>> muito citados, assim como há artigos em revistas de alto impacto que
>>> não são citados jamais", diz a pesquisadora Vanderlan Bolzani, da
>>> Unesp de Araraquara, e presidente da Sociedade Brasileira de Química.
>>> "O fato de você publicar em revistas nacionais não significa que seu
>>> trabalho não tenha mérito, não tenha qualidade."
>>> - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
>>>
>>>
>>> --
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>>> +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
>>> Walter Carnielli
>>> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
>>> State University of Campinas –UNICAMP
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