Vou contar pra vocês uma divertida. Fui procurado pelo editor de uma revista
de economia matemática da Springer para escrever um artigo em homenagem a um
colega. Foi em cima da morte de minha mulher, e eu estava com a cabeça a
mil. Mas não queria deixar de comparecer e participar da homenagem a um
amigo querido. Disse-lhe então: tenho um artigo sobre o tempo em física;
pode ser?

Resposta dele: se puser um gancho linkando ao trabalho do homenageado, pode.
E assim foi: uma revista de economia matemática vai publicar um trabalho de
física.

Comentei a respeito com um amigo, desse comitê da Capes. Ele me respondeu,
meio gozando meio sério: você faz terrorismo científico...

2009/11/30 Joao Marcos <[email protected]>

> > Porém, sob pena de receber uma vaia, digo que eu sou meio cético com
> relação
> > a essas reclamações que visam defender as revistas nacionais a qualquer
> > preço.
> > Em princípio, não vejo nada errado em colocar as nossas revistas par a
> par
> > com as de fora. Se a maioria não sobreviver, será por seleção natural.
> > O que se está tentando fazer, me parece, é proteger algumas *mutações
> > científicas* (revistas escritas em português)  que não teriam condições
> de
> > competir por elas mesmas em um ambiente mais competitivo.
> > Porque teríamos o privilégio de considerar a *nossa* produção sobre
> > critérios diferentes dos adotados internacionalmente?
>
> Ao invés de vaiar, aplaudo --- e serei o último a tentar "convencê-lo
> do contrário", Décio.  Não há, ou não deveria haver, "critérios
> nacionais" quando se trata da produção do saber científico.
>
> Para um exemplo de distorção ao inverso, noto que até bem pouco tempo
> atrás, na área de Filosofia, eram *raríssimos* os periódicos no
> extrato "A" que NÃO fossem _nacionais_.  Por quê?
> (Bom, um dos motivos é que o Qualis nunca tentou "qualificar" o mundo
> a priori, mas foi proposto para refletir mais simplesmente a opinião
> da própria comunidade brasileira ---as raposas locais--- sobre as
> revistas onde esta mesma comunidade teve interesse ou capacidade de
> publicar --- note-se que em 2005, por exemplo, não havia *nenhum*
> periódico _internacional_ no extrato "A" da área de "filosofia /
> teologia".)
>
> Um grande problema no Brasil é que ninguém quer "dar a cara a tapa".
> Produz-se em português justamente PARA não ser lido --- nem muito
> menos, pelamordedeus!, criticado.  Isto é ciência de compadrio, e
> medíocre.
>
> Pronto, falei. :-)
>
> > Creio que é algo já mais do que estabelecido que a linguagem da ciência é
> o
> > inglês, e não devemos nos esconder da competição internacional. Full
> stop.
>
> D'accord.  Veja-se contudo o que tinha Halmos a dizer sobre isso...
> Em áreas mais técnicas, por exemplo, é fácil "ler" textos em outras
> línguas mesmo sem conhecer tanto delas.  Certamente é PRECISO conhecer
> outras línguas.  Sem descuidar da "lingua franca" da ciência de hoje,
> que de fato é o inglês --- o nosso _pidgin English_, e não o ingreis
> "deles".
>
> A propósito, quando a nossa lista de lógica foi criada, em 2006, a
> Synthese era "C" em "ensino de ciências e matemática" e "B" em
> "filosofia / teologia".
> Hoje, 2009, ela é "A2" em "filosofia / teologia", "B1" em "engenharias
> III" e "B2" em "matemática / probabilidade e estatística".
>
> Saudações lógicas,
> JM
>
> --
> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/
> (in absentia, post-doc in "Noricum")
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