Colegas:

aproveito, continuando a questão QUALIS-CAPES, para colar aqui um
artigo de "O Estado de São Paulo" de  06 de Julho de 2009, que se
refere precisamente a  um ponto-chave
na questão do QUALIS, que  eu e diversos outros pesquisadores  vimos
colocando hã bastante  tempo: "pedir a opinião da raposa sobre as
galinhas"-- no caso, *perguntar* à
Thomson Learning/Reuters,  que negocia ações na Bolsa de  Nova Iorque,
quem é  quem na ciência no Brasil... é   exatamente isso o que acontece quando
super-valorizamos o FI (Fator de Impacto) da  Thomson Learning/Reuters.

Abraços,

Walter



- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
FONTE: O Estado de São Paulo – 06 de Julho de 2009

RANKING COLOCA REVISTAS CIENTÍFICAS BRASILEIRAS EM ''RISCO DE EXTINÇÃO''
“Com alterações no Qualis, sistema oficial de avaliação, periódicos
nacionais têm de concorrer com estrangeiros”


Herton Escobar
O espantoso aumento de 56% da produção científica brasileira em 2008
foi proporcionado, em grande parte, pelo aumento no número de revistas
nacionais indexadas no Institute for Scientific Information (ISI) - o
seleto banco de dados da empresa Thomson Reuters que reúne
estatísticas sobre aquelas que são consideradas as melhores revistas
científicas do mundo. Fato que foi celebrado como um reconhecimento da
qualidade desses periódicos brasileiros no cenário internacional.
Porém, um crescente coro de cientistas tenta chamar a atenção para um
fenômeno contrário que estaria ocorrendo no País. Segundo eles, várias
revistas científicas brasileiras estão "ameaçadas de extinção" pelos
novos critérios de avaliação adotados pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para o sistema
Qualis, que hierarquiza as publicações de acordo com sua importância
nas respectivas áreas do conhecimento. A crítica é endossada por
pesquisadores das áreas de zoologia e botânica - além de outras
disciplinas - cujas publicações foram "rebaixadas" na avaliação da
Capes. Até 2008, o Qualis era dividido em duas categorias: nacional e
internacional. Agora, há uma estrutura única, em que as revistas
brasileiras "competem" com as estrangeiras dentro do mesmo ranking. O
resultado é que muitas publicações nacionais, antes classificadas
entre as melhores de sua área, passaram a ocupar os estratos mais
baixos do Qualis.
"O efeito prático, em última instância, é que estão destruindo as
revistas nacionais", diz o herpetólogo Hussam Zaher, professor titular
e responsável pelas publicações científicas do Museu de Zoologia da
Universidade de São Paulo (MZ-USP). Ele lembra que o Qualis é um dos
principais critérios usados pela Capes para avaliar os cursos de
pós-graduação.
"Em flagrante contraponto à sua própria política de incentivo às
publicações brasileiras, o sistema Qualis da Capes promove um processo
gradual de desagregação do nosso conjunto de revistas de qualidade das
áreas de Zoologia e Botânica, que deverá restringir em curto prazo os
meios de comunicação da comunidade científica nacional", diz uma carta
enviada à Capes pela Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ). O texto é
assinado por 130 pesquisadores.
"Temo uma debandada geral de autores para publicações fora do País",
diz o biólogo Walter Boeger, professor da Universidade Federal do
Paraná e editor da revista brasileira Zoologia. Lideranças na área de
Química também publicaram editoriais e enviaram cartas à Capes com
críticas semelhantes.
Entre os "ameaçados" também estão os taxonomistas - que se dedicam à
descrição de novas espécies -, já que a maioria de seus trabalhos são
publicados em revistas nacionais. "São pesquisas que não têm grande
apelo internacional, mas que são fundamentais para o conhecimento e o
aproveitamento da nossa biodiversidade", diz o biólogo Carlos Joly,
editor-chefe da revista Biota Neotropica.
Joly ressalta que por trás de um trabalho internacional há quase
sempre um histórico de publicações em revistas nacionais. "Ao ignorar
esse processo, a Capes está dizendo que toda essa etapa de construção
do conhecimento não tem importância científica. Só o produto final",
critica o cientista.

FATOR DE DISCÓRDIA

A principal crítica dos pesquisadores sobre o novo Qualis diz respeito
ao uso do Fator de Impacto (FI) como critério único do ranking. O FI é
uma "nota" calculada pela Thomson Reuters que indica a frequência com
que os trabalhos em determinada revista são citados na literatura
científica. Quanto maior a nota, maior a importância do trabalho e da
revista. O problema é que o FI não mede a qualidade de um trabalho -
apenas a sua repercussão.
"Há artigos muito bons em revistas com baixo fator de impacto que são
muito citados, assim como há artigos em revistas de alto impacto que
não são citados jamais", diz a pesquisadora Vanderlan Bolzani, da
Unesp de Araraquara, e presidente da Sociedade Brasileira de Química.
"O fato de você publicar em revistas nacionais não significa que seu
trabalho não tenha mérito, não tenha qualidade."
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -


-- 

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Walter Carnielli
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
State University of Campinas –UNICAMP
P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3788-6519
Fax: (+55) (19) 3289-3269
e-mail: [email protected]
Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli
_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a