Aquela turma da “Produtividade em pesquisa” é pelo facilitário pura e
simples. O mínimo que me xingaram foi “elitista” - o Adolfo se lembra, com
certeza. Claro que não sou por aí.

Parece que deu muita briga na Capes esse critério. Quanto a mim, confesso
que estou cansado: mit der Dummheit kämpfen Götter selbst vergebens.

2009/11/30 Decio Krause <[email protected]>

> Doria
> Eu não disse que a coisa não continua idiota. Um exemplo é Synthese ser C
> ou D (ou mesmo B). Mas essa reclamação me parece infundada, pois
> simplesmente parece tentar proteger as nossas revistas (se isso não é
> assim, eu gostaria de saber que não é). Elas são boas mesmo? Se forem,
> porque não competem internacionalmente? Ou será que o nosso time é bom
> somente em casa e apra não passar carão não deve se arriscar fora? (O meu,
> coitado, nem em casa....). Algumas revistas a gente sabe que são mesmo muito
> boas, mas outras....(o que acontece lá fora também, claro). Depois, se forem
> boas ou más, o serão sob que critérios se não forem os internacionais comuns
> a todos? Eu acho que devem todas ser mesmo colocadas em pé de igualdade, mas
> deve-se ter uma classificação adequada, não essa que está aí.
> Para acabar, respeito a luta que está havendo (e-mail do Adolfo), mas eu
> não gosto de certas expressões saca-bicho que me lembram de discursos de
> antes da queda do muro de Berlim ou de uma certa ilha na América Central.
> D.
>
>
>
> ________________________________
> Decio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
> deciokrause[at]gmail.com
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
> ________________________________
>
> "our universe is not just described by mathematics---it is mathematics"
> (Max Tegmark, "Shut up and calculate")
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>
> Em 30/11/2009, às 14:43, Francisco Antonio Doria escreveu:
>
> Lembrem-se que Synthèse era C ou D, sei lá...
>
> Sou contra o facilitário, mas do que vi da lista (e da crítica do Rocha e
> Silva) a coisa continua idiota.
>
> 2009/11/30 Decio Krause <[email protected]>
>
>> Caro Walter e demais colegas
>> Precisaríamos ver quais revistas o Qualis aceita, ver o que estão fazendo.
>> Onde está essa informação?
>> Mas, como a gente sabe do que os burocratas são capazes, devemos sempre
>> suspeitar e, de fato, entrar no circuito, mas com cautela.
>> Porém, sob pena de receber uma vaia, digo que eu sou meio cético com
>> relação a essas reclamações que visam defender as revistas nacionais a
>> qualquer preço.
>> Em princípio, não vejo nada errado em colocar as nossas revistas par a par
>> com as de fora. Se a maioria não sobreviver, será por seleção natural.
>> O que se está tentando fazer, me parece, é proteger algumas *mutações
>> científicas* (revistas escritas em português)  que não teriam condições de
>> competir por elas mesmas em um ambiente mais competitivo.
>> Porque teríamos o privilégio de considerar a *nossa* produção sobre
>> critérios diferentes dos adotados internacionalmente?
>> Daí uma primeira pergunta: como fazem países como França, Itália, Espanha,
>> para falar de uns poucos fora do circuito EUA-UK? Ademais, o argumento do
>> artigo de O Estado, de que em biologia (mais em entomologia, segundo o
>> texto), como se trata de classificação de *nossas* espécies, deveriam ficar
>> por aqui, em português e nas nossas revistas, me parece ridículo (não creio
>> que estou errado, mas convençam-me por favor).
>> Os autores parecem desejar que quem quiser conhecer a nossa fauna que se
>> dane: aprenda português e venha aqui, porque essas revistas não circulam por
>> lá, e estão escritas em uma língua que eles não entendem. Acho isso algo
>> difícil de aceitar. Já pensou de para conhecer os bichos das estepes russas
>> um entomólogo tivesse que aprender russo e ir para a Sibéria?
>> Claro que podemos e devemos ter revistas aqui e em português, mas sob o
>> risco de sabermos que quase ninguém lerá: as pessoas daqui que têm o nível
>> suficiente, certamente lerão em inglês e, lá fora, nem na Argentina (de onde
>> escrevo) eles lêem português direito (e certamente não se esforçam para
>> isso, a menos que saibam de antemão que valerá a pena).
>> Creio que é algo já mais do que estabelecido que a linguagem da ciência é
>> o inglês, e não devemos nos esconder da competição internacional. Full stop.
>> Abraços,
>> DK
>>
>> ________________________________
>> Decio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
>> deciokrause[at]gmail.com
>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
>> ________________________________
>>
>> "our universe is not just described by mathematics---it is mathematics"
>> (Max Tegmark, "Shut up and calculate")
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> Em 30/11/2009, às 13:49, Walter Carnielli escreveu:
>>
>> Colegas:
>>
>> aproveito, continuando a questão QUALIS-CAPES, para colar aqui um
>> artigo de "O Estado de São Paulo" de  06 de Julho de 2009, que se
>> refere precisamente a  um ponto-chave
>> na questão do QUALIS, que  eu e diversos outros pesquisadores  vimos
>> colocando hã bastante  tempo: "pedir a opinião da raposa sobre as
>> galinhas"-- no caso, *perguntar* à
>> Thomson Learning/Reuters,  que negocia ações na Bolsa de  Nova Iorque,
>> quem é  quem na ciência no Brasil... é   exatamente isso o que acontece
>> quando
>> super-valorizamos o FI (Fator de Impacto) da  Thomson Learning/Reuters.
>>
>> Abraços,
>>
>> Walter
>>
>>
>>
>> - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
>> FONTE: O Estado de São Paulo – 06 de Julho de 2009
>>
>> RANKING COLOCA REVISTAS CIENTÍFICAS BRASILEIRAS EM ''RISCO DE EXTINÇÃO''
>> “Com alterações no Qualis, sistema oficial de avaliação, periódicos
>> nacionais têm de concorrer com estrangeiros”
>>
>>
>> Herton Escobar
>> O espantoso aumento de 56% da produção científica brasileira em 2008
>> foi proporcionado, em grande parte, pelo aumento no número de revistas
>> nacionais indexadas no Institute for Scientific Information (ISI) - o
>> seleto banco de dados da empresa Thomson Reuters que reúne
>> estatísticas sobre aquelas que são consideradas as melhores revistas
>> científicas do mundo. Fato que foi celebrado como um reconhecimento da
>> qualidade desses periódicos brasileiros no cenário internacional.
>> Porém, um crescente coro de cientistas tenta chamar a atenção para um
>> fenômeno contrário que estaria ocorrendo no País. Segundo eles, várias
>> revistas científicas brasileiras estão "ameaçadas de extinção" pelos
>> novos critérios de avaliação adotados pela Coordenação de
>> Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para o sistema
>> Qualis, que hierarquiza as publicações de acordo com sua importância
>> nas respectivas áreas do conhecimento. A crítica é endossada por
>> pesquisadores das áreas de zoologia e botânica - além de outras
>> disciplinas - cujas publicações foram "rebaixadas" na avaliação da
>> Capes. Até 2008, o Qualis era dividido em duas categorias: nacional e
>> internacional. Agora, há uma estrutura única, em que as revistas
>> brasileiras "competem" com as estrangeiras dentro do mesmo ranking. O
>> resultado é que muitas publicações nacionais, antes classificadas
>> entre as melhores de sua área, passaram a ocupar os estratos mais
>> baixos do Qualis.
>> "O efeito prático, em última instância, é que estão destruindo as
>> revistas nacionais", diz o herpetólogo Hussam Zaher, professor titular
>> e responsável pelas publicações científicas do Museu de Zoologia da
>> Universidade de São Paulo (MZ-USP). Ele lembra que o Qualis é um dos
>> principais critérios usados pela Capes para avaliar os cursos de
>> pós-graduação.
>> "Em flagrante contraponto à sua própria política de incentivo às
>> publicações brasileiras, o sistema Qualis da Capes promove um processo
>> gradual de desagregação do nosso conjunto de revistas de qualidade das
>> áreas de Zoologia e Botânica, que deverá restringir em curto prazo os
>> meios de comunicação da comunidade científica nacional", diz uma carta
>> enviada à Capes pela Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ). O texto é
>> assinado por 130 pesquisadores.
>> "Temo uma debandada geral de autores para publicações fora do País",
>> diz o biólogo Walter Boeger, professor da Universidade Federal do
>> Paraná e editor da revista brasileira Zoologia. Lideranças na área de
>> Química também publicaram editoriais e enviaram cartas à Capes com
>> críticas semelhantes.
>> Entre os "ameaçados" também estão os taxonomistas - que se dedicam à
>> descrição de novas espécies -, já que a maioria de seus trabalhos são
>> publicados em revistas nacionais. "São pesquisas que não têm grande
>> apelo internacional, mas que são fundamentais para o conhecimento e o
>> aproveitamento da nossa biodiversidade", diz o biólogo Carlos Joly,
>> editor-chefe da revista Biota Neotropica.
>> Joly ressalta que por trás de um trabalho internacional há quase
>> sempre um histórico de publicações em revistas nacionais. "Ao ignorar
>> esse processo, a Capes está dizendo que toda essa etapa de construção
>> do conhecimento não tem importância científica. Só o produto final",
>> critica o cientista.
>>
>> FATOR DE DISCÓRDIA
>>
>> A principal crítica dos pesquisadores sobre o novo Qualis diz respeito
>> ao uso do Fator de Impacto (FI) como critério único do ranking. O FI é
>> uma "nota" calculada pela Thomson Reuters que indica a frequência com
>> que os trabalhos em determinada revista são citados na literatura
>> científica. Quanto maior a nota, maior a importância do trabalho e da
>> revista. O problema é que o FI não mede a qualidade de um trabalho -
>> apenas a sua repercussão.
>> "Há artigos muito bons em revistas com baixo fator de impacto que são
>> muito citados, assim como há artigos em revistas de alto impacto que
>> não são citados jamais", diz a pesquisadora Vanderlan Bolzani, da
>> Unesp de Araraquara, e presidente da Sociedade Brasileira de Química.
>> "O fato de você publicar em revistas nacionais não significa que seu
>> trabalho não tenha mérito, não tenha qualidade."
>> - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
>>
>>
>> --
>>
>> +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
>> Walter Carnielli
>> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
>> State University of Campinas –UNICAMP
>> P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil
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