Lembrem-se que Synthèse era C ou D, sei lá...

Sou contra o facilitário, mas do que vi da lista (e da crítica do Rocha e
Silva) a coisa continua idiota.

2009/11/30 Decio Krause <[email protected]>

> Caro Walter e demais colegas
> Precisaríamos ver quais revistas o Qualis aceita, ver o que estão fazendo.
> Onde está essa informação?
> Mas, como a gente sabe do que os burocratas são capazes, devemos sempre
> suspeitar e, de fato, entrar no circuito, mas com cautela.
> Porém, sob pena de receber uma vaia, digo que eu sou meio cético com
> relação a essas reclamações que visam defender as revistas nacionais a
> qualquer preço.
> Em princípio, não vejo nada errado em colocar as nossas revistas par a par
> com as de fora. Se a maioria não sobreviver, será por seleção natural.
> O que se está tentando fazer, me parece, é proteger algumas *mutações
> científicas* (revistas escritas em português)  que não teriam condições de
> competir por elas mesmas em um ambiente mais competitivo.
> Porque teríamos o privilégio de considerar a *nossa* produção sobre
> critérios diferentes dos adotados internacionalmente?
> Daí uma primeira pergunta: como fazem países como França, Itália, Espanha,
> para falar de uns poucos fora do circuito EUA-UK? Ademais, o argumento do
> artigo de O Estado, de que em biologia (mais em entomologia, segundo o
> texto), como se trata de classificação de *nossas* espécies, deveriam ficar
> por aqui, em português e nas nossas revistas, me parece ridículo (não creio
> que estou errado, mas convençam-me por favor).
> Os autores parecem desejar que quem quiser conhecer a nossa fauna que se
> dane: aprenda português e venha aqui, porque essas revistas não circulam por
> lá, e estão escritas em uma língua que eles não entendem. Acho isso algo
> difícil de aceitar. Já pensou de para conhecer os bichos das estepes russas
> um entomólogo tivesse que aprender russo e ir para a Sibéria?
> Claro que podemos e devemos ter revistas aqui e em português, mas sob o
> risco de sabermos que quase ninguém lerá: as pessoas daqui que têm o nível
> suficiente, certamente lerão em inglês e, lá fora, nem na Argentina (de onde
> escrevo) eles lêem português direito (e certamente não se esforçam para
> isso, a menos que saibam de antemão que valerá a pena).
> Creio que é algo já mais do que estabelecido que a linguagem da ciência é o
> inglês, e não devemos nos esconder da competição internacional. Full stop.
> Abraços,
> DK
>
> ________________________________
> Decio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
> deciokrause[at]gmail.com
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
> ________________________________
>
> "our universe is not just described by mathematics---it is mathematics"
> (Max Tegmark, "Shut up and calculate")
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>
> Em 30/11/2009, às 13:49, Walter Carnielli escreveu:
>
> Colegas:
>
> aproveito, continuando a questão QUALIS-CAPES, para colar aqui um
> artigo de "O Estado de São Paulo" de  06 de Julho de 2009, que se
> refere precisamente a  um ponto-chave
> na questão do QUALIS, que  eu e diversos outros pesquisadores  vimos
> colocando hã bastante  tempo: "pedir a opinião da raposa sobre as
> galinhas"-- no caso, *perguntar* à
> Thomson Learning/Reuters,  que negocia ações na Bolsa de  Nova Iorque,
> quem é  quem na ciência no Brasil... é   exatamente isso o que acontece
> quando
> super-valorizamos o FI (Fator de Impacto) da  Thomson Learning/Reuters.
>
> Abraços,
>
> Walter
>
>
>
> - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
> FONTE: O Estado de São Paulo – 06 de Julho de 2009
>
> RANKING COLOCA REVISTAS CIENTÍFICAS BRASILEIRAS EM ''RISCO DE EXTINÇÃO''
> “Com alterações no Qualis, sistema oficial de avaliação, periódicos
> nacionais têm de concorrer com estrangeiros”
>
>
> Herton Escobar
> O espantoso aumento de 56% da produção científica brasileira em 2008
> foi proporcionado, em grande parte, pelo aumento no número de revistas
> nacionais indexadas no Institute for Scientific Information (ISI) - o
> seleto banco de dados da empresa Thomson Reuters que reúne
> estatísticas sobre aquelas que são consideradas as melhores revistas
> científicas do mundo. Fato que foi celebrado como um reconhecimento da
> qualidade desses periódicos brasileiros no cenário internacional.
> Porém, um crescente coro de cientistas tenta chamar a atenção para um
> fenômeno contrário que estaria ocorrendo no País. Segundo eles, várias
> revistas científicas brasileiras estão "ameaçadas de extinção" pelos
> novos critérios de avaliação adotados pela Coordenação de
> Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para o sistema
> Qualis, que hierarquiza as publicações de acordo com sua importância
> nas respectivas áreas do conhecimento. A crítica é endossada por
> pesquisadores das áreas de zoologia e botânica - além de outras
> disciplinas - cujas publicações foram "rebaixadas" na avaliação da
> Capes. Até 2008, o Qualis era dividido em duas categorias: nacional e
> internacional. Agora, há uma estrutura única, em que as revistas
> brasileiras "competem" com as estrangeiras dentro do mesmo ranking. O
> resultado é que muitas publicações nacionais, antes classificadas
> entre as melhores de sua área, passaram a ocupar os estratos mais
> baixos do Qualis.
> "O efeito prático, em última instância, é que estão destruindo as
> revistas nacionais", diz o herpetólogo Hussam Zaher, professor titular
> e responsável pelas publicações científicas do Museu de Zoologia da
> Universidade de São Paulo (MZ-USP). Ele lembra que o Qualis é um dos
> principais critérios usados pela Capes para avaliar os cursos de
> pós-graduação.
> "Em flagrante contraponto à sua própria política de incentivo às
> publicações brasileiras, o sistema Qualis da Capes promove um processo
> gradual de desagregação do nosso conjunto de revistas de qualidade das
> áreas de Zoologia e Botânica, que deverá restringir em curto prazo os
> meios de comunicação da comunidade científica nacional", diz uma carta
> enviada à Capes pela Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ). O texto é
> assinado por 130 pesquisadores.
> "Temo uma debandada geral de autores para publicações fora do País",
> diz o biólogo Walter Boeger, professor da Universidade Federal do
> Paraná e editor da revista brasileira Zoologia. Lideranças na área de
> Química também publicaram editoriais e enviaram cartas à Capes com
> críticas semelhantes.
> Entre os "ameaçados" também estão os taxonomistas - que se dedicam à
> descrição de novas espécies -, já que a maioria de seus trabalhos são
> publicados em revistas nacionais. "São pesquisas que não têm grande
> apelo internacional, mas que são fundamentais para o conhecimento e o
> aproveitamento da nossa biodiversidade", diz o biólogo Carlos Joly,
> editor-chefe da revista Biota Neotropica.
> Joly ressalta que por trás de um trabalho internacional há quase
> sempre um histórico de publicações em revistas nacionais. "Ao ignorar
> esse processo, a Capes está dizendo que toda essa etapa de construção
> do conhecimento não tem importância científica. Só o produto final",
> critica o cientista.
>
> FATOR DE DISCÓRDIA
>
> A principal crítica dos pesquisadores sobre o novo Qualis diz respeito
> ao uso do Fator de Impacto (FI) como critério único do ranking. O FI é
> uma "nota" calculada pela Thomson Reuters que indica a frequência com
> que os trabalhos em determinada revista são citados na literatura
> científica. Quanto maior a nota, maior a importância do trabalho e da
> revista. O problema é que o FI não mede a qualidade de um trabalho -
> apenas a sua repercussão.
> "Há artigos muito bons em revistas com baixo fator de impacto que são
> muito citados, assim como há artigos em revistas de alto impacto que
> não são citados jamais", diz a pesquisadora Vanderlan Bolzani, da
> Unesp de Araraquara, e presidente da Sociedade Brasileira de Química.
> "O fato de você publicar em revistas nacionais não significa que seu
> trabalho não tenha mérito, não tenha qualidade."
> - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - -
>
>
> --
>
> +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
> Walter Carnielli
> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
> State University of Campinas –UNICAMP
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