Nos outros ramos da engenharia os produtos são abertos por defeito. Um automóvel que é posto à venda automaticamente revela a toda a gente quais as soluções de engenharia aplicada. Existem formas de evitar que outros copiem as mesmas soluções (patentes), mas escondê-las é a expecção. Na construcção civil, na electrónica, na química, etc regra geral funciona tudo assim e não é por isso que estas indústrias deixam de fazer dinheiro.
Na engenharia informática a lógica é precisamente contrária, os produtos são regra geral fechados. Isto é o equivalente a uma construtura automóvel vender carros com o capot motor soldado e obrigar o cliente a devolvê-lo passado um ano de utilização. Isto criou um problema de fundo com a enganharia informática: o progresso tecnológico tem sido muito mais lento que noutras engenharias. Para além disso criou diversos monopólios que são eles próprios entraves sérios ao progresso. Só assim se explica que uma empresa tão antiga como a Microsoft produza um algo de qualidade tão baixa como o Windows 8. Em suma: a opção pelo código aberto não é uma mera questão filosófica com muitos a pintam. Além da informática sou também investigador. Nesta área é completamente impossível defender o código fechado, pois viola o princípio de replicabilidade do método científico. Infelizmente para muitas publicações científicas o código fonte ainda não é um requisito, o que cria em mim dúvidas sobre a sua independência. Espero que com o tempo este estado de coisas mude, até porque a maior parte do código produzido por cientistas e investigadores é financiado pelo erário público. Os modelos de negócio sobre código aberto não são uma ciência oculta, basta olhar para o lado e ver o que se faz nos outros ramos da engenharia. Luís _______________________________________________ Portugal mailing list [email protected] http://lists.osgeo.org/mailman/listinfo/portugal
