Camaradas, bons dias! 
Acompanhei com vivo interesse a palestra com o Samuel e agora essa 
maravilhosa conversa aqui. Agradeço a vcs, todos e todas. 
A mensagem do Marcio com os pontos de contato com Brower contemplou o q eu 
estava ensaiando para escrever, de modo que escrevo apenas para 
complementar e lançar algumas perguntas, já q eu não sou matemático e nem 
lógico. Perdoem então a minha ingenuidade filosófica. 
O argumento do Samuel para o Daniel me parece funcionar na seguinte base 
"metafísica" : uma vez que é provado, então é possível para além do 
provado. Isso faz da distinção entre lógica e matemática algo menos nítido 
do q as nossas classificações disciplinares parecem sugerir, não? 
Ao mesmo tempo, a ideia de "ambiente de trabalho" preserva a distinção 
entre a linguagem e a atividade científica da matemática em si, digamos 
assim, se for permitido. Pois o q ressalta aos meus olhos é q não se deve 
confundir a própria ciência com a linguagem da qual ela se utiliza, em 
outros termos, uma coisa é o que o matemático faz com o cálculo, outra é o 
próprio cálculo que ele usa. Mas inventar a própria linguagem é algo q os 
matemáticos fazem desde sempre, não? Então, esse aspecto criativo me fez 
pensar q realmente a lógica é q está dentro da matemática, como Brower (e 
Peirce) defendiam, já q os lógicos, para descrever os raciocínios, quando 
inventam linguagens, agem como matemáticos. E me fez pensar ainda no que 
significa dizer q a matemática é ciência, o que é descoberta ou invenção ou 
constatação etc. Não tenho mesmo melhor resposta do q a do Márcio, são 
critérios pragmáticos q decidem isso (ou valores, como quer Kuhn). O que 
não me parece contradizer a ideia de q a matemática nos revela coisas q de 
outra forma não saberíamos (há verdades matemáticas q não dependem de 
arbitrariedades humanas, ainda q sejam verdades puramente hipotéticas). 
Agora, puxando a sardinha pra brasa q eu conheço um pouco melhor, Peirce 
afirma o seguinte sobre a prática da matemática: diante de um estado de 
coisas confuso e intrincado, um físico, um médico ou um filósofo convocam 
um matemático cujo trabalho é desemaranhar essa confusão em termos tão 
simples e relações tão abstratas quanto o permitam as premissas dadas. É a 
criação de um estado de coisas hipotético. Desse modo, evidenciam-se 
relações de outra maneira obscuras e as conclusões podem ser generalizadas 
e esse é o interesse primordial do matemático: extrair conclusões que podem 
ser generalizadas para outros "ambientes de trabalho". 
Faz sentido isso? A pergunta se dá em razão de que recentemente convidei o 
Odilon (Odilon Luciano, da USP, pra quem não sabe) pra uma palestra de um 
Pint of Science e ele lembrou q a maior parte da matemática q se faz 
atualmente era desconhecida até a aurora do século XX. E penso ainda q os 
desenvolvimentos em teoria das categorias pode levar essa situação muito 
adiante e daqui a 100 anos alguém poderá dizer o mesmo do século XXI. Estou 
delirando muito?
Antes de terminar, aproveitando o outro fio, essa seria uma boa temática, 
penso eu, para uma mesa na SBPC, não? 
Novamente, deixo os agradecimentos. 
Abraços,
cass. 



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