Camaradas, Um departamento com Gödel não me parece problemático. Imaginem, ao contrário, ou Frege ou Peirce ou Whitehead! A filosofia é uma das áreas com mais acolhimento de diferenças, principalmente acadêmicas. O caso da Unicamp é exemplar nesse sentido, mas não só. Durante muito tempo a filosofia foi ultra elitizada, mesmo por ser minúscula, mas felizmente tem mudado. E o problema radical do ingresso na universidade no Brasil é no Ensino Médio. Sem enfrentar essa privatização, não tem medida q resolva. Concordo q não é diploma de x ou y q vai melhorar essa exclusão. Meu ponto é: pq é ilegítimo ou inconveniente q um departamento defina critérios burocráticos para um concurso q lhe cabe? Podemos discordar ou concordar com esses critérios, mas realmente não entendo pq isso é descabido. Se a exigência aqui é q a filosofia seja o q outras áreas não são, não acho razoável. Nao estou defendendo a excepcionalidade, ao contrário. Se é algo q outros departamentos fazem e isso significa q são mais avançados, problema do departamento q não é como os outros. Um dia o antigo regime cai. Até no Brasil isso há de acontecer, mesmo q eu já tenha morrido. Saudações, cass.
Em qui., 15 de dez. de 2022 11:57, Marcos Silva <marcossilv...@gmail.com> escreveu: > Tranquilamente, Joao? Nao ha nada tranquilo aqui. > > eu tava tentando ler aqui todos os emails! Em um mundo ideal com iguais > oportunidades talvez a livre disputa seria o melhor. > > Mas, no nosso mundo, ha poucos recursos. Cada vez menos em governos que > menosprezam cultura, filosofia e ciencias. > > Neste discurso de livre disputa e "que os melhores que entrem", quem é > periférico é que se f. > E no atual desenho da universidade brasileira, filosofia é periférica tb. > > Quais vao ser os criterios usados para decidir quem tem acesso aos poucos > recursos? > > O mérito somente? A livre disputa para na tentativa da entrada de um > gênio? Eu acho que não deveria. O mérito pelo mérito esconde uma rede de > privilégios atras da narrativa do esforço e do talento individuais e > justifica que um mesmo grupo, uma minoria, se perpetue na posse destes > recursos. Com frequencia, nao surpreendetemente, uma minoria de homens > brancos cis. > > Estou interessado que nao se conceda mais privilégios para os que já têm > muitos privilegios. > > Na academia, as areas tecnológicas sao as privilegiadas em editais e na > distribuição de recursos. Isto nao é acidental. Isto é um projeto politico. > > Eu temo que a defesa da exclusão da exigencia da graduação da filosofia > faça parte de um ataque (velado) mais geral a ciencias humanas. A tentativa > de desvalorizar a formação de filosofia é um projeto político, mesmo que > vcs nao reconheçam isto. E mesmo que ache isto espantalho. > > Eu nao quero que a formação da filosofia se desvalorize. Pelo contrário, > filosofia é muito importante para a emancipação de pessoas, para sua > autonomia intelectual e para a formação crítica de uma geração de jovens. > Que nunca mais votem em candidatos de extrema direita, por exemplo. > > Eu nao gostaria de ter um logico ou matematico por trinta anos ou mais, > mesmo muito competente, no nosso departamento de filosofia, que nao se > interesse por filosofia e que nao se engaje com discentes de filosofia. Se > tivesse que participar da elaboração de um edital hoje para tentar inibir a > chance disto acontecer, eu participaria. Nao quero um colega super técnico > mas que nao pudesse defender projetos de filosofia, nao dialogasse com > filósofos, nao conseguisse bolsas para discentes de filosofia e nao > defendesse a graduação em filosofia tb. > > Depois de quatro anos de Bolsonaro e Paulo Guedes, confesso que eu tenho > mais vontade de ter um Paulo Freire como colega que um Kurt Goedel. > > Obrigado pela discussão, JM! > > abraço! > > On Thu, Dec 15, 2022 at 5:19 PM Joao Marcos <botoc...@gmail.com> wrote: > >> > Exigir diploma de filosofia para trabalhar com filosofia é uma medida >> de exclusão? >> > Eu não sei. Eu acho que não. >> >> Parece-me relevante lhe pedir para inserir a qualificação "DE >> GRADUAÇÃO" entre "diploma" e "em filosofia", para que a discussão >> anterior continue sendo justa. >> >> (É fato que eu particularmente defendi ---e outros colegas também >> defenderam---- a proposta *inclusiva* segundo a qual o DIPLOMA EM X >> não deveria ser *necessário* para CONCORRER a uma vaga na ÁREA X, o >> que é algo que vai bem além do requisito acerca do diploma DE >> GRADUAÇÃO que deu origem a esta thread.) >> >> > Eu sou um brasileiro preto e periférico, como vários discentes de >> filosofia nas nossas universidades públicas. Estou tentando cuidar dos meus. >> >> Confesso que não entendi porque não haveria brasileiros pretos e >> periféricos que não seriam potencialmente *excluídos* pela exigência >> de GRADUAÇÃO EM X, com X=Filosofia... Bacharéis em Direito ou >> Teologia, digamos, podem tranquilamente ser brasileiros pretos e >> periféricos, certo? >> >> []s, Joao Marcos >> > > > -- > Marcos Silva (UFPE/CNPq) > Philosophy Department > Federal University of Pernambuco, Brazil > Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE > <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) > Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica > <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> > https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy > "amar e mudar as coisas me interessa mais" > -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CALYh6%2BvHW8Wa%2B4faUmyrKzFeHwLwZHLKm7po1Szy0FB_51NZdQ%40mail.gmail.com.