Viva, Hermógenes: > Se é que eu entendi bem o "conectivo" que você apresentou, minha > hesitação inicial diz respeito exatamente ao fato dele ser apenas > *parcialmente* determinado, isto é, sua semântica (valor semântico) > estaria fixada apenas com relação a uma parte das sentenças da > linguagem.
Na realidade, no caso da negação definida como \neg A := A\to\botop, a semântica de \neg *não* é parcial, mas simplesmente não-determinística. De fato, se v é uma valoração tendo como contradomínio o conjunto {F,T}, podemos neste caso impor o "axioma": v(A)=F implica v(\neg A)=T e mais nada. Em particular, se v(A)=T então v(\neg A) pode tomar um valor qualquer, F ou T. > Além disso, só para deixar registrado, eu, pessoalmente, não vejo nenhum > problema com "pregações com caráter puramente ideológico". Eu também não tenho nenhum problema com isso, desde que o pregador esteja consciente do caráter ideológico da sua pregação --- ao invés de dizer, digamos, que "estou apenas fazendo matemática (em uma vertente intuicionista, ou construtiva, ou dummettiana, ou martinlöfiana, ou prawitziana, ou...)". >> Moral: um conectivo não é uma proposição atômica --- nem quando ambos >> se parecem. > > Você poderia elaborar mais? Em particular, no caso de IL⁺ e hJ, dado > que você admite[3] que este é extensão conservativa daquele, qual seria > a diferença entre ⊥ e uma sentença atômica qualquer? O fato de que um > deles eu escrevo assim "⊥" e o outro eu escrevo assim "p", ou assim "q"? > (AKA don't you see? the signature is different!) Deixe-me propor um exemplo (subestrutural) um pouquinho diferente deste, para ver se o ponto fica mais claro. Passo 0: Fixe o seu cálculo de sequentes favorito para a lógica clássica (ou para a lógica intuicionista, se preferir). Passo 1: Adicione o conectivo nulário \botop à linguagem. Passo 2: jogue fora a forma irrestrita da regra do corte, permitindo apenas o corte para o \botop, ou seja: de \Gamma,\botop\Rightarrow\Delta e \Gamma\Rightarrow,\botop\Delta podemos concluir \Gamma\Rightarrow\Delta Do ponto de vista semântica, pode-se mostrar (seguindo a tradição que vai de Schütte a Girard) que a lógica resultante possui uma semântica trivalorada. De fato, podemos neste pensar em valorações tendo como contra-domínio o conjunto {F,N,T}, e caracterizar o novo conectivo (que se "parece" com um átomo --- mas não é) através do "axioma": v(\botop) \neq N Note que a semântica de \botop é não-determinística --- ma non troppo. Passo 3: Adicione agora também o conectivo unário \star à linguagem, impondo sobre sua semântica os "axiomas": v(A)\in\{F,T\} implica v(\star(A))=T v(A)\not\in\{F,T\} implica v(\star(A))=F Exercício: caracterizar tal conectivo unário usando regras de sequentes apropriadas. Dada uma proposição atômica p, observe por fim que no cálculo resultante a sentença \star(\botop) será um teorema, mas \star(p) não será. Abraços, Joao Marcos -- http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. Visite este grupo em https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LhwFmF7hybjLTFdiATeL-8tEMdujBCFzptFh6J2vzrCdQ%40mail.gmail.com.