Oi Hermógenes, Obrigado pelas referências.
Eu, pessoalmente, acho ECQ um princípio *muito* suspeito. O difícil é > que, sem ECQ, um construtivista ficaria basicamente sem negação (ao > estilo do cálculo mínimo de Johansson), ou a negação cessaria de ser um > operador *lógico*. Uma exceção interessante é o caso da "Core Logic" de > Tennant, onde a negação é dada um caráter lógico, mesmo sem ECQ, pela > admissão de modus tollendo ponens (ou silogismo disjuntivo) e uma regra > especial para a implicação que permite obter ¬A,A⊢B. Muitos, porém, > acham o preço a se pagar muito salgado: falha da transitividade > (monotonicidade, regra de corte). > Existe uma maneira mais construtiva de se definir a negação. Basta tomar \neg A como 'A não é habitado', usando tipos isso seria dado por uma equivalência homotopica entre A e empty (não precisa de universos para fazer isso). b) Um outro problema é que Martin-Löf explica (reduz) o conceito de > "prova hipotética" ao conceito de "prova categórica" (sem hipóteses > abertas). > Mas essa parece ser a única opção do ponto de vista construtivista, não? De uma prova hipotética (acho que o ML usa o termo consequências lógica para esse operador de inferência) se constrói um mapa que transfere provas categóricas entre as asserções da prova hipotética. Não consigo ver outra opção. > Martin-Löf, no artigo de fundamentação filosófica da sua Teoria dos > Tipos[7], assume que as regras de introdução dão o significado das > constantes lógicas e, a partir daí, justifica as regras de eliminação. > Isto demonstra, em terminologia corrente, a correção da lógica > intuicionista (como sistema formal) com respeito a uma fundamentação > baseada nas introduções (estilo BHK). Contudo, a contrapartida (a > questão se todos os princípios de raciocínio justificáveis são de fato > deriváveis intuicionisticamente), isto é, completude, em terminologia > corrente, permanece em aberto no artigo, pois Martin-Löf não oferece > nenhum argumento em seu favor. Os resultados mencionados > anteriormente mostram que, sob certas condições que parecem razoáveis > de um ponto de vista construtivo, uma fundamentação estilo BHK, quando > formulada precisamente (uma vez que BHK é uma espécia de fundamentação > (semântica) informal), justificaria inferências que não são > intuicionisticamente deriváveis. > Esse é exatamente o ponto que eu queria levantar! > Na minha opinião, o potencial explanatório e de fundamentação da > Teoria Intuicionista de Tipos (TIT) se estraçalha a partir do momento > que se introduz universos. A partir daí, me parece, a TIT assume um > caráter fortemente ad hoc e muitas da intuições iniciais vão para o > espaço. Neste ponto, a única vantagem de TIT em comparação à ZF (sua > concorrente igualmente ad hoc), principalmente se você é um computeiro > ou matemático preocupado com computabilidade, é o fato de TIT ser > construtiva. Por outro lado, os argumentos de que ZF seria > filosoficamente mais robusta e conceitualmente mais coerente (ver, por > exemplo, Harvey Friedman na FOM) não me convencem. Acontece que, dado > que ZF é a doutrina ortodoxa, estamos acostumados a fazer vista grossa > para as aberrações em ZF e maldizer excessivamente qualquer > idiossincrasia de propostas alternativas, como TIT. > O problema que citei ('A true' =' 'A true' true' do ponto de vista epistêmico) não tem relação com universos (eu não devia ter citado universo no meu comentário) , apesar de ser mais fácil de internalizar o juízo 'A true' nas proposições usando universos, i.e., enche o saco escrever a definição de uma equivalência homotópica para definir 'A é habitado'. Também acho que a definição de universo univalente é bem intuitiva e consistente com a pratica matemática. O universo é só um objeto a mais na teoria que mostra a compatibilidade da identidade com a equivalência homotópica. Eles fazem o mesmo papel dos V_{\kappa}. E como a TIT deve ser semântica e sintática ao mesmo tempo, acho natural colocar um universo (ou melhor, uma estratificação em universos) na teoria. Gostaria, portanto, de entender o que gera essa tal destruição do potencial explanatório da TIT. > De qualquer maneira, mesmo num contexto muito elementar, abordar o > intuicionismo, ou construtivismo, de um ponto de vista epistemológico, > tal como Martin-Löf faz, me parece um equívoco. Concordo ainda que a > discussão epistemológica de Martin-Löf em conexão com a fundamentação > da sua Teoria de Tipos é muito confusa, para se dizer o mínimo. > Brouwer não fazia a mesma coisa? Aquela idéia de matemático ideal no tempo me soa bem similar. Abs, Fernando Yamauti -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. Visite este grupo em https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAJGvw-19d0%3Db6VKYJD_-ybq_K33O6tVF-H8Ru9ijEkCaPtkb%3Dw%40mail.gmail.com.