Salve, Hermógenes:

Obrigado pela resposta.
>>> Bem, o problema é o que colocar no lugar de ECQ que, ao mesmo tempo,
>>> (1) seja razoável se chamar de "negação" (ou, melhor, "absurdo", no
>>> caso da negação definida pelo absurdo), e (2) seja construtivamente
>>> justificável.
>>>
>>> Se permanecemos com a negação definida como ¬A≡A→⊥ *e não colocamos
>>> nada no lugar de ECQ*, então as nossas inferências dedutivas corretas
>>> são exatamente aquelas do fragmento mínimo sem negação e, do ponto de
>>> vista inferencial, não é possível distinguir o absurdo (⊥) de outra
>>> sentença qualquer: nós basicamente não teríamos a negação no âmbito
>>> das inferências lógicas.
>>
>> Por um lado, vale notar que há sim uma maneira neste caso de
>> distinguir a negação, vista como um conectivo com interpretação
>> parcialmente não-determinística aplicada a uma outra sentença qualquer
>> (note-se que a negação de uma sentença falsa é perfeitamente
>> determinística, usando a definição acima; o "problema" está apenas na
>> negação de sentenças verdadeiras), de uma sentença atômica arbitrária
>
> Uma maneira de resumir o meu comentário nesse contexto seria:
>
> Até que ponto seria razoável chamar isso de *operador lógico*?
>
> Isto é, eu hesitaria em chamar o conectivo que você descreve acima de
> operador lógico (assumindo que o entendi corretamente).  No fim das
> contas, me parece, a questão é ideológica: uns vêem lógica em tudo,
> outros a procuram de dia com uma lâmpada na mão. :-)

Assim que tivermos um critério de logicidade em mãos, portanto,
poderemos discutir melhor. :-)

Uma maneira de resumir o meu comentário seria: antes de dizer que algo
não é "razoável", convém deixar claras as nossas expectativas e as
regras do jogo.  (Tenho a impressão de que falhar repetidamente nesta
tarefa converte muito do que se faz em Teoria das Demonstrações em
pregação com caráter puramente ideológico.)

No caso da negação, o mínimo que eu esperaria, do ponto de vista
abstrato, é que não valham a asserção segundo a qual "p é consequência
de não-p" nem a asserção segundo a qual "não-p é consequência de p".
Alternativamente, para lógicas tarskianas, isto consistiria em dizer
que se há de aceitar a negação de certas sentenças rejeitadas, e
rejeitar a negação de certas sentenças aceitas --- usando assim a
negação para converter "certas sentenças verdadeiras" em sentenças
falsas e vice-versa.  Tal expectativa, de fato, é um caso particular
das propriedades de uma negação "minimamente decente", que discuti na
página 204 do seguinte artigo:
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1570868304000576

>> note com efeito que a regra de substituição uniforme não se aplica ao
>> símbolo de absurdo, como um *conectivo* nulário, tal como se aplica a
>> sentenças atômicas.
>
> Bem, a regra de substituição uniforme não se aplica, de qualquer
> maneira, a conectivos (o quão marivolhoso seria se pudéssemos substituir
> conectivos à vontade, não é mesmo? :-D).  Mas, considerando a *sentença*
> formada usando o conectivo nulário, não consigo ver porquê a regra de
> substituição seria problemática, assumindo, é claro, que esse conectivo
> não seja governado por ECQ ou qualquer outra regra de inferência, que
> era o caso que eu tinha em mente.  Afinal, neste caso, o absurdo seria
> apenas uma sentença, embora pudéssemos conferí-la, extra-logicamente, um
> significado especial.

Se você preferir, podemos transformar o conectivo nulário em um
conectivo unário # tal que #(p) é equivalente a ⊥.  Ou um conectivo
n-ário com o mesmo efeito.  Neste(s) caso(s) você claramente
concordaria que faz menos sentido falar em aplicar substituição sobre
tal conectivo.

A propósito, eu discuto um pouco a interpretação não-determinística
conectivo ⊥ (que chamo "botop"), típica da lógica de Johánsson, na
seção final deste artigo:
https://link.springer.com/article/10.1007/s11225-009-9196-z
A discussão diz respeito à figurinha que se encontra um pouco antes,
na página 232, que herdei essencialmente de Curry 1963.

Moral: um conectivo não é uma proposição atômica --- nem quando ambos
se parecem.  Note, a propósito, que tal conectivo não teria regras de
introdução (para além das regras artificiais que o Martin-Löf
aparentemente inventaria só para manter o slogan sobre
introdução+eliminação).

Joao Marcos

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