Caros
Eu vejo algo mais embaixo nessa questão das raças no Lattes: cotas para bolsas 
de pesquisa, por exemplo. Não se pode confiar nessa gente. Eles não dão ponto 
sem nó.
D



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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 25/05/2013, às 07:24, Manuel Doria <manueldo...@gmail.com> escreveu:

> Não sei o que seria um "argumento não-lógico". Um bom argumento, mesmo que
> seja um argumento sociológico, deve obedecer a certas exigências de
> racionalidade que descrevemos formalmente.
> 
> Entretanto, eu sustento que em geral, devemos dar dois passos atrás perante
> qualquer proferimento por parte de sociólogos brasileiros a respeito da
> "realidade social".
> 
> Seria esperado que um sociólogo, enquanto alegado cientista social, tivesse
> um engajamento com a dinâmica de sociedades e fenômenos que emergem à
> partir da interação de vários agentes de forma análoga à de um
> meteorologista com fenômenos atmosféricos. Mas quase sempre por aqui, não é
> o caso. E a razão não é da ordem da complexidade dos fenômenos; é
> ideológica.
> 
> A maioria do que se produz em nome da "sociologia" no Brasil não é ciência,
> é uma atividade mais próxima da crítica literária; a elaboração de
> narrativas internamente coerentes, psicologicamente satisfatórias que
> angariam significado a processos sociais e históricos. Não estão
> interessados em adequação empírica, elaboração de testes cruciais e fogem
> de métodos quantitativos.
> 
> O ramo mais científico da sociologia, o funcionalismo - que há mais de um
> século procura consiliência com o resto do conhecimento científico - é
> ridicularizado na academia brasileira como "positivismo" (um palavrão
> comum).
> 
> A conflação de normatividade com descrição na sociologia chega a ser pior
> do que o que ocorre em economia e ciência política.
> 
> Teoria de conflito marxista, feminismo, teoria crítica, pós-estruturalismo,
> construtivismo social, pós-modernismo e tantos outros ramos de teorias
> sociológicas são programas de pesquisa degenerados, no sentido de Lakatos.
> Não é ciência.
> 
> Quando alguém como o matemático John Casti se preza a compreender como
> emergem fenômenos sociais usando ferramentas computacionais como
> multi-agent modeling, é capaz de muitos sociólogos de nossa academia
> empregarem algum *ad hominem* para descaracterizar o uso desse tipo de
> metodologia e até mesmo acusá-lo de estar apenas servindo de instrumento
> dos interesses da burguesia.
> 
> Um forte abraço.
> 
> 
> 2013/5/25 Juan Carlos Agudelo Agudelo <juca.agud...@gmail.com>
> 
>> Minha intensão ao enviar o texto foi pôr a disposição de nós, os "lógicos",
>> argumentos não lógicos, mas socioLÓGICOS, de um debate sobre uma politica
>> social. Talvez nossos raciocínios lógicos não conseguem dar conta das
>> realidades sociais, e nossas opiniões sobre as problemáticas sociais são
>> tao fracas quanto as opiniões dos sociólogos a respeito da lógica. Acho que
>> ler, e tentar entender, os argumentos das pessoas que trabalham na área
>> sempre traz benefícios. Mas claro, se pode discordar.  O problema é que as
>> pessoas que escreveram o texto não vão poder defender seus argumentos, pois
>> nem estão sabendo que eu enviei essa mensagem (minhas desculpas com elas,
>> mesmo que elas também não fiquem sabendo).
>> 
>> A respeito da afirmação do JM:
>> 
>> "As antropólogas uspianas autoras do texto circulado abaixo
>> (que obviamente não leram Roberto DaMatta) parecem acreditar que a
>> inclusão do item em questão no Lattes ajudariam a mitigar "a realidade de
>> uma sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas
>> e
>> inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica
>> no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica".
>> 
>> Acho que esta bem claro no texto delas, que esses dados são só um
>> instrumento que pode ser útil para avaliar e ciar políticas que mitiguem
>> esses problemas. É claro que elas não acreditam que só a inclusão do item
>> em questão vai mitigar esses problemas, é por isso que observam que "...é
>> preciso indagar como esse tipo de informação será efetivamente aproveitado.
>> Enfim, é de interesse da comunidade tomar a “novidade” não como resultado,
>> mas como parte de um processo,  cabendo a nós, pesquisadores, o papel de
>> interpelar a Instituição sobre os usos desses dados."
>> 
>> []s
>> JC
>> 
>> 
>> 2013/5/24 Joao Marcos <botoc...@gmail.com>
>> 
>>> Entendo que a minha *opinião* sobre o assunto é irrelevante.  Faço
>>> então apenas uma breve análise lógico-informal do texto enviado, com
>>> um par de comentários adicionais.  Favor ignorar se o tópico
>>> simplesmente não for do interesse.
>>> 
>>> Até a promulgação da Constituição de 1988, no Basil, era obrigatória a
>>> inclusão da *cor* na Certidão de Nascimento.  (É claro que quase todo
>>> mundo era declarado como "branco".)  De lá para cá os cartórios
>>> passaram a omitir sistematicamente a informação.  Há alguns anos
>>> (confiram a reportagem de 2006) houve contudo quem notasse a falta
>>> deste item nas novas certidões e protestasse:
>>>  http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0508200628.htm
>>> "A preocupação de Enilda é que sem o item cor, o governo não tem como
>>> fazer estatísticas oficiais sobre a questão racial e, como
>>> conseqüência, não terá subsídios para elaborar políticas de inclusão
>>> social, como os polêmicos projetos sobre as cotas em universidades e o
>>> Estatuto da Igualdade Racial, ainda em discussão no Congresso."
>>> 
>>> As antropólogas uspianas autoras do texto circulado abaixo (que
>>> obviamente não leram Roberto DaMatta) parecem acreditar que a inclusão
>>> do item em questão no Lattes ajudariam a mitigar "a realidade de uma
>>> sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas
>>> e inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa
>>> científica no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa
>>> científica".  Não entendi bem o raciocínio: o *acesso ao ensino
>>> superior* atualmente já se encontra facilitado por cotas várias e
>>> diversos tipos de bolsa, e o Lattes nada tem a ver com isso.  Não me
>>> parece óbvio como o quesito raça afetaria o *acesso à pesquisa
>>> científica*.  Mas talvez haja alguma área científica em que
>>> pesquisadores negros estejam sendo atualmente preteridos, no Brasil, e
>>> eu não estou sabendo.  Bem, já há cotas em vários editais do CNPq para
>>> pesquisadores do Norte e do Nordeste.  Haverá também em breve cotas
>>> para cientistas negros, de implementação facilitada pelo Lattes?
>>> Neste sentido na minha universidade ja há cotas, por exemplo, para
>>> bolsistas de IC considerados "prioritários".  Estamos certamente
>>> evoluindo.
>>> 
>>> Curiosamente, agora que boa parte das pessoas tem preferido não
>>> declarar sua cor, talvez a porcentagem total de Currículos Lattes com
>>> a opção "negro" se revele muito maior do que o real, e provoque um
>>> viés negativo na "evidência" que segundo as autoras deveria ser
>>> "veiculada de maneira aberta".  Há um adicional interessante:
>>> protestar contra a inclusão do item no preenchimento do Lattes,
>>> segundo as autoras, seria "desautorizar pesquisas", e praticar "um
>>> gesto de obscurantismo".  Por certo *obrigar* cientistas a preencher
>>> isto *no Lattes* produzirá automaticamente uma pesquisa muito eficaz.
>>> 
>>> * * *
>>> 
>>> Pessoalmente, mais interessado fico no *perfil religioso* do
>>> pesquisador brasileiro do que no seu *perfil racial*.  O motivo é
>>> simples: religião não combina com ciência.  E, se eu fosse vocês,
>>> tendo em vista a crescente bancada evangélica no nosso Congresso
>>> Nacional, também me preocuparia com este tema.
>>> 
>>> JM
>>> 
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