Minha intensão ao enviar o texto foi pôr a disposição de nós, os "lógicos",
argumentos não lógicos, mas socioLÓGICOS, de um debate sobre uma politica
social. Talvez nossos raciocínios lógicos não conseguem dar conta das
realidades sociais, e nossas opiniões sobre as problemáticas sociais são
tao fracas quanto as opiniões dos sociólogos a respeito da lógica. Acho que
ler, e tentar entender, os argumentos das pessoas que trabalham na área
sempre traz benefícios. Mas claro, se pode discordar.  O problema é que as
pessoas que escreveram o texto não vão poder defender seus argumentos, pois
nem estão sabendo que eu enviei essa mensagem (minhas desculpas com elas,
mesmo que elas também não fiquem sabendo).

A respeito da afirmação do JM:

 "As antropólogas uspianas autoras do texto circulado abaixo
(que obviamente não leram Roberto DaMatta) parecem acreditar que a
inclusão do item em questão no Lattes ajudariam a mitigar "a realidade de
uma sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas e
inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica
no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica".

Acho que esta bem claro no texto delas, que esses dados são só um
instrumento que pode ser útil para avaliar e ciar políticas que mitiguem
esses problemas. É claro que elas não acreditam que só a inclusão do item
em questão vai mitigar esses problemas, é por isso que observam que "...é
preciso indagar como esse tipo de informação será efetivamente aproveitado.
Enfim, é de interesse da comunidade tomar a “novidade” não como resultado,
mas como parte de um processo,  cabendo a nós, pesquisadores, o papel de
interpelar a Instituição sobre os usos desses dados."

[]s
JC


2013/5/24 Joao Marcos <botoc...@gmail.com>

> Entendo que a minha *opinião* sobre o assunto é irrelevante.  Faço
> então apenas uma breve análise lógico-informal do texto enviado, com
> um par de comentários adicionais.  Favor ignorar se o tópico
> simplesmente não for do interesse.
>
> Até a promulgação da Constituição de 1988, no Basil, era obrigatória a
> inclusão da *cor* na Certidão de Nascimento.  (É claro que quase todo
> mundo era declarado como "branco".)  De lá para cá os cartórios
> passaram a omitir sistematicamente a informação.  Há alguns anos
> (confiram a reportagem de 2006) houve contudo quem notasse a falta
> deste item nas novas certidões e protestasse:
>   http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0508200628.htm
> "A preocupação de Enilda é que sem o item cor, o governo não tem como
> fazer estatísticas oficiais sobre a questão racial e, como
> conseqüência, não terá subsídios para elaborar políticas de inclusão
> social, como os polêmicos projetos sobre as cotas em universidades e o
> Estatuto da Igualdade Racial, ainda em discussão no Congresso."
>
> As antropólogas uspianas autoras do texto circulado abaixo (que
> obviamente não leram Roberto DaMatta) parecem acreditar que a inclusão
> do item em questão no Lattes ajudariam a mitigar "a realidade de uma
> sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas
> e inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa
> científica no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa
> científica".  Não entendi bem o raciocínio: o *acesso ao ensino
> superior* atualmente já se encontra facilitado por cotas várias e
> diversos tipos de bolsa, e o Lattes nada tem a ver com isso.  Não me
> parece óbvio como o quesito raça afetaria o *acesso à pesquisa
> científica*.  Mas talvez haja alguma área científica em que
> pesquisadores negros estejam sendo atualmente preteridos, no Brasil, e
> eu não estou sabendo.  Bem, já há cotas em vários editais do CNPq para
> pesquisadores do Norte e do Nordeste.  Haverá também em breve cotas
> para cientistas negros, de implementação facilitada pelo Lattes?
> Neste sentido na minha universidade ja há cotas, por exemplo, para
> bolsistas de IC considerados "prioritários".  Estamos certamente
> evoluindo.
>
> Curiosamente, agora que boa parte das pessoas tem preferido não
> declarar sua cor, talvez a porcentagem total de Currículos Lattes com
> a opção "negro" se revele muito maior do que o real, e provoque um
> viés negativo na "evidência" que segundo as autoras deveria ser
> "veiculada de maneira aberta".  Há um adicional interessante:
> protestar contra a inclusão do item no preenchimento do Lattes,
> segundo as autoras, seria "desautorizar pesquisas", e praticar "um
> gesto de obscurantismo".  Por certo *obrigar* cientistas a preencher
> isto *no Lattes* produzirá automaticamente uma pesquisa muito eficaz.
>
> * * *
>
> Pessoalmente, mais interessado fico no *perfil religioso* do
> pesquisador brasileiro do que no seu *perfil racial*.  O motivo é
> simples: religião não combina com ciência.  E, se eu fosse vocês,
> tendo em vista a crescente bancada evangélica no nosso Congresso
> Nacional, também me preocuparia com este tema.
>
> JM
>
>
>
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