Olá, Rodrigo: Obrigado pela mensagem, e pelas divertidas e instrutivas citações.
> Por fim, não acho que os usuários desta lista tenham autoridade > para preceituar o que é bom ou mau português. Creio que você tem razão de uma forma até mais ampla: _ninguém_ tem "autoridade para preceituar o que é bom ou mau português". Mas a gente pode _acreditar_ nisto ou naquilo, apresentar um _argumento_, e tentar _convencer_ as pessoas a respeito dele. Não pode? Joao Marcos PS: Por algum motivo que não chego a compreender bem, parece não incomodar que as pessoas discutam aqui política e muitos outros assuntos estranhos à lista, até com alguma frequência, mas discussões que envolvem a boa adequação da escolha de termos que pertencem inteiramente ao escopo de interesse desta lista, e que envolvem elementos conceituais que afetam a boa compreensão destes termos, discussões estas envolvendo um grupo que contém justamente muitos especialistas da área, parecem incomodar bastante mesmo. Não vou avançar nenhuma tese psicológica a respeito (como de fato não avancei nenhuma tese psicológica a respeito do que quer que seja, nestas discussões). Só acho curioso. > Em 9 de novembro de 2011 14:33, Joao Marcos <[email protected]> escreveu: > >> > Não vou me dar ao trabalho de consultar dezenas de dicionários, mas acho >> > que se pode constatar que (a respectiva tradução de) "prova" tem >> > (também) o significado indicado acima em todas as outras línguas >> > românicas. >> >> Não entendo como se poderia "constatar" algo assim sem sequer se dar >> ao trabalho de consultar fonte alguma... >> >> > "Nas línguas latinas 'demonstratio' se traduz como 'démonstration' >> > (fr), 'demostración' (es), 'dimostrazione' (it), 'demonstraţie' (ro), >> > 'demostració' (ca), et coetera. Da mesma forma, em português a _boa_ >> > tradução para este termo é o vocábulo 'demonstração'." >> > >> > Alguém poderia acrescentar: "nas línguas latinas 'probare' se traduz como >> > 'prouver' (fr.), 'probar' (es.) etc. etc. Da mesma forma, em português a >> > boa tradução para este termo é o vocábulo... 'provar'". Ou seja, não se >> > trata de traduzir "demonstratio" como "prova". >> >> Então do que se trata? É aí justamente que está o busílis... Em >> todas as línguas citadas ---latim, francês, espanhol, italiano, romeno >> ou catalão--- usa-se "prova" quando muito para tratar do tipo de >> *evidência* (do lat. "evidentia") que se apresenta em Ciência, e em >> ^nenhum caso^ para se referir a uma "demonstração" matemática, que >> refere obviamente um tipo muito particular de evidência. O inglês, >> neste caso, é que é a única língua anômala neste sentido, na qual o >> vocábulo "proof" veio tendo o seu significado desviado há séculos para >> se referir em particular à "demonstração" de caráter matemático. >> >> É claro que se você quiser, por isso mesmo, traduzir literalmente >> "Proof Theory" como "Teoria da Evidência" terá o direito de fazê-lo. >> Mas produzirá um monstro ainda pior do que "Teoria da Prova". >> >> Não há dúvida de que na práxis matemática outros aspectos são >> importantes para além da mera "demonstração": em particular o caráter >> de "convencimento" que há de ser transmitido pela demonstração, bem >> como a "segurança" de que, uma vez demonstrada uma proposição, não há >> risco de que ela nos falhe. A "Beweistheorie" clássica, contudo, é >> particularmente cega para quaisquer aspectos demonstracionais de >> caráter sociológico. Seu objeto de estudo são as "Beweise", as >> "demonstrações" matemáticas. >> >> > Não entendo como isso pode ser um atentado à língua portuguesa, uma >> > barbaridade, uma leviandade, uma prática troglodita, um idiotismo ou algo >> > que alguns estudantes e pesquisadores da área de exatas vêm >> > consagrando desde 1900. >> >> Como aparentemente não há grandes desenvolvimentos na área feitos >> exclusivamente na literatura técnica brasileira/portuguesa (e em >> particular os nossos especialistas foram educados e escrevem, via de >> regra, em inglês), a impressão que dá é que esta suposta "consagração" >> teria sido feita exclusivamente nos trabalhos de dissertação/tese de >> alguns estudantes que foram _obrigados_ a escrever em (mau) português, >> alheios do debate terminológico aqui levantado pela primeira vez. >> >> Sempre há a possibilidade, imaginamos, de uma reflexão motivar uma >> mudança de hábito. Para isso nos serve a consciência, e essa é a >> expectativa que temos da gente da Ciência. >> Joao Marcos >> >> -- >> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ >> > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > -- http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
