"Não entendo como se poderia 'constatar' algo assim sem sequer se dar ao trabalho de consultar fonte alguma..."
Não disse que se poderia constatar aquilo sem a consulta de fonte alguma, mas que, se meu palpite estivesse certo, qualquer um poderia constatá-lo, se assim o desejasse: preuve: Fait, témoignage, raisonnement susceptible d'établir de manière irréfutable la vérité ou la réalité de (quelque chose). http://www.cnrtl.fr/definition/preuve Consultei mais uns três dicionários; todos dão, como sinônimo de "prova", "demonstração". Você diz que, nas línguas citadas, a palavra "prova" não é usada, "em ^nenhum caso^", para referir-se a uma demonstração (matemática), o que é falso, como se pode constatar aqui http://fr.wikipedia.org/wiki/Preuve_par_l%27exemple, aqui http://fr.wikipedia.org/wiki/Preuve_bijective e aqui http://ca.wikipedia.org/wiki/Demostraci%C3%B3_matem%C3%A0tica. Não vejo problema em alguma ambiguidade terminológica, desde que o autor deixe claro o que ele pretende dizer. "Teoria da prova" é um termo bastante razoável. Estas duas citações de Lewis Carroll resumem o que penso sobre terminologia (o resto é procurar chifre em cabeça de cavalo): I maintain that any writer of a book is fully authorised in attaching any meaning he likes to a word or phrase he intends to use. If I find an author saying, at the beginning of his book, "Let it be understood that by the word 'black' I shall always mean 'white,' and by the word 'white' I shall always mean 'black,'" I meekly accept his ruling, however injudicious I think it. Symbolic Logic "When I use a word," Humpty Dumpty said in rather a scornful tone, "it means just what I choose it to mean — neither more nor less." Through the Looking-Glass Por fim, não acho que os usuários desta lista tenham autoridade para preceituar o que é bom ou mau português. Em 9 de novembro de 2011 14:33, Joao Marcos <[email protected]> escreveu: > > Não vou me dar ao trabalho de consultar dezenas de dicionários, mas acho > > que se pode constatar que (a respectiva tradução de) "prova" tem > > (também) o significado indicado acima em todas as outras línguas > > românicas. > > Não entendo como se poderia "constatar" algo assim sem sequer se dar > ao trabalho de consultar fonte alguma... > > > "Nas línguas latinas 'demonstratio' se traduz como 'démonstration' > > (fr), 'demostración' (es), 'dimostrazione' (it), 'demonstraţie' (ro), > > 'demostració' (ca), et coetera. Da mesma forma, em português a _boa_ > > tradução para este termo é o vocábulo 'demonstração'." > > > > Alguém poderia acrescentar: "nas línguas latinas 'probare' se traduz como > > 'prouver' (fr.), 'probar' (es.) etc. etc. Da mesma forma, em português a > > boa tradução para este termo é o vocábulo... 'provar'". Ou seja, não se > > trata de traduzir "demonstratio" como "prova". > > Então do que se trata? É aí justamente que está o busílis... Em > todas as línguas citadas ---latim, francês, espanhol, italiano, romeno > ou catalão--- usa-se "prova" quando muito para tratar do tipo de > *evidência* (do lat. "evidentia") que se apresenta em Ciência, e em > ^nenhum caso^ para se referir a uma "demonstração" matemática, que > refere obviamente um tipo muito particular de evidência. O inglês, > neste caso, é que é a única língua anômala neste sentido, na qual o > vocábulo "proof" veio tendo o seu significado desviado há séculos para > se referir em particular à "demonstração" de caráter matemático. > > É claro que se você quiser, por isso mesmo, traduzir literalmente > "Proof Theory" como "Teoria da Evidência" terá o direito de fazê-lo. > Mas produzirá um monstro ainda pior do que "Teoria da Prova". > > Não há dúvida de que na práxis matemática outros aspectos são > importantes para além da mera "demonstração": em particular o caráter > de "convencimento" que há de ser transmitido pela demonstração, bem > como a "segurança" de que, uma vez demonstrada uma proposição, não há > risco de que ela nos falhe. A "Beweistheorie" clássica, contudo, é > particularmente cega para quaisquer aspectos demonstracionais de > caráter sociológico. Seu objeto de estudo são as "Beweise", as > "demonstrações" matemáticas. > > > Não entendo como isso pode ser um atentado à língua portuguesa, uma > > barbaridade, uma leviandade, uma prática troglodita, um idiotismo ou algo > > que alguns estudantes e pesquisadores da área de exatas vêm > > consagrando desde 1900. > > Como aparentemente não há grandes desenvolvimentos na área feitos > exclusivamente na literatura técnica brasileira/portuguesa (e em > particular os nossos especialistas foram educados e escrevem, via de > regra, em inglês), a impressão que dá é que esta suposta "consagração" > teria sido feita exclusivamente nos trabalhos de dissertação/tese de > alguns estudantes que foram _obrigados_ a escrever em (mau) português, > alheios do debate terminológico aqui levantado pela primeira vez. > > Sempre há a possibilidade, imaginamos, de uma reflexão motivar uma > mudança de hábito. Para isso nos serve a consciência, e essa é a > expectativa que temos da gente da Ciência. > Joao Marcos > > -- > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
