João:

Guimarães Rosa nãocriou neologismos: ele, em suas prolongadas viagens de 
pesquisa pelo interior de Minas  anotou os diversos falares, as deturpações 
da lingua em função exatamente da falta de continuidade por formas 
literárias ou educativas, das formas eruditas dos vocábulos.

Até a falta de dentes em grande parte do pessoal do interior contribuiu pra 
isso.....

Exemplo atroz é o uso indevido de "estória" que hoje é corriqueiro e é um 
despudor, um ambicismo quedesonra a cultura de quem o utiliza.
Por sua própria etmologia, é uma palatra que descreve algo  que 
antiriormente não era conhecido. Exemplo: kardecismo: "Doutrina religiosa de 
Allan Kardec (1804-1869), pensador espírita francês". Esse vocábulo, 
obviamente, não existia antes da existânaia do criador do espiritismo.
Usar a deformação viciosa como o caso do "estória" não é neologismo, é vício 
de linguagem.
Qualquer pessoa só deve escrever dentro dos parâmetros das regras cultas, 
uma delas é usar vocábulos existentes no VOLP: uma curiosidade é o fato de 
famosa poetisa brasileira (por motivos que não revelou), arvorar-se em 
"poeta", não aceitando o título de poetisa conforme nos ensina a gramática: 
e diversas senhoras, por modismo, para se diferenciarem ou mostra uma 
cultura que é falsa, arvoram-se em "poetas" o que desqualifica toda sua 
obra.
Autores consagrados - é o caso de guimarães Rosa e o grande poeta lusitano 
Fernando Pessoa ousam alterar a formatação dos vocábulos tanto para mostrar 
sua erudição como para aprimorar o sentido do texto, o que não os incorpora 
oficialmente à língua: são apenas detalhes artísticos.

Deve haver algum trabalho de qualidade sobre isso: se alguém tiver, que o 
traga à luz:  Rabelais até criou um povo denominado "Nefelibata" em 
homenagem aos criadores de neologismos...".

Copiei na ewikipedia:

"Termo utilizado para classificar uma palavra nova que surge numa língua 
devido à necessidade de designar novas realidades - novos conhecimentos 
técnicos, objectos gerados pelo progresso científico (neologismos técnicos e 
científicos) e até por questões estilísticas e literárias, tornando a língua 
mais expressiva e rica (neologismos literários).

O que sucede quando precisamos de atribuir um novo nome para designar uma 
ideia ou objecto novos é escolher uma destas opções: formar uma palavra nova 
a partir de elementos que já existam; adoptar um termo de uma outra língua; 
alterar o significado de uma palavra já antiga. Daí que os neologismos 
criados possam possuir diferentes processos de formação: por derivação 
(ficcionismo, metaficção), por composição (astronauta, homeopatia), por 
imitação de outras palavras já existentes na língua (eurocrata), por 
transferência de vocábulos pertencentes a outras línguas (clicar, inputar, 
scannear), ou palavras completamente novas que são criadas. Neste último 
grupo, incluem-se os neologismos literário-estilísticos que são criados para 
se conseguir um efeito único, especial, ou tornar uma frase mais maleável, 
concentrando uma expressão numa palavra, de modo a tornar o sentido mais 
explícito, por exemplo: «trotamundos» (forma como Walter, uma das 
personagens de O Vale da Paixão é referida várias vezes, pelo pai, por não 
permanecer muito tempo no mesmo local) e o substantivo seu derivado".



uma boa noite,

silvio.


----- Original Message ----- 
From: "Joao Marcos" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de 
LOGICA" <[email protected]>
Sent: Sunday, September 28, 2008 5:56 PM
Subject: [Logica-l] questões linguísticas


>> >> 2)    Não penso que seja inimportante tratar desse tema.
>> >
>> > Creio que você quis dizer "desimportante".
>>
>> "No sonho, não há o assentar da vista sobre o importante e o
>> inimportante de um objeto que há na realidade. Só o importante é que o
>> sonhador vê."
>> --Bernardo Soares (Fernando Pessoa,) *O Livro do Desassossego*
>> (passagem intitulada "Via Láctea", já nas páginas finais)
>
2008/9/28 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]>:
> Seria legal enviar essa referência para a Academia Brasileira de Letras,
> pois a licença poética do Pessoa não consta no Vocabulário Ortográfico da
> Língua Portuguesa, código oficial da nossa língua. edg

Não penso que seja *irrelevante* insistir este tema --- e como lógica
também tem algo a ver com linguagem...

Seria sem dúvida bem "legal", ou bem "fixe", que alguém fizesse isso
que você diz.  Não se deve esquecer contudo de enviar uma cópia da
comunicação também para a Academia das Ciências de Lisboa.  (Supondo
que esta discussão sobre a língua portuguesa se estenda a todas as
variantes nacionais desta língua, que aliás não deixarão de existir
com a introdução do novo acordo ortográfico.)

Os escritores, e hoje também os cientistas, estão certamente entre os
principais responsáveis pela criação e fixação de neologismos, e
influenciam decisivamente na sua eventual introdução por
dicionarização no léxico oficial consignado no VOLP.  A resistência
por parte dos falantes, contudo, no que diz respeito à adoção de uma
nova palavra mesmo quando esta palavra é formada segundo as regras
absolutamente usuais de construção lexical, é quase sempre
considerável, num primeiro momento (talvez menos entre os cientistas
brasileiros, que são extremamente relaxados com o uso da língua).

Lembra-me assim de imediato, aliás, o termo "imexível", criado tão
espontaneamente na frente das câmeras da tevê pelo ex-ministro
(brasileiro) Antônio Rogério Magri (o mesmo que justificou certa vez o
uso do carro oficial do governo para levar o animal de estimação ao
veterinário dizendo que "a cachorra é um ser humano como qualquer
outro").  Ex-sindicalista, Magri foi logo censurado por comentários
preconceituosos de quem não levou em conta as regras morfológicas que
justificavam claramente a correta formação da palavra.  (É esta a
opinião, aliás, do Evanildo Bechara, acadêmico da ABL.)  A última
edição do Aurélio que tenho aqui ainda não havia dicionarizado esta
palavra, mas o novo Houaiss já a inclui no léxico.  Seguindo esta
linha, não me espantaria de descobrir que os dicionários brasileiros,
em geral, tenham caminhado mais do que os lusitanos em direção à
dicionarização de alguns neologismos de Guimarães Rosa.

A língua é uma coisa bem dinâmica.

jm
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