Edgard Lemos wrote:
>
> Em dom, 27 mai 2001, Lisias Toledo escreveu:
> > O autom�vel continua praticamente o mesmo desde Ford
>
> Desde Ford, n�o. Desde Benz, o inventor do autom�vel.
N�o. Desde Ford mesmo. Benz inventou o autom�vel, mas foi Ford quem tomou
decis�es t�cnicas, pol�ticas e estrat�gicas para a fabrica��o em massa dos
autom�veis (por isto ele � chamado de Pai do Autom�vel). N�o fosse por isto, e
o autom�vel ainda seria um produto elitista, dispon�vel apenas para poucos
privilegiados.
Assim como o Open Source pretende democratizar o acesso � Inform�tica, Ford
democratizou o acesso ao autom�vel.
(Mas vc tem raz�o em dar ao Benz os cr�ditos devidos, seu coment�rio foi vem
vindo - ali�s, sempre �...)
> > quatro rodas, motor � combust�o interna, dire��o, acelerador e freio
> > (embreagem nem sempre), e nem por isso se acusa a ind�stria automobil�stica
> > de marasmo.
>
> Fala-se sim, senhor. J� ouvi v�rios coment�rios sobre a falta de evolu��o do
> autom�vel.
Devemos tomar cuidado aqui. Fala-se da falta de evolu��o do autom�vel ou da
motoriza��o? Eu tenho lido muita cr�ticas ao aparente lock-down no paradigma
da combust�o interna. Existem muitos projetos de morotes mais eficientes e
econ�micos que n�o saem do papel n�o se sabe por qu� (como o diabo do motor
triangular de cer�mica).
> Agora, com a crise de energia dos EUA, o Bush est� incentivando o uso de
> autom�veis mistos (meio el�trico, meio a combust�o). Isso � uma inova��o.
N�o, n�o �. Pelo menos n�o hoje em dia. Esta hist�ria j� � antiga, me lembro
de ter lido sobre ela nos primeiros n�meros da Super Interessante (acho que
foi naquela do trem super condutor).
Abrindo um pequeno off-topic, este Bush � um dos maiores cretinos que j� tive
o desprazer de ver na Casa Branca. Este est�pido n�o tem a menor id�ia do que
est� fazendo.
A gera��o de eletriciade � uma das mais impactantes ao meio ambiente que
existem. Ou � uma hidrel�trica (que compromete toda uma bacia hidrogr�fica -
olha o usina�o na China!!), ou uma Usina Termonuclear com todos os seus
riscos, ou uma termoel�trica � carv�o (desgra�a!!!) ou a diesel (e neste caso,
sai mais barato e menos poluente usar diesel nos autom�veis).
Produzir e distribuir eletricidade � mais caro e poluente que o equivalente
petrol�fero. Estocar eletricidade � um problema ainda insol�vel em grandes
quantidades.
Mas se vc tivesse mencionado aquele esquema maluco dos europeus de quebrar as
mol�culas da gasolina para ent�o gerar eletricidade com o hidrog�nio, vc teria
acertado em cheio. IMHO este � o caminho a seguir, exceto pro um projeto
semelhante que visa usar a �gua pot�vel para extraor o hidrog�nio (numa epoca
que a agua pot�vel esta se revelando um grave problema!!!)
> > Al�m disto, sendo o MP3 implaus�vel sem alguma forma de computador para dar
> > suporte, � inova��o de computador sim.
>
> Bem. Ent�o o programinha em clipper que o formando de curso t�cnico de
> computa��o de 2� grau faz para receber seu diploma tamb�m � uma
> inova��o.
Dependendo do uso que for dado ao programa, � inova��o sem d�vida. Podemos
inovar na t�cnica, e podemos inovar na aplica��o.
Tenho trabalhado como assistente de alguns professores que est�o concluindo
seu mestrado, e os trabalhos mais eficientes (pasme!!) s�o id�ias inovadoras
implementadas em tecnologias j� consolidadas.
> Pelo seu conceito, o computador, ent�o, est� inovando a cada segundo.
O computador n�o. A Inform�tica. Vc est� sendo simplista mais uma vez (deve
ser de prop�sito!!! ;-)).
Vou dar um exemplo pr�tico, que vivi h� algum tempo atr�s:
O computador de bordo. Um micrinho super safado, provavelmente de oito bits (e
que num futuro pr�ximo provavelmente rodar� Linux!!), mas que foi uma das
maiores inova��es no autom�vel � que eu tive acesso (junto com o freio ABS -
outra maravilha da inform�tica).
Esta porquerinha monitora o consumo do autom�vel, e me diz com uma excelente
margem de precis�o a autonomia do autom�vel, atualizando a informa��o � medida
que eu altero o ritmo do motor. Eu aumentei minha autonomia em +/- 30 kms
somente andando a 50 km/h ao inv�s de 60, e deixei para abastecer no dia
seguinte (e n�o perdi Babylon V na tv).
S�o pequenas coisas como esta que fazem a inform�tica valer a pena para a
popula��o (e para mim tbm!!).
> > > Por outro lado, a Internet, a Web, os protocolos, servi�os, servidores e
> > > padr�es que a comp�em foram todos concebidos e gerados no ambiente de software
> > > livre.
> >
> > Mas isto n�o emociona o usu�rio. O que interessa para o usu�rio � o CHAT, a
> > p�gina web com informa��es relevantes ou divers�o, o email.
>
> Que s� rolou depois da *inova��o* dos servi�os criados acima. Email � uma
> inova��o e apareceu no ambiente de software livre, e garanto, emociona o
> usu�rio.
Vc est� redondamente enganado. J� existia email na FIDONET muito antes da
Internet sequer sair das universidades. Tinhamos a GeNIE, a America Online, a
Orchid, pra n�o falar nas centenas de milhares de BBSs aut�nomas que pipocaram
o mundo afora entre o final dos anos 70 at� o inicio dos 90. Cerca de 90% dos
softwares de apoio (pra n�o falar nas redes comerciasi) eram shareware closed
source.
Praticamente tudo o que temos hoje j� existia em uma escala mais modesta antes
neste paradigma. FTP, email, chat, Instant Messaging, jogos online.
A Internet n�o revolucionou os servi�os. Ela revolucionou o *acesso* aos
servi�os. E os protocolos na� valem muita coisa aqui, porque se eles n�o
existissem, outros seriam criados. A Internet, mais que m�quina e protocolos,
� GENTE. S�o as pessoas que transformaram a Internet no que ela � hoje. N�o
(s�) os protocolos.
O Open Source teve papel fundamental na democratiza��o do acesso � estes
servi�os, mas n�o na sua cria��o. A cria��o destes servi�os se deve � demanda
feita por pessoas.
> > > E isso � bom. Porque quem realmente est� ganhando (at� mesmo dinheiro) �
> > > usu�rio e isso � pura democracia.
> >
> > Se quem realmente ganha � o usu�rio, o que ser� de n�s, desenvolvedores? Pra
> > mim, isto n�o � democracia. � ditadura do proletariado, digo, do
> > usuarialato... Lembra um pouco a Revolu��o Francesa...
>
> � isso mesmo. Voc� mesmo disse que quem manda � o cliente porque o cliente �
> que tem dinheiro.
>
> Cotei suas palavras abaixo:
>
> "> N�s, daqui de dentro, temos uma vis�o clara de todo o processo, mas n�o
> > mandamos nada. Quem manda s�o os usu�rios, � o ponto de vista deles que temos
> > que levar em considera��o."
>
> e
>
> " mas eu tendo a privilegiar o ponto de vista do
> > usu�rio final - afinal, � a grana dele que sustenta esta tralha toda!"
>
> Agora veja o que voc� disse:
>
> > O usu�rio n�o deve ganhar, ele deve INVESTIR. Ele deve pagar pelo software o
> > pre�o justo, e usufruir de forma justa de seu usufruto. Quem deve ganhar � o
> > desenvolvedor, porque � dele o trabalho de manter o software em condi��es de
> > uso.
Vc pegou uma frase minha (extremamente dependente de contexto, e portanto, mal
formulada) dita num contexto e a jogou contra outras duas ditas num contexto
diferente, logo creio que a sua compara��o n�o � v�lida.
O usu�rio manda porque ele � quem tem o problema a ser resolvido, ele � quem
conhece seu problema. Nos dias de hoje os problemas a serem resolvidos s�o
decididos por terceiros, e est� � a principal aberra��o a ser resolvida na
rela��o usu�rio/desenvolvedor.
O pre�o dos softwares tbm � uma quest�o a ser discutida por n�s, mas n�o
solucionada. Quem decide pre�o � o mercado, n�o o usu�rio ou o desenvolvedor.
Lembre-se que vivemos num sistema capitalista. AL�m do mais, o pre�o n�o
parece ser um problema t�o grande para algumas �reas espec�ficas, como a
de entretenimento.
Al�m disso, o Software n�o est� mais sendo encarado como produto (que se pode
ganhar ou adquirir a posse), mas como servi�o. E as regras numa rela��o de
presta��o de servi�os s�o outras. Se o cara n�o me pagar o que eu preciso,
largo a profiss�o e vou estudar direito e virar advogado tributarista.
> Se o usu�rio n�o deve ganhar eu estou fora porque sou usu�rio. Se for para
> aderir ao software livre para ser esfolado mais uma vez pelos desenvolvedores,
> fico com a MS, mesmo. Pelo menos eles s�o sinceros: "vamos esfolar voc�s".
>
> Imagine voc� com esse papo tentando convencer um cliente a usar software livre.
Vc est�, como muitos, confundindo Software Livre com Software Gr�tis. O
Software Livre vai eliminar a competi��o por implementa��o (que trava as
escolhas do usu�rio) pela competi��o pela funcionalidade. Os pre�os ir�o cair
neste processo, mas isto � um efeito colateral causado pela rela��o
oferta/demanda.
N�o existe nenhum dispositivo no Software Livre que evite que algu�m crie um
software de um milh�o de d�lares. Existe um dispositivo para que evitar que
somente uma pessoa crie um software de um milh�o de d�lares (o que deve fazer
com que o pre�o caia um pouco), e isto cria a escolha para o usu�rio optar
entre uma das op��es.
Mas e se ningu�m quiser (ou conseguir) criar um concorrente? Ent�o o feliz
desenvelvedor ter� coseguido um monop�lio de forma clara e limpa, at� que
algu�m t�o inteligente quanto ele consiga abrir uma concorr�ncia. Note que o
problema das patentes de software � crucial neste quesito, pois se bem
arquitetada, uma patende pode restringir a escolha do cidad�o impedindo
justamente a confec��o de um software concorrente (um outro paradigma
monopolista).
> O grande apelo do software livre � que o usu�rio passa a ter de novo o controle
> de seu ambiente de inform�tica.
MAS N�O DE GRA�A!!! Sempre vai existir o quesito pre�o (software gratuito tbm
tem um pre�o, apenas n�o � expresso de forma pecuni�ria).
> O dia que isso deixar de existir no software livre, o software deixar� de ser
> livre e eu caio fora na hora.
Vc est� confundindo os conceitos.
(Software Livre) != (Software Gr�tis) != (Abstra��o das leis do mercado)
[...]
> > N�o � bem o termo usado que questiono, mas a abrang�ncia do coment�rio.
> > Podemos at� discutir a forma, a est�tica, da inform�tica nos dias de hoje, mas
> > eu creio que n�o o uso. A inform�tica, como aspecto humano, est� causando
> > revolu��es desde a inven��o do Compact Disk (revolu��o comparada � da inven��o
> > do Walkman, como vc gosta - e com raz�o - de exemplicar nos nossos papos).
>
> O CD foi inventado antes do lan�amento da interface gr�fica em 84. Portanto a
> ind�stria ainda est� em coma.
Vc est� se repetindo... Eu j� concordei com vc em rela��o � ind�stria (com
restri��es). Mas n�o concordo em extender a cr�tica de forma indiscriminada.
Al�m do mais, vc est� assumindo (de forma err�na, na minha opini�o) que a
idade de uma tecnologia � fato determinante para a sua obsolesc�ncia, quando
n�o �. Por este pensamento, a roda seria a inven��o mais obsoleta do mundo
(n�o incluo fogo porque o fogo n�o � uma inven��o da humanidade, � um fen�meno
da natureza).
N�o � porque a m�dia mais utilizada hoje tem quase 20 anos de idade que ela �
obsoleta. A obsolesc�ncia � decretada pelos usu�rios, como foi feito com a TV
em preto & branco (eu tinha uns 5 anos quando houve a transi��o - eu assisti
Saramandaia e o Bem Amado em primeira m�o!!) e o disco de vinil, e est� sendo
feito gradativamente com a fita K-7 e com o VHS.
Neste meio tempo, vieram entre outros o falecido Disco Laser (que revolucionou
a ind�stria do entretenimento eletr�nico, vide Dragon's Lare) e o DVD.
--
[]s,
Pink
Quote of week:
The day Micro$oft makes something that doesn't suck is the day they start
selling vacuum cleaners.
Assinantes em 27/05/2001: 2297
Mensagens recebidas desde 07/01/1999: 115349
Historico e [des]cadastramento: http://linux-br.conectiva.com.br
Assuntos administrativos e problemas com a lista:
mailto:[EMAIL PROTECTED]