Edgard Lemos wrote:
>
> Em s�b, 26 mai 2001, Lisias Toledo escreveu:
[...]
> > Este � um ponto de vista muito focado no aparato t�cnico. Inform�tica � muito
> > mais que meros computadores.[...]
> > O MP3 (que por sinal foi desenvolvido por uma empresa comercial alem�, da qual
[...]
> MP3 � uma inova��o para ind�stria fonogr�fica e n�o da computa��o em si. O
> computador PC continua o mesmo, com as mesmas interfaces, as mesmas IRQs, I/0,
> o mesmo chip, disco r�gido, etc. etc. etc. Nada mudou muito daquela �poca para
> c�.
E faz alguma diferen�a se o micro � baseado em IRQs, I/O, sil�cio, alum�nio ou
telepatia?
O autom�vel continua praticamente o mesmo desde Ford : quatro rodas, motor �
combust�o interna, dire��o, acelerador e freio (embreagem nem sempre), e nem
por isso se acusa a ind�stria automobil�stica de marasmo.
Al�m disto, sendo o MP3 implaus�vel sem alguma forma de computador para dar
suporte, � inova��o de computador sim.
Hardware sem software n�o passa de peso de pap�is. Software sem hardware n�o
passa de abstra��o. Tentar enchergar um sem o outro s� � �til para t�cnicos,
n�o para os usu�rios finais. Em alguns casos, chega a se tornar imposs�vel
para o usu�rio diferenciar um do outro.
> Por outro lado, a Internet, a Web, os protocolos, servi�os, servidores e
> padr�es que a comp�em foram todos concebidos e gerados no ambiente de software
> livre.
Mas isto n�o emociona o usu�rio. O que interessa para o usu�rio � o CHAT, a
p�gina web com informa��es relevantes ou divers�o, o email.
N�s, daqui de dentro, temos uma vis�o clara de todo o processo, mas n�o
mandamos nada. Quem manda s�o os usu�rios, � o ponto de vista deles que temos
que levar em considera��o.
> E rel�gio de pulso com Linux tem sim, senhor.
Eu sei, o rel�gio que toca mp3 roda debaixo de linux. Mas eu n�o queria falar
de linux. Falava de interface gr�fica. Eu escrevi uma coisa querendo dizer
outra, desculpe.
Linux n�o � uma revolu��o por si mesmo. Linux � uma *ferramenta*. Estou
falando de paradigmas (interface gr�fica, neste contexto), n�o de t�cnicas ou
ferramentas (o uso do Linux).
[...]
> > Eles n�o est�o errados, o Negroponte j� anda por a� berrando isto desde a
> > d�cada passada. Mas mesmo assim, eles est�o desconsiderando o lado humano na
> > situa��o. Inform�tica � mais que computadores.
>
> Voc� deveria escrever ao Negroponte mostrando isso.
Talvez, mas eu n�o sei se o nicho do Negroponte � o usu�rio final... Me parece
que ele t� mais preocupado em mudar a vis�o do lado de dentro. Muito do que eu
digo � eco das palavras dele, mas eu tendo a privilegiar o ponto de vista do
usu�rio final - afinal, � a grana dele que sustenta esta tralha toda!
Mas n�o posso emitir uma opini�o muito fundamentada sobre este cara, pois
tenho lido muito pouca coisa dele desde que o mil�nio virou pela primeira
vez...
> > > A �nica coisa que poderia resgatar a ind�strias desse marasmo � justamente o
> > > software livre.
> >
> > Nisto aqui eles est�o certos. Mas n�o 100%. O SOftware Livre vai resgatar
> > sobretudo a ind�stria de hardware, que voltar� a ter liberdade de ousar sem se
> > preocupar se o produto vai ser homologado pela Microsoft ou n�o.
> >
> > A ind�stria de software (salvo alguns mercados cativos, como jogos) vai passar
> > por um mau peda�o at� se adaptar e aprender a ganhar dinheiro no novo
> > paradigma.
>
> Se a ind�stria de software, segundo suas palavras, vai ter de aprender e se
> adaptar para ganhar dinheiro no novo paradigma, n�o � ela que vai ter de sair
> do marasmo?
Hummm... ta�. Acabei falando a mesma coisa sem perceber... 8-)
> > Open Source � competi��o aberta, descarada e sem armas secretas. � muito
> > dif�cil ganhar (muito) dinheiro neste ambiente.
>
> Errado. Open Source � COLABORA��O aberta, descarada e sem armas secretas. �
> dif�cil ganhar dinheiro nesse ambiente porque a COLABORA��O inibe a cria��o de
> segredos para que empresas possam cobrar pelo privil�gio.
Errado de novo. Open source � colabora��o, mas acima de tudo, competi��o. A
competi��o n�o est� clara ainda, porque o movimento esta ganhando momentum
agora. Mas vai acontecer.
Participei (como ouvinte - lurker, comos os gringos preferem) de alguns
projetos open source, e a competi��o � aberta e descarada. Mas � uma
competi��o sadia e leal (ao menos por enquanto). Se compete pela supremacia de
suas id�ias (o objetivo de toda discuss�o, impor seu ponto de vista ou ser
convencido de que ele � errado), pela aten��o dos colaboradores (ou eles se
mandam para outro projeto), pela aten��o da m�dia (ou ningu�m usa o software),
competi��o pelos recursos mais desejados ou �teis (para convencer o usu�rio a
migrar). Neste contexto, vc n�o pode impor sua vontade por for�a de sal�rio...
A colabora��o inibe a cria��o de segredos porque cada empresa passa a depender
da infra-estrutura da outra. O que vai ocorrer � que a competi��o se dar� em
n�veis mais elevados, como funcionalidade e efici�ncia, e n�o mais nos n�veis
inferiores, na t�cnica e na implementa��o (que � o modelo de "competi��o" que
temos hoje em dia).
� poss�vel colaborar e competir. Estes s�o conceitos acima da ci�ncia da
computa��o, sendo um exemplo pr�tico e vis�vel os esportes "de a��o". Li uma
mat�ria sobre o rally Paris-Dacar impressionante neste sentido.
> E isso � bom. Porque quem realmente est� ganhando (at� mesmo dinheiro) �
> usu�rio e isso � pura democracia.
Se quem realmente ganha � o usu�rio, o que ser� de n�s, desenvolvedores? Pra
mim, isto n�o � democracia. � ditadura do proletariado, digo, do
usuarialato... Lembra um pouco a Revolu��o Francesa...
O usu�rio n�o deve ganhar, ele deve INVESTIR. Ele deve pagar pelo software o
pre�o justo, e usufruir de forma justa de seu usufruto. Quem deve ganhar � o
desenvolvedor, porque � dele o trabalho de manter o software em condi��es de
uso.
> > Mas lembre-se que ele ainda deve estar magoado com a derrocada da NeXT
> > (confesso que eu tamb�m). A absor��o da NeXT pela Apple n�o deve ser um
> > consolo muito grande, j� que o que ele planejava (e eu torcia) era justamente
> > o contr�rio.
>
> N�o acho que seja por isso.
Mas que isto deve influenciar, deve. Influencia a mim, que n�o torrei nenhum
centavo na empreitada...
Embora eu tenha uma certa tend�ncia de favorecer o Steve Wozniac (mesmo com as
escorregadas que ele andou dando na Real - se � que era ele mesmo, de repente
era um xar�), ele sempre foi mais focado na t�cnica que no uso, enquanto o
Steve Jobs era o cara que inventava o que fazer com as tralhas que o Woz
constru�a. O Jobs era, realmente, a alma da Apple (mesmo quando fazia
lamban�a).
> O que ele disse � um fato percebido por todo mundo. S� que ele usou a palavra
> coma, que eu acho bem adequado.
N�o � bem o termo usado que questiono, mas a abrang�ncia do coment�rio.
Podemos at� discutir a forma, a est�tica, da inform�tica nos dias de hoje, mas
eu creio que n�o o uso. A inform�tica, como aspecto humano, est� causando
revolu��es desde a inven��o do Compact Disk (revolu��o comparada � da inven��o
do Walkman, como vc gosta - e com raz�o - de exemplicar nos nossos papos).
Para mim, isto est� longe de ser chamado coma.
--
[]s,
Pink
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