Caramba Hudson! Que resposta sensacional! Estou absolutamente de acordo contigo. Acho que você devia dedicar um tempo e escrever uns artigos também :-)
Sobre o rise-up comento em outro tópico. -- Anahuac de Paula Gil KyaPanel - http://www.kyapanel.com KyaHosting - http://www.kyahosting.com Software Público Com Br - http://www.softwarepublico.com.br Twitter: @anahuacpg Diaspora: https://joindiaspora.com/i/53b9c6ee9de7 ----- Mensagem original ----- > De: "Hudson Flavio Meneses Lacerda" <[email protected]> > Para: "PSL-Brasil" <[email protected]> > Enviadas: Domingo, 9 de junho de 2013 22:39:42 > Assunto: [SPAM] Re: [PSL-Brasil] MiniCom capturado pelas TELES... Eleições > para o CGI.br ... mobilização imediata!!! > > Omar Kaminski wrote: > > E se as ferramentas de monitoramento estiverem colocadas nos backbones > > ou nos provedores, deixar de usar a internet? > > Oi Omar, > > Eu não teria muita dificuldade em fazer isso. Nenhuma tecnologia é > imprescindível -- exceto na área médica. > > Mas há, na sua pergunta, um otimismo exagerado, provalvemente apenas > retórico: "e se...?" As ferramentas de monitoramento de fato *estão* nos > principais centros de dados. Já é sabido que a NSA instalou centros de > monitoramento ao lado de clusters e coleções de servidores de Google e > Amazon. A internet não é muito descentralizada. O que as grandes redes > sociais e mega agregadores de informação têm de especial é que a > mineração dos dados é muito mais fácil, pois elas já têm tudo pronto > para isso. > > A questão é que apenas sair desses ambientes monitorados o quanto for > possível não é eficar para combater a vigilância e abusos. > > Na sessão de perguntas de uma de suas palestras, alguém perguntou ao RMS > se não seria mais eficiente usar o Facebook como meio de divulgação de > software livre e em outras campanhas (pois é lá que se encontra muita > gente), ao invés de descartar completamente seu uso e acabar atingindo > um público menor. A resposta do Stallman foi (aproximadamente nestes > termos) que não se trata de um jogo contra um adversário, mas de uma > guerra contra um inimigo -- e não se deve colaborar com o inimigo. > > Então, é preciso pensar em alternativas de resistência, mesmo que > implique se expor ao inimigo (e ía eu citaria novamente o texto do > Stallman sobre compromissos ruinosos, em que há que avaliar as > conseqüências das ações), correndo o risco de contribuir com o inimigo > de alguma forma -- até repito a comparação com luta armada, vejo o > dilema (como escreveu o Patola) com um grau de gravidade muito alto. > > O que não dá, e nisso concordo com o Anahuac, é usar esses desserviços > sem fazer um estardalhaço de alerta s outras pessoas, senão fica > parecendo que, por exemplo, se inscrever como um "target" do Facebook é > algo aceitável, afinal o/a ativista fulano/a também tem uma conta lá. > (Pra quem não sabe, o Facebook representa internamente suas vítimas, > digo, usuários ou signatários, como "targets" -- alvos.) > > Quanto aos provedores, sim, são um problema. Meus firewalls (em série) > são configurados para não passar nada dos servidores de google e > facebook (entre outros), por causa de sítios que contêm scripts daquelas > empresas. Mas de vez em quando elas acrescentam algum IP novo e > conseguem furar o bloqueio (aparentemente os scripts conseguem detectar > as falhas de conexão), e isso aconteceu na semana passada. O que achei > curioso é que o google estava usando não um servidor dos EUA, mas um da > Telemar. > > Para reduzir a bisbilhotagem, algumas sugestões que devem ser amplamente > difundidas são: > > 1- O uso de HTTPS e conexões encriptadas sempre que possível, por > exemplo, através do plugin "HTTPS Everywhere" para > Firefox/Iceweasel/Iececat/TorBrowserBundle; > > 2- O uso de ofuscadores de conexão como Tor (com as devidas precauções, > conforme as características desses recursos); > > 3- Criptografia de ponta a ponta com GPG, que poderia ser mais usada em > correio eletrônico. Isso é algo que eu gostaria de fazer, mas que por > não ser simples o suficiente, acaba desestimulando seu uso. > > 4- SSH, TLS, StartTLS e outros métodos de criptografia que podem reduzir > ou impedir a bisbilhotagem. Configurar o cliente de correio eletrônico > para usar conexão encriptada. > > 5- Redes sem fio abertas, ou, melhor dito, de usuários múltiplos e > anônimos. Li que, infelizmente, certos provedores de acesso como GVT > impõem, nos contratos de adesão, multas de cerca de 10 mil reais em caso > de "aluguel", "sublocação", etc. o que pode dar margem a proibir que os > usuários deixem suas redes sem fio abertas. Uma observação é que redes > sem fio "abertas" ("unsecured", sem senha) podem ser realmente > inseguras, mas há a possibilidade de usar criptografia com senha > pública, o que já dá uma boa segurança. Nos EUA existe o movimento > OpenWireless.Org , que é um bom exemplo de campanha a se reproduzir por > aqui. Devemos lutar para manter o direito de compartilhar nosso acesso a > internet com quem quisermos. (Um minuto, para eu religar o rádio... > Pronto, estou de volta.) > > Espero que os colegas tenham outras sugestões. > > (Aliás, ainda aproveitando a questão e fazendo um comentário ao texto > recente do Anahuac, em que ele sugere o RiseUp.net como alternativa ao > GMail: para o vigilantismo do governo dos EUA não adianta muito, porque > o RiseUp -- criado por pessoas do Ocupy Wall Streeet -- fica nos EUA e, > portanto, está sujeito tratorada da ditatura de lá. O que ele reduz é > o acesso direto e mastigado que haveria com o uso dos grandes serviços > de correio-e feitos para monitorar. O uso do StartTLS também é algum > atrativo, comparado aos correios tradicionais que não têm criptografia > absolutamente nenhuma. O que precisamos é de criar "RiseUps" no Brasil, > na América Latina, mantidos com dinheiro nosso e sem nenhuma relação com > empresa dos EUA, para ficar fora da ingerência imediata do Grande Irmão.) > > > > > E se há cada vez mais câmeras de vigilância nas cidades, deixar de > > sair nas ruas? > > > > E se as empresas cada vez mais vigiam os que os funcionários fazem, > > deixar de ir trabalhar? > > O importante é rejeitar o quanto possível esse monitoramento, lutar > contra ele. Não aceitá-lo passivamente. Não dar a entender nem por um > minuto que ele seja aceitável. Nos contextos em que for possível, sim, > evitá-los -- pode não ser eficiente de maneira direta, mas por uma > questão de princípio e de conscientização. Ou ainda para dizer, tal como > os palestinos sitiados, que a um gato engaiolado resta-lhe pelo menos > mostrar as garras. > > Até mais, > Hudson > _______________________________________________ > psl-brasil mailing list > [email protected] > http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-brasil > Regras da lista: > http://wiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil > SAIR DA LISTA ou trocar a senha: > http://listas.softwarelivre.org/mailman/options/psl-brasil > _______________________________________________ psl-brasil mailing list [email protected] http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-brasil Regras da lista: http://wiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil SAIR DA LISTA ou trocar a senha: http://listas.softwarelivre.org/mailman/options/psl-brasil
