2013/6/8 Hudson Flavio Meneses Lacerda <[email protected]> > Porém, há vários problemas que ameaçam os direitos humanos através de > meios tecnológicos, e esses problemas estão ficando gravíssimos. Ainda não > sei exatamente como agir, mas, como eu disse, não acho inadmissível que se > usem aquelas redes sociais perversas (Facebook), desde que seja incluindo > como meta tirar outras pessoas de lá -- e sair dela o quanto antes. Estou > pensando primeiramente em atividades presenciais, pra não ter que entrar > nesses ambientes -- outras pessoas que já estão neles poderiam reverberar > informações.
Nem todo mundo se sensibiliza pela causa das liberdades de softwares e direitos digitais, infelizmente. Algumas, provavelmente, por não conseguirem ver com clareza as consequências dessas causas. Então, nessas horas, mais que apelar para longínquos princípios incompreensíveis para a maioria das pessoas, mais vale apontar problemas práticos mais próximos ao cotidiano delas. E nesse sentido, o pessoal do Facebook tem "colaborado", tornando-o cada vez menos usável; além de interface irritante e carregada, ultimamente, para capitalizar (ou no jargão atual anglicista: "monetizar"), eles criaram os assim chamados "post promovidos", em que você faz micropagamentos para que seu post chegue ao mural de todos os seus contatos. A consequência disso é que se você *não* paga, seu post só é visto por uns gatos pingados. Mas as pessoas *querem* uma rede social. Não adianta. Então como até agora o Google Plus tem sido menos censurador e menos "caça-níqueis" que o Facebook, tenho chamado as pessoas para lá. Eu mesmo fiquei muito dependente da funcionalidade de uma rede social. Consegui contatos preciosos, e informações que têm me enriquecido muito. Não é muito legal a situação em que nos encontramos, mas acho que meio que >> inevitável. Quem ganha algum poder acaba o usando pra algo. E o poder de >> agregação de comunidades é algo muito potente. >> >> Você vê nisso algo similar ao uso temporário de Unix pelo RMS para > iniciar o GNU? Ou como motins no interior de uma prisão perpétua? > Minha visão é pessimista, acho que está mais pro lado da prisão perpétua. Vejo a funcionalidade de rede social como inevitável (as pessoas querem) e vejo como únicos controladores eficientes delas empresas privadas como Facebook e Google. Eu também meio que não sei "pra onde ir", visto que, concordo, o Google tem tomada atitudes abertamente malignas ultimamente. :( Ah, Netflix: é um serviço de streaming de vídeo que funciona de modo parecido a uma televisão a cabo, com bastante conteúdo - inclusive conteúdo original da própria empresa - e assinatura mensal barata. Tem tomado a internet de assalto e erodido de forma bastante violenta o lucro das operadoras de tevê a cabo. As pessoas vêem Netflix como uma "alforria" da tevê a cabo, sem perceberem que estão entrando em uma prisão talvez até maior (ainda que mais barata) que envolve o sequestro de seus computadores para fazer operações que são contra o seu interesse (o DRM). Isso é inclusive algo que ninguém menos que Bruce Perens disse numa entrevista não-tão-recente[1]. O usuário não-técnico, ou mesmo desligado de tendências e ideologias, tem rejeição ao discurso das liberdades de software e direitos digitais porque lhe parece algo que confrontará outras "liberdades" que a indústria lhe deu. Para nós, um iPhone é um dispositivo o mais fechado e ultrajante possível, mas com ele veio, para este usuário, uma facilidade imprecedente, uma "liberdade" da complicação técnica e "feitiços inextrincáveis" antes acessíveis apenas a aqueles nerds de óculos sem habilidades sociais. Algo cheio de DRM, patentes, segredos industriais, EULAs draconianos e demais desrespeitos pode ainda assim parecer brilhantemente liberador para uma pessoa comum, e de certo modo, é. Nosso discurso deveria mudar para abordar isso. [1] http://news.slashdot.org/story/12/11/05/0122238/bruce-perens-answers-your-questions -- Cláudio "Patola" Sampaio IRC: ptl - Yahoo: patolaaa Campinas, SP - Brazil.
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