Ricardo L. A. Banffy escreveu:
Hudson Lacerda wrote:
Se as "limitações impostas" pelo TSE são tais que resultam em trabalho
mal feito -- apesar do trabalho sério de alguns, não vejo porquê esses
alguns deveriam se colocar/sentir no alvo das críticas. Saia do meio
do fogo cruzado e deixe as setas ferirem o TSE.
Não é um trabalho mal-feito. A urna tem vários mecanismos, internos e
externos, para assegurar que tudo acontece de acordo com o processo
definido pelo TSE. Se o processo for seguido (violações de lacre, por
exemplo, não fazem parte dele) elas são boas o bastante.
É mal-feito porque mal-projetado, ou projetado de forma a desrespeitar a
Constituição, as Leis, os candidatos e os eleitores, não importa quanto
esforço e boas intenções tenham sido empenhados na *eficiência* de
alguma parcela do sistema -- como na escrita de parte do software.
http://www.votoseguro.org/textos/tres2.htm
http://br.groups.yahoo.com/group/votoseguro/message/2786
Poderiam existir explosivos fotossensíveis que inutilizassem a urna em caso de
violação. Tornariam as urnas praticamente invioláveis, mas nem por isso
é uma boa idéia.
Aí entra a distinção daquele historiador que citei antes (link mais
abaixo), distinção entre *eficiência* e *segurança* , acrescentando a
cautela de que, como diz Pedro Rezende, deve-se especificar segurança
*de* quê ou quem *contra* o quê ou quem.
http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/trabs/u-e-auditoria.html
Há problemas no projeto, como a ineficácia do processo de autenticação
(criptografia), em que a máquina a ser fiscalizada é quem, na verdade,
checa o fiscal, o software verificador é executado pelo ambiente a ser
verificado, e os lacres físicos, no caso das eleições 2006, são ruins a
ponto de se soltarem sozinhos.
Você sabia que os fiscais de partido (e de entidades como a OAB e o MP),
durante a "auditoria" dos softwares eleitorais, são forçados pelo TSE a
violar as normas de segurança da ICP, colocando em risco suas chaves
privadas e ainda carregando todas as responsabilidades pelas
conseqüências do desrespeito às normas?
Há textos que abordam esse problema, como este:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/arquivos/pdt06-protesto1.pdf
Seria melhor que o processo todo fosse mais transparente, mas isso, de
novo, escapa ao escopo da urna em si.
A urna-e é um retrato e uma prova dos malefícios do "nosso" sistema
eleitoral totalitário. Além disso, é a urna-e única parte do sistema a
que faz parte da experiência direta do eleitor.
[...]
Enquanto não produzirem alguma prova, estão apenas produzindo ruído.
Ao combater a urna e não combater o acúmulo de responsabilidades do
TSE estão apenas gerando mais barulho, criando uma distração,
prejudicando a credibilidade de quem de fato sabe do que está falando
e evitando que se enfrente o verdadeiro problema.
Uma coisa não exclui a outra.
Exclui sim. Ao atacar a frente errada estamos criando uma distração, que
serve de gancho para mais desinformação (dos dois lados do debate). Esse
não é o melhor jeito.
Eu poderia concordar no que se refere à divulgação, às prioridades de
propaganda. Mas o Fórum do Voto Seguro coleta e divulga todos os
documentos relativos à segurança do voto eletrônico a que pode ter
acesso, incluindo, é claro, relatórios técnicos resultantes da
participação de representantes técnicos no processo eleitoral.
Os membros do Fórum do Voto Seguro combatem ambos: o acúmulo de
poderes do TSE e a inadequação técnica das urnas eletrônicas. Se você
se der o trabalho de visitar o sítio do fórum, verá que o ruído (p.ex.
dizer que combate-se só a urna-e) é produzido em outro lugar:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/pl5057-alves.htm
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/indice.htm#resumo
http://www.votoseguro.org/textos/projetoslei.htm
http://www.votoseguro.org/
Juro que vou. Fiquei bem-impressionado com os materiais que você listou
antes - é um contraste marcante com o que eu já ouvi e li.
Sugiro a você e outros interessados participar das discussões sobre o
assunto:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/forum.htm
[...]
Veja, por exemplo, como o historiador Pedro Eduardo Portilho de Nader,
denuncia *obscurantismo no discurso oficial*, analisando o que é dito
e o que não é dito pelos representantes da Justiça Eleitoral:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=404IPB006
O artigo é bom, mas há uma diferença entre não mencionado e
intencionalmente omitido. É preciso tomar cuidado e lembrar que há essa
diferença.
[...]
Acontece que aquilo "não mencionado" não é expresso nem mesmo quando
solicitado explicitamente. Mas vou deixar para você mesmo chegar a essa
constatação à medida em que puder ler documentos publicados na mídia e
no Fórum do Voto Seguro.
Digo apenas que a confiabilidade e segurança do voto eletrônico é *tabu*
na Justiça Eleitoral, conforme pode-se constatar acompanhando os fatos e
documentos sobre o assunto, como o anúncio oficial do resultado do 2o.
turno presidencial 2006, em que soube-se que "Alckmin não poderia mais
alcançar os votos para se eleger".
Uma jornalista venezuelana fez uma pergunta ao presidente do TSE sobre a
urna-e brasileira (comparandoa com a urna-e da Venezuela) e,
imediamente, a transmissão do evento foi interrompida na TV Band, com
direito a deboche dos apresentadores da Band contra a colega de
profissão. Enquanto isso, fora do ar, o Ministro Mello espinafrava a
jornalista por falta de "respeito às instituições pátrias". Há milhares
de toneladas de falácias no discurso oficial.
Coincidência ou não, o fato é que as eleições na Venezuela são mais
confiáveis que as do Brasil, devido às características das urna-e lá
utilizadas, que possibilitam recontagem dos votos.
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/venezuela1.htm
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Hudson Lacerda
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