Caro Walter e demais redistas:
Meus dois pitacos:

(1) Do lado do prestador do servico:
Todo servico tem um Custo Marginal,  como US$ / Gb ano
Servico eterno e ilimitado com custo marginal Zero eh um contrasenso.
Ademais, quem Nada paga, Nada pode legalmente demandar.
(ou pode muito pouco, na condicao de mendigo habitual frustrado)
Isto eh, o prestador do servico tem pouquissima responsabilidade legal.

(2) Do lado do usuarios do servico:
Um recurso gratuito, ilimitado e eterno eh um convite  ao abuso!
> Quando vemos recursos naturais, como agua ou oxigenio,
desta forma (eterna e infinitamente disponiveis a custo zero )
provocamos desastres ecologicos monumentais...

Resumo:
> Quando a esmola eh muita, o santo desconfia (ou deveria).

Alerta:
> Criar e manter internamente a estrutura de hardware e
software para manter estes servicos esta alem da capacidade
da grande maioria das universidades (no Brasil ou no mundo).
> Terceirizar o servico a custo real teria (ou tera) um impacto
importante no orcamento da maioria das universidades.

Tudo de bom,  ---Julio Stern


________________________________
From: logica-l@dimap.ufrn.br <logica-l@dimap.ufrn.br> on behalf of Walter 
Carnielli <walte...@unicamp.br>
Sent: Sunday, May 22, 2022 10:53 PM
To: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA 
<logica-l@dimap.ufrn.br>
Subject: [Logica-l] [OF TOPIC] Universidades brasileiras reféns do Google

The Intercept Brasil

*_Quanto custa o gratuito?_*
Sábado, 21 de maio de 2022 - The Intercept Brasil

*Como universidades brasileiras se tornaram reféns do Google.*
Daqui a dois meses, milhares e milhares de arquivos de universidades 
brasileiras podem correr risco. O Google passará a limitar o armazenamento do 
Google Workspace for Education, pacote de programas fornecidos gratuitamente a 
universidades e escolas, a partir de julho deste ano.

O pacote educacional do Google, propagandeado pela empresa como
"super seguro e de graça", reúne Gmail, Meet, Drive, aplicativo de planilhas e 
outras ferramentas. Era oferecido a instituições de ensino no Brasil de forma 
agressiva desde 2014, apresentado como uma alternativa altamente tecnológica, 
simples e, sobretudo, ilimitada.

Várias universidades sucumbiram ao canto da sereia e adotaram com entusiasmo as 
ferramentas da gigante do Vale do Silício. Tecnologia gratuita, confiável, que 
poderia ser adotada sem licitação, modernizando as instituições. Parecia bom 
demais.

O Google garantia que seu pacote faria as universidades economizarem com 
tecnologia da informação. A USP chegou a anunciar uma economia de R$ 6 milhões 
ao ano.  Na Universidade Federal de São João Del Rei, a adoção do pacote do 
Google foi saudada como uma "nova etapa". Na Universidade Estadual do Pará, 
como uma "inovação".

Mas a lua-de-mel acabou.

Em fevereiro do ano passado, o Google decidiu que o armazenamento "ilimitado" 
passaria a ter limites. A partir de julho, as instituições terão direito a 
apenas 100 TB de armazenamento, cada. Parece muito para nós, usuários 
individuais, mas estamos falando de muitos anos de produção acadêmica e de uma 
quantidade monumental de documentos, vídeos, PDFs, e-mails, planilhas, 
apresentações, teses, dissertações, livros digitais, arquivos de pesquisas etc. 
Qual a solução? Se uma universidade precisar de mais espaço, vai precisar 
comprar – e do Google, se quiser manter as ferramentas atualmente em uso.

Só na Universidade Federal de Juiz de Fora, a UFJF, por exemplo, a comunidade 
universitária usa 700 TB de dados – sim, sete vezes mais do que o Google vai 
oferecer gratuitamente. Então, o professor Paulo Vilela, do departamento de 
engenharia da universidade, resolveu recorrer ao Procon contra a empresa.

"Vários usuários, se quiserem manter o que já têm armazenado no Google, terão 
que pagar pelo uso do armazenamento adicional", ele explicou ao Intercept. O 
professor também diz que a empresa entrou nas universidades sem licitação 
porque oferecia um serviço gratuito. Agora que passará a cobrar, será preciso 
submeter o fornecimento das tecnologias à licitação pública. E isso, com toda a 
demora, pode prejudicar o funcionamento das universidades.

Nós lemos a resposta do Google ao Procon de Juiz de Fora. Ela é puro suco de 
cinismo corporativo: a empresa diz que, por exemplo, as instituições 
concordaram com os termos de uso do produto, que preveem “atualizações 
comercialmente viáveis nos serviços periodicamente” mediante informação 
prévia ao usuário. Também diz que o contrato "estipulou a possibilidade de a 
Google descontinuar qualquer serviço do produto ou funcionalidade relevante 
associada a ele", desde que comunicados com 12 meses de antecedência.

Segundo a manifestação de seis advogados da empresa, "o Google também não 
contrariou sua oferta inicial, pois, enquanto o contrato previa a utilização 
do produto de forma gratuita e ilimitada, nada foi exigido dos usuários do 
Workspace. E a comunicação prévia sobre a alteração do produto, em 
especial quanto ao armazenamento, permite ao usuário refletir sobre suas 
necessidades para uma eventual contratação de espaço extra, ou mesmo para 
migrar para outra plataforma, se assim preferir".
De fato, no contrato com a USP, por exemplo, o Google diz que "poderá fazer 
alterações comercialmente razoáveis nos serviços de tempos em tempos. Se 
houver alterações materiais, a Google informará a USP, desde que a USP tenha 
se cadastrado para ser informada pela Google sobre tais alterações".

Se é verdade que os caudalosos termos de serviço traziam as más notícias, 
também é fato que o Google não mencionou o assunto quando fez alarde sobre suas 
"boas ações". As universidades acreditaram na boa intenção da big tech e agora 
pagam um preço por isso.

Como apontaram os pesquisadores Henrique Parra, Leonardo Cruz, Tel Amiel e 
Jorge Machado num artigo de 2018, a promessa do Google se cumpriu: as 
universidades deixaram de gastar com as ferramentas, mas também deixaram de 
investir em tecnologia. Por isso, se tornaram dependentes da gigante americana.

No artigo, os pesquisadores elencaram vários problemas na adoção das 
tecnologias do Google: falta de soberania tecnológica, coleta indiscriminada de 
informações e possível uso dos dados para publicidade, algo que a empresa jura 
não fazer, apesar de constituir a base de seu modelo de negócios. Eles também 
previram o problema que surge agora, afirmando que os convênios não eram claros 
sobre o prazo de vigência da oferta gratuita. "Afirma-se que os serviços da 
Google são oferecidos gratuitamente para as universidades. Mas quanto vale o 
gratuito?", questionaram.

Agora, já sabemos a resposta.

Tatiana Dias
Editora Sênior

Paulo Victor Ribeiro
Repórter

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