Olá Walter,

Obrigado por compartilhar o texto! É bom ser informado logo do colapso
iminente da infraestrutura digital da universidade que habito, e digo
isso honestamente.

Olá colegas,

Felizmente, posso dizer que não serei pessoalmente afetado por qualquer
eventual consequência dessa mudança, já que desde a transição da USP ao
uso de produtos da Google, me esforcei para usar essas plataformas
somente quando obrigado por normas internas. Não posso dizer o mesmo de
muitos colegas, no entanto.

O fato é que esse tipo de manobra só não é mais manjado do que é
previsivel o fato de que instituições e pessoas continuam caindo nessas
armadilhas.

Não sei o quanto estou ensinando a missa ao padre, mas vale reiterar: é
por isso que o uso de software livre não é apenas uma questão monetária,
mas sim ética e estratégica. Eu estenderia isso mais além: não só é
imperativo que, se não todas as pessoas, pelo menos as instituições
públicas usem somente software livre, também é necessário buscar usar
apenas padrões livres de dados (não, nada de .xls) e tecnologias que
sigam padrões públicos e bem estabelecidos! O momento em que os dados da
universidade estão numa base de dados de formato proprietário é o
momento em que ela perde a capacidade de migra-lo facilmente, e portanto
perde sua autonomia – e a constituição que se cale.

Rogo aos excelentíssimos professores que leem e se põe de acordo, não
obstante possivelmente já o terem feito, que se oponham ruidosamente à
adoção oficial de padrões proprietários na tecnologia de informação de
seus respectivos institutos.

Precisamos preservar a ciência.

Walter Carnielli [2022-05-22 19:53]:
> The Intercept Brasil
> 
> QUANTO CUSTA O GRATUITO?
> Sábado, 21 de maio de 2022
> 
> *Como universidades brasileiras se tornaram reféns do Google.*
> Daqui a dois meses, milhares e milhares de arquivos de universidades
> brasileiras podem correr risco. O Google passará a limitar o armazenamento
> do Google Workspace for Education, pacote de programas fornecidos
> gratuitamente a universidades e escolas, a partir de julho deste ano.
> 
> O pacote educacional do Google, propagandeado pela empresa como
> "super seguro e de graça", reúne Gmail, Meet, Drive, aplicativo de
> planilhas e outras ferramentas. Era oferecido a instituições de ensino no
> Brasil de forma agressiva desde 2014, apresentado como uma alternativa
> altamente tecnológica, simples e, sobretudo, ilimitada.
> 
> Várias universidades sucumbiram ao canto da sereia e adotaram com
> entusiasmo as ferramentas da gigante do Vale do Silício. Tecnologia
> gratuita, confiável, que poderia ser adotada sem licitação, modernizando as
> instituições. Parecia bom demais.
> 
> O Google garantia que seu pacote faria as universidades economizarem com
> tecnologia da informação. A USP chegou a anunciar uma economia de R$ 6
> milhões ao ano.  Na Universidade Federal de São João Del Rei, a adoção do
> pacote do Google foi saudada como uma "nova etapa". Na Universidade
> Estadual do Pará, como uma "inovação".
> 
> Mas a lua-de-mel acabou.
> 
> Em fevereiro do ano passado, o Google decidiu que o armazenamento
> "ilimitado" passaria a ter limites. A partir de julho, as instituições
> terão direito a apenas 100 TB de armazenamento, cada. Parece muito para
> nós, usuários individuais, mas estamos falando de muitos anos de produção
> acadêmica e de uma quantidade monumental de documentos, vídeos, PDFs,
> e-mails, planilhas, apresentações, teses, dissertações, livros digitais,
> arquivos de pesquisas etc. Qual a solução? Se uma universidade precisar de
> mais espaço, vai precisar comprar – e do Google, se quiser manter as
> ferramentas atualmente em uso.
> 
> Só na Universidade Federal de Juiz de Fora, a UFJF, por exemplo, a
> comunidade universitária usa 700 TB de dados – sim, sete vezes mais do que
> o Google vai oferecer gratuitamente. Então, o professor Paulo Vilela, do
> departamento de engenharia da universidade, resolveu recorrer ao Procon
> contra a empresa.
> 
> "Vários usuários, se quiserem manter o que já têm armazenado no Google,
> terão que pagar pelo uso do armazenamento adicional", ele explicou ao
> Intercept. O professor também diz que a empresa entrou nas universidades
> sem licitação porque oferecia um serviço gratuito. Agora que passará a
> cobrar, será preciso submeter o fornecimento das tecnologias à licitação
> pública. E isso, com toda a demora, pode prejudicar o funcionamento das
> universidades.
> 
> Nós lemos a resposta do Google ao Procon de Juiz de Fora. Ela é puro suco
> de cinismo corporativo: a empresa diz que, por exemplo, as instituições
> concordaram com os termos de uso do produto, que preveem “atualizações
> comercialmente viáveis nos serviços periodicamente” mediante informação
> prévia ao usuário. Também diz que o contrato "estipulou a possibilidade
> de a Google descontinuar qualquer serviço do produto ou funcionalidade
> relevante associada a ele", desde que comunicados com 12 meses de
> antecedência.
> 
> Segundo a manifestação de seis advogados da empresa, "o Google também não
> contrariou sua oferta inicial, pois, enquanto o contrato previa a
> utilização do produto de forma gratuita e ilimitada, nada foi exigido dos
> usuários do Workspace. E a comunicação prévia sobre a alteração do
> produto, em especial quanto ao armazenamento, permite ao usuário refletir
> sobre suas necessidades para uma eventual contratação de espaço extra,
> ou mesmo para migrar para outra plataforma, se assim preferir".
> De fato, no contrato com a USP, por exemplo, o Google diz que "poderá
> fazer alterações comercialmente razoáveis nos serviços de tempos em
> tempos. Se houver alterações materiais, a Google informará a USP, desde
> que a USP tenha se cadastrado para ser informada pela Google sobre tais
> alterações".
> 
> Se é verdade que os caudalosos termos de serviço traziam as más notícias,
> também é fato que o Google não mencionou o assunto quando fez alarde sobre
> suas "boas ações". As universidades acreditaram na boa intenção da big tech
> e agora pagam um preço por isso.
> 
> Como apontaram os pesquisadores Henrique Parra, Leonardo Cruz, Tel Amiel e
> Jorge Machado num artigo de 2018, a promessa do Google se cumpriu: as
> universidades deixaram de gastar com as ferramentas, mas também deixaram de
> investir em tecnologia. Por isso, se tornaram dependentes da gigante
> americana.
> 
> No artigo, os pesquisadores elencaram vários problemas na adoção das
> tecnologias do Google: falta de soberania tecnológica, coleta
> indiscriminada de informações e possível uso dos dados para publicidade,
> algo que a empresa jura não fazer, apesar de constituir a base de seu
> modelo de negócios. Eles também previram o problema que surge agora,
> afirmando que os convênios não eram claros sobre o prazo de vigência da
> oferta gratuita. "Afirma-se que os serviços da Google são oferecidos
> gratuitamente para as universidades. Mas quanto vale o gratuito?",
> questionaram.
> 
> Agora, já sabemos a resposta.
> 
> Tatiana Dias
> Editora Sênior
> 
> Paulo Victor Ribeiro
> Repórter

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Juan
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