Viva, JY:

> do  Arnon Avron,
> foi publicado ha pouco na Logica Universalis
> https://link.springer.com/article/10.1007/s11787-020-00254-1
>
> Com foi mostrado num artigo anterior
> não ha logicas paraconsistentes trivalentes  auto-extensionais que tem uma 
> implicação:
> A.Avron and J.-Y.Beziau, “Self-extensional three-valued paraconsistent logics 
> have no implication”, Logic Journal of the IGPL, Volume 25, Issue 2 (April 
> 2017), pp.183-194.
> https://academic.oup.com/jigpal/article-abstract/25/2/183/2739325/Self-extensional-three-valued-paraconsistent?redirectedFrom=fulltext
>
> Neste novo  artigo o Arnon mostra que é possivel ter uma logica 
> paraconistente quadri-valorada auto-extensional com uma implicação,

Não apenas isso, vale apontar que Avron mostrou que há uma ÚNICA
implicação que serve a este propósito.

> respondendo a uma pergunta que eu tinha feito par ele quando estava em Tel 
> Aviv trabalhando com ele em 2016 no ambito  do projeto GeTFun.
> Acredito que esta nova logica parasonsistente (extensao da lógica de 
> Dunn-Belnap) é uma das melhores que foi descoberta até hoje.
>
> Tenho intenção de publicar um artigo apresentando uma semantica bivalorade 
> para esta nova lógica DBA (Dunn-Belnap-Avron), como eu fiz para a logica do 
> Dunn-Belnap:
> J.-Y.Béziau, “Bivalent semantics for De Morgan logic (the uselessness of 
> four-valuedness)", in W.A.Carnielli, M.E.Coniglio, I.M.L.D'Ottaviano (eds), 
> The many sides of logic, College Publication, London, 2009, pp.391-402.
> https://www.jyb-logic.org/papers/morgan.pdf
> é um exercicio trivial usando o teorema que eu provei na minha tese de 
> doutrado establecededno relações entre regras de sequentes e bivalorações, 
> que foi publicado no artigo:
> J.-Y.Béziau, “Sequents and bivaluations”, Logique et Analyse, 44 (2001), 
> pp.373-394.
> https://www.jyb-logic.org/seqbiv.pdf

De fato, JY, a semântica bivalente para a lógica proposta por Avron,
como extensão para a lógica 4-valorada de Dunn-Belnap, é muito fácil
de definir.  Basta acrescentar à semântica bivalente da lógica de De
Morgan (usando a negação como "separador", usado na receita mencionada
na digressão abaixo) as seguintes cláusulas para a implicação:

b(\alpha\to\beta) = T  iff  b(\alpha) = F or b(\beta) = T
b(\sim(\alpha\to\beta)) = F  iff  b(\sim\alpha) = T and b(\beta) = F

Problema resolvido, então. :-b

%%%

DIGRESSÃO

Vale recordar que hoje conhecemos mecanismos inteiramente automáticos
para fornecer apresentações bivalentes para _qualquer_ lógica
finito-valorada.  Aos interessados:
https://sites.google.com/site/sequiturquodlibet/home/the-suszkian-odyssey
A receita _mais geral_ pode ser encontrada no paper "Bivalent
semantics, generalized compositionality and analytic classic-like
tableaux for finite-valued logics".

A dita receita foi aplicada, de fato, a uma extensão da lógica de
Dunn-Belnap (e da "lógica de De Morgan") no paper "The value of the
two values".

Ainda, com relação ao problema de encontrar lógicas paraconsistentes
"auto-extensionais", isto é, para as quais podemos demonstrar o
teorema de substitutividade ("replacement"), vale notar que _toda_
lógica modal normal é auto-extensional e pode ser apresentada como uma
lógica paraconsistente.  Vide, em particular, o paper "Nearly every
normal modal logic is paranormal", ou outros papers que publicamos
sobre "negative modalities" (que tratam não apenas do fenômeno da
paraconsistência, mas também da paracompletude).  Há infinitos
soluções para o dito problema, portanto: UMA destas é a lógica Z
estudada por Béziau (ou por Batens, com o nome A), que se trata de uma
reformulação de S5.  Vale notar que a euclidianidade acaba validando
uma forma fraca de explosão: o conjunto de fórmulas
\{\alpha,\neg\alpha\} é de fato insatisfatível sempre que \alpha é ela
própria uma fórmula negada (isto é, da forma \neg\beta, para algum
\beta).

A propósito, a lógica de Dunn-Belnap (estendida agora com a dita
implicação) também tem uma semântica modal interessante...

Recentemente Coniglio & Carnielli divulgaram nesta lista um paper que
estuda uma extensão _mínima_ da lógica mbC que possui a mencionada
propriedade de auto-extensionalidade.  Vale notar que todas as lógicas
modais normais já mencionadas podem ser vistas como extensões de mbC,
numa linguagem com o operador de consistência interpretado modalmente.
Observo que tal interpretação modal do operador de consistência foi
usada também no estudo de um certo operador de *essencialidade*
(classicamente oposto ao operador de *acidentalidade*), no paper
"Logics of Essence and Accident" (sem negações paraconsistentes).

Todos os papers mencionados nesta digressão podem ser encontrados
online a partir da minha página (ou via Google Scholar).

%%%

Take care,
Joao Marcos


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http://sequiturquodlibet.googlepages.com/

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