Caros João Marcos e Hermógenes.

Muito obrigado pela clarificação. O que o Hermógenes aponta vai na direção
de elucidar as diferenças.  A prova de [Turing 1936] sobre a existência de
nũmeros não computáveis, esboçada pelo João, realmente demonstra que "Nem
todo número real é computável".

Em lógica clássica, isso equivale a existência de números-não computáveis,
mas em lógica intuicionista essa equivalência não vale.  E isso independe
de qual vertente do intuicionismo está se falando.

Portanto a existência de números não computáveis não é um teorema
intuicionista, só deve (pode?) ser um teorema o fato de que nem todo número
real é computável, uma vez que não se pode apresentar recursivamente um tal
número.

[]s

Marcelo




2016-10-12 8:32 GMT-03:00 Hermógenes Oliveira <
hermogenes.olive...@student.uni-tuebingen.de>:

> Marcelo Finger <marcelo.fin...@gmail.com> escreveu:
>
> > Como seria uma prova construtiva do resultado de Turing sobre a
> > existência de números (reais) não computáveis?
> >
> > A prova clássica é fortemente não construtiva e não apresenta um tal
> > número. E nem poderia apresentar pois se houvesse um algoritmo que o
> > gerasse, o número seria construtivo.
> >
> > Mas uma prova construtiva deveria apresentar um tal número. Mas como?
> > Fico com a impressão de que este resultado não é provável na lógica
> > intuicionista.
>
> Superficialmente, isto é, no âmbito puramente lógico, a demonstração
> intuicionista mostraria que nem todos os números reais são computáveis
> (¬∀x C(x), x ∈ ℝ) o que, intuicionisticamente, *não* é equivalente a
> mostrar que existem números reais não computáveis (∃x ¬C(x), x ∈ ℝ).
>
> No âmbito matemático mais fino, contudo, deve-se atentar ainda para a
> presença de noções baseadas em definições intuicionisticamente
> inadimissíveis.  Assim, a noção de número real intuicionista não
> coincide com a noção de número real clássica, na medida em que podem
> haver definições e especificações clássicas de números reais que não são
> admissíveis para um intuicionista.  De fato, é na análise real que as
> peculiaridades da matemática intuicionista se revelam com maior vigor.
>
> Porém, eu suspeito que a noção *clássica* de número real não seja
> essencial ao argumento de Turing.  Não sei exatamente a qual trabalho de
> Turing você se refere, mas presumo que esteja se referindo ao artigo
> clássico de 1936.  Ali, se não me falha a memória, Turing mostra que as
> sequências e números computáveis são enumeráveis.  Bem, como os números
> reais não são enumeráveis, segue que nem todos os números reais são
> computáveis, isto é, classicamente, existem números reais não
> computáveis.  Do ponto de vista intuicionista, a última parte, incluindo
> o apelo ao resultado de Cantor sobre a não enumerabilidade dos números
> reais, *pode* ser problemática.  Mas o argumento de Turing que mostra a
> enumerabilidade dos números computáveis me parece em ordem.
>
> Ademais, intuicionistas normalmente não possuem reservas quanto à
> argumentos diagonais.  Porém, como lembrou o João Marcos, sentimentos
> podem variar dentro da grande família construtivista: finitistas,
> predicativistas e etc. podem ter lá suas desconfianças.
>
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> Hermógenes Oliveira
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 Marcelo Finger
 Departament of Computer Science, IME
 University of Sao Paulo
 http://www.ime.usp.br/~mfinger

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