> O que estou propondo, muito provavelmente também de modo ingênuo :) , é que
> a noção de verdade não precisa (embora possa) adequar-se a certas restrições
> de efetividade que a noção de demonstrabilidade precisa.

Confesso que não sinto segurança para afirmar o quanto a noção de
"efetividade" seria importante nestas tarefas...  Mas eu arriscaria
perguntar antes ao pessoal que trabalha especificamente com
_complexidade computacional_ o que eles acham sobre isto!

>> Penso que aqui há um equívoco, ligado a nossa discussão anterior.  As
>> *regras sintáticas de boa-formação* são em geral _completamente
>> diferentes_ das *regras de inferência* que você associa a suas
>> expressões bem-formadas.
>
> Elas não são tão diferentes assim. Ambas são regras de manipulação
> simbólica. Pense na noção de fórmulas como tipos (o isomorfismo
> Curry-Howard). O que de um lado do isomorfismo envolve regras de boa
> formação e regras de inferência, do outro lado envolve somente regras de boa
> formação, de termos e de tipos. Uma prova torna-se um lambda-termo
> gramaticalmente (ou sintaticamente) bem formado.

É um exemplo interessante, mas que eu acredito poder ser melhor
explicado (a sintaxe de um sistema pode ser o formalismo dedutivo de
outro, ou vice-versa --- vide "inferência de tipos")...

Bom, mas para não repetir simplesmente um exemplo que já dei antes
sobre a diferença entre regras sintáticas e regras de um sistema
formal dedutivo, prefiro simplesmente apontar para as duas seguintes
seções do _excelente_ verbete sobre "Natural Deduction" na Wikipedia:

http://en.wikipedia.org/wiki/Natural_deduction#Judgments_and_propositions

http://en.wikipedia.org/wiki/Natural_deduction#Introduction_and_elimination

Note-se como os meta-predicados "true" e "prop" são de fato bem
diferentes, em geral.

Esta é, de todo modo, uma distinção básica para compreender como a
"proof-theoretic semantics" faz o trabalho que deveria fazer.  Mas eu
não deveria estar me arriscando a dizer isso para você, que sabe
obviamente muito mais do assunto do que eu! ;-)

>> Conheço zilhões de sistemas lógicos que não foram originalmente
>> propostos baseados em qualquer tipo de noção de "consequência formal"
>> e que tiveram sua noção de consequência originalmente definida, ao
>> invés, por meios "semânticos" ou "algébricos".  Mais ainda, muitos
>> destes sistemas são extremamente úteis e bem motivados, e jamais
>> possuíram qualquer um sistema dedutivo formal minimamente decente
>> associado (por exemplo, foram axiomatizados à la Hilbert, ou nem foram
>> axiomatizados, ou nem são recursivamente axiomatizáveis).
>
> Bem, mas nenhum destes "zilhoes de sistemas lógicos" é um sistema formal. E
> eu falei de sistemas formais. Estes sistemas são cálculos, estruturas
> algébricas,... Se eu tivesse uma índole reformista eu poderia, talvez sem
> razão, me empenhar em proibir o uso da palavra lógica quando aplicada a
> estes sistemas sem sintaxe bem definida. Mas não farei isso. Aceito que eles
> são lógicas, mas eles não são sistemas formais.

Os sistemas podem ter "sintaxe" muito bem definida, mas terem suas
definições de consequência subjacentes apresentadas de maneira
absolutamente _precisa_ e "efetiva" usando estratégias que você muito
provavelmente não identificaria como "formalismos dedutivos"...

>> Bom, há aparentemente sistemas de "consequência formal" que incluem
>> regras infinitárias...  Há especialistas no assunto, nesta lista.
>
> Aqui eu confesso que o caráter meramente especulativo do que disse sobre a
> ininteligibilidade de sentenças infinitas é ainda maior. Baseado apenas em
> rasa intuição. Opiniões mais fundamentadas seriam ótimas.

Espere: falávamos em regras com um conjunto infinito de premissas ou
em sentenças de comprimento infinito?

JM

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