> Acho que uma boa razão para a manutenção da distinção entre consequência
> sintática e semântica é o tamanho do conjunto de suposições. Uma conclusão
> que necessita de um conjunto infinito de premissas para ser obtida, a meu
> ver só pode ser consequência semântica destas premissas, jamais consequência
> sintática. O que acham?

Daniel, vou preferir responder sem tocar no ponto das regras-ômega,
que você aparentemente acredita só se justificarem semanticamente,
pois isso escapa ao ponto que eu pretendia discutir inicialmente.

Provavelmente não fui claro nas minhas mensagens anteriores.  *Não*
proponho abolir a "distinção entre consequência sintática e
semântica".  Afinal, o que defendo é que *não existe* "consequência
sintática" em Lógica.  A terminologia simplesmente _não faz sentido_.

A noção de *consequência lógica*, em suas múltiplas facetas, se define
a partir de um sistema lógico formal no qual se pretende determinar
"o-quê-segue-de-quê".  Há várias formas alternativas de se concretizar
uma tal noção: usando um formalismo dedutivo formal; fixando um
conjunto de interpretações possíveis para a linguagem; definindo uma
relação de ordem a partir das operações de uma certa álgebra; usw.

Há uma noção de consequência lógica bem conhecida associada a _cada_
sistema formal e a _cada_ formalismo dedutivo, seja ele dedução
natural, cálculo de sequentes, axiomáticas hilbertianas, tableaux,
o-que-você-quiser.  Há ainda uma noção de consequência lógica
associada a _cada_ semântica (pensada como um conjunto seleto de
funções de interpretação) dada.  Haverá ainda outras.  Pululam noções
de consequência lógica em Teoria das Demonstrações (proof-theory,
proof-theoretic semantics) e em Teoria dos Modelos / Semântica Formal.
 NÃO HÁ uma noção de consequência lógica óbvia definível a partir da
mera escolha de uma linguagem, de uma sintaxe, haja visto o fato de o
mesmo conjunto de "sentenças" poder dar origem a muitas noções
concorrentes e discordantes de "consequência lógica".

Quando eu fiz minha formação inicial em Lógica eu também ouvi falar em
"consequência sintática" e li livros antigos que usavam esta
terminologia.  Hoje percebo claramente que é uma má, uma péssima
terminologia.  Não vejo sentido assim em escrever novos livros /
artigos usando tal terminologia.  Talvez você ou algum colega nunca
tenha parado para pensar nisso, e faça por isso uso da terminologia
ruim sem nenhuma maldade.  Por isso mesmo acreditei que seria
interessante levantar publicamente a questão.

Você pode entender o que eu estou dizendo como uma espécie de
"campanha".  Nunca desisti do business de mudar o mundo. :-)  Mas
também ainda não vi ninguém me mostrar que esta se trata de uma
campanha equivocada.

* * *

Respondendo à mensagem anterior do Walter, não faço ideia da duração
que terá a discussão sobre esse tópico.  Será provavelmente breve, já
que o histórico da lista no que diz respeito a "discussões
terminológicas" tem mostrado que a maior parte dos membros prefere
ignorar estas questões, ou reage com agressividade a elas.  No
entanto, não deixo de acreditar que algumas questões terminológicas
refletem sérias e relevantes incompreensões conceituais, que merecem
por isso ser debatidas.  E também continuo achando que é _nossa
tarefa_, como pesquisadores, a de lutar por *fixar uma terminologia
coerente* na nossa língua nativa, ou em qualquer outra.

Entre as vantagens de uma boa terminologia está a de maximizar a
eficácia da nossa comunicação.

Abraços,
Joao Marcos

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