Outra coisa: uma maneira de se definir a forma interseção numa 4-variedade é
descrever certa classe de campos eletromagnéticos (os campos-teste) no
espaçotempo (a 4-variedade). Ou seja, a intuição física ajuda no raciocínio
matemático.

(Detalhe técnico: os campos eletromagnéticos teste determinam o segundo
grupo de cohomologia de de Rham da 4-variedade.)

Meu ponto: aqui acaba o argumento de que ``matemática é tautologia,'' ou é
``auxiliar metodológico.'' Pois o que nos guia na prova é a intuição física.

(O mesmo acontece com as chamadas variáveis de ângulo ação, que aparecem nas
condições de quantização de Bohr - e é o que determina o chamado efeito
Aharonov-Bohm, em mecânica quântica. Tudo ligado ao que nos permite
construir a forma interseção.

2010/2/1 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> Vocês me desculpem, mas matemática ***é*** difícil. Passei ontem o dia
> quebrando a cara, tentando entender como se obtem um R4 (plano real, a 4
> dimensões) exótico, isto é, com uma estrutura diferenciável não difeomorfa
> (= equivalente, em transformações diferenciáveis) ao plano R4 usual.
>
> Por que isso é importante para a física? Porque velocidades e acelerações
> são derivadas, e se calculam com as funções diferenciáveis, e suas relações,
> no R4. Se tais estruturas são não equivalentes, a física - cinemática,
> dinâmica, para começar - é outra. As implicações para a física em si - e
> para um estudo dos fundamentos da física - são enormes.
>
> Vou resumir o que entendi.
>
> Parte-se de uma certa variedade lisa (com estrutura diferenciável C
> infinita) e fechada. Logo, compacta. Tais variedades são caracterizadas por
> sua ``forma interseção,'' uma forma bilinear que lhes descreve a geometria
> como uma ``soma conexa'' - pega duas variedades e cola ambas juntas, depois
> de retirar numa e noutra um disco adequado. Basicamente, é isso.
>
> A soma dos termos na forma interseção descreve então a soma conexa de
> pedaços na variedade que escolhemos. Podemos tirar um pedaço da soma conexa
> e ainda assim termos uma variedade diferenciável? (Porque há variedades
> topológicas a 4 dimensões que não admitem estruturas diferenciáveis.)
> Tenta-se de um modo específico: um argumento é desenvolvido, que leva a uma
> contradição, no qual se mostram duas coisas: (a) o pedaço remanescente é,
> topologicamente, o R4. E (b) não pode ser difeomorfo ao R4.
>
> O pons asinorum da prova são dois teoremas cabeludíssimos, o teorema de
> Rokhlin e o teorema de Donaldson (este lhe deu a Medalha Fields), com os
> quais lemos na forma interseção, se as variedades associadas são
> diferenciáveis ou não.
>
> Não é fácil. Quebrei ontem a cara com isso, e continuo quebrando a cara
> hoje.
>
>
>
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