Vocês me desculpem, mas matemática ***é*** difícil. Passei ontem o dia
quebrando a cara, tentando entender como se obtem um R4 (plano real, a 4
dimensões) exótico, isto é, com uma estrutura diferenciável não difeomorfa
(= equivalente, em transformações diferenciáveis) ao plano R4 usual.

Por que isso é importante para a física? Porque velocidades e acelerações
são derivadas, e se calculam com as funções diferenciáveis, e suas relações,
no R4. Se tais estruturas são não equivalentes, a física - cinemática,
dinâmica, para começar - é outra. As implicações para a física em si - e
para um estudo dos fundamentos da física - são enormes.

Vou resumir o que entendi.

Parte-se de uma certa variedade lisa (com estrutura diferenciável C
infinita) e fechada. Logo, compacta. Tais variedades são caracterizadas por
sua ``forma interseção,'' uma forma bilinear que lhes descreve a geometria
como uma ``soma conexa'' - pega duas variedades e cola ambas juntas, depois
de retirar numa e noutra um disco adequado. Basicamente, é isso.

A soma dos termos na forma interseção descreve então a soma conexa de
pedaços na variedade que escolhemos. Podemos tirar um pedaço da soma conexa
e ainda assim termos uma variedade diferenciável? (Porque há variedades
topológicas a 4 dimensões que não admitem estruturas diferenciáveis.)
Tenta-se de um modo específico: um argumento é desenvolvido, que leva a uma
contradição, no qual se mostram duas coisas: (a) o pedaço remanescente é,
topologicamente, o R4. E (b) não pode ser difeomorfo ao R4.

O pons asinorum da prova são dois teoremas cabeludíssimos, o teorema de
Rokhlin e o teorema de Donaldson (este lhe deu a Medalha Fields), com os
quais lemos na forma interseção, se as variedades associadas são
diferenciáveis ou não.

Não é fácil. Quebrei ontem a cara com isso, e continuo quebrando a cara
hoje.
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