Ola Franscisco,

  O verao nao esta quente o suficiente ?  Em vez de ventilador questoes
exoticas ?
   Voce esta mexendo  com os R4 exoticos GRANDES.
  Existem dois teoremas fundamentais para chegarmos a este teoremas

(1) *Teorema do Freedman (1980-81)*:  Toda forma bilinear $Q:ZxZ -> Z$,
(Z=inteiros) simetrica, unimodular (det(Q)=1), pode ser realizada como a
forma de intersecao de uma 4-variedade  topologica, fechada, simplesmente
conexa.

o teorema classico do Whitehead-Wall afirma que duas 4-variedades fechadas,
simplesmente conexas e com mesma forma de intersecao sao h-cobordantes,
consequetemente
homotopicas.

Naquela epoca, havia a seguinte questao: a 4-variedade K3 tem forma de
interseca Q=-2E(8)+3H, onde E(*) e a forma dassociado as raies do grupo de
Lie excepcional e He a forma de intersecao de S^2 x S^2. O K3 pode ser
escrito como soma conexa de duas 4-variedades ? (uma delas seria a copia de
3 somas conexas S^2 x S^2.
Decorre do Teorema do Freedman que SIM, pode  porque existe uma 4-variedade
com forma -2 E(8).
O Teorema do Rohlin afirma que SE a forma de intersecao de uma 4-variedade
diferenciavel, fechada é spin (Q(a,a) é par p/qualquer a), entao o INDICE de
Q e multiplo de 16 !!!
Junto com o teorma do Freedman chegamos a seguinte conslusao: a variedade
representando a forma Q=E(8) nao pode ser diferenciavel, pois e spin e o
indice dela e 8. ENTAO existem espacos que nao sao diferenciaveis !!!!!!!

Mas  -2E(8) tem indice 16. Entao ele pode ser a forma de intersecao de uma
4-variedade  diferenciavel ? (certamente, nao contradiziria o teorema do
Rohlin)
Ai surgiu o teorma do Donaldson

*Donaldosn (1981):* Seja Q a forma de intersecao de uma 4-variedade,
fechada, diferenciavel e simplesmente conexa. Se Q for negativa definida
(Q(a,a)<0, para todo a),  entao Q e equivalente sobre os inteiros a matriz
identidade. (o teorma pode ser enunciado para positiva definida)

Acontece que -2E(8) e negativa definida e CERTAMENTE nao e equivalente sobre
os interios a matriz identidade.

juntando os cacos: (i) existe uma variedade topologica X com forma de
intersecao -2E(8) (Freedman)  (ii) esta variedade nao pode ser diferenciavel
(Donaldson),
(iii) K3 e a soma conexa de X com 3 copias da soma conexa de S^2 x S^2
--->   K3 = X#3(S^2 x S^2).

 Para realizarmos a soma conexa K3 = X#3(S^2 x S^2), e preciso retirar um
disco D^4 de 3(S^2 x S^2) e outro de  X, se este disco fosse o disco
standard, difeormorfo ao R^4 standard, nao teria porque X nao ser
diferenciavel, mas Não é ! Entao este disco nao pode ser o standard
.....ADIVINHA ! trata-se de um eles, o mais antigo ! O R^4 exotico.
 Mas observem o seguinte, a soma conexa e realizada ao longo do bordo S^3, o
qual nao pode ser um S^3 de boa cepa, senao bastaria colar um disco D^4
standard ao longo dele para obter uma estrutura diferenciavel sobre X.
Portanto, este S^3 que vive tambem em 3(S^2 x S^2) tem que bordar um disco
exotico em 3(S^2 x S^2). Moral da historia: o R^4 exotico vive dentro da
4-variedade diferenciavel 3(S^2 x S^2). E possivel mostrar que el mora em
CP^2, exercicio !
Ate hoje, pouco se sabe sobre esta classe de R^4 exoticos.

 Agora liguem o ventilador !

 Abraços,

  Celso


2010/2/1 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> Vocês me desculpem, mas matemática ***é*** difícil. Passei ontem o dia
> quebrando a cara, tentando entender como se obtem um R4 (plano real, a 4
> dimensões) exótico, isto é, com uma estrutura diferenciável não difeomorfa
> (= equivalente, em transformações diferenciáveis) ao plano R4 usual.
>
> Por que isso é importante para a física? Porque velocidades e acelerações
> são derivadas, e se calculam com as funções diferenciáveis, e suas relações,
> no R4. Se tais estruturas são não equivalentes, a física - cinemática,
> dinâmica, para começar - é outra. As implicações para a física em si - e
> para um estudo dos fundamentos da física - são enormes.
>
> Vou resumir o que entendi.
>
> Parte-se de uma certa variedade lisa (com estrutura diferenciável C
> infinita) e fechada. Logo, compacta. Tais variedades são caracterizadas por
> sua ``forma interseção,'' uma forma bilinear que lhes descreve a geometria
> como uma ``soma conexa'' - pega duas variedades e cola ambas juntas, depois
> de retirar numa e noutra um disco adequado. Basicamente, é isso.
>
> A soma dos termos na forma interseção descreve então a soma conexa de
> pedaços na variedade que escolhemos. Podemos tirar um pedaço da soma conexa
> e ainda assim termos uma variedade diferenciável? (Porque há variedades
> topológicas a 4 dimensões que não admitem estruturas diferenciáveis.)
> Tenta-se de um modo específico: um argumento é desenvolvido, que leva a uma
> contradição, no qual se mostram duas coisas: (a) o pedaço remanescente é,
> topologicamente, o R4. E (b) não pode ser difeomorfo ao R4.
>
> O pons asinorum da prova são dois teoremas cabeludíssimos, o teorema de
> Rokhlin e o teorema de Donaldson (este lhe deu a Medalha Fields), com os
> quais lemos na forma interseção, se as variedades associadas são
> diferenciáveis ou não.
>
> Não é fácil. Quebrei ontem a cara com isso, e continuo quebrando a cara
> hoje.
>
>
>


-- 
Dr. Celso Melchiades Doria
UFSC, Depto de Matematica
Campus Universitario, Trindade
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Brasil
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