Incompletabilidade é horrível, anticonstitucionalissimamente horrível.
Prefiro incompletude. Ou, sistema incompleto. Manqué, talvez...

2009/8/12 Decio Krause <[email protected]>

> Prezado RicardoVi em um cartaz que vocês estão organizando um evento sobre
> Piaget na UNESP e você está no meio. Eu sempre gostei de ler Piaget, mas não
> faço isso há tempos. No entanto, há uma questão que me incomoda e que como
> não sou especialista, não sei responder; talvez você ou outra pessoa da
> lista possa responder.
> Seguinte: Piaget tem a tese da "construção" conceito de objeto pela
> criança. O meu interesse é que Schrödinger tem idéias semelhantes para o
> modo como nós "elaboramos" a realidade. Só que, me parece, para Piaget essa
> construção, que é feita por meio de certos "invariantes", pressupõe que
> esses são inatos, e seriam, por assim dizer, imutáveis (algo meio
> kantiano?). Para Schrödinger, pelo menos como eu o vejo, isso também é
> assim, só que esses "invartiantes" podem mudar em função da evolucão, da
> cultura, etc.
> Sabe de algo a respeito? Para Piaget são mesmo hirtos, não mudam?
> Abraço,
> Décio
> PS. Claro que posso ser mais preciso, mas para bom entendedor....
>
>
> _____________________________
> Décio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause <http://www.cfh.ufsc.br/%7Edkrause>
>
> "People complain that our generation has no philosophers. Quite unjustly:
> it is merely that today's philosophers sit in another department, their
> names are Planck and Einstein." (C. Seelig, 1952,  apud E. Scheibe 2001).
>
>
> Em 11/08/2009, às 13:41, Ricardo Pereira Tassinari escreveu:
>
> Olá a todos.
>
> Começando pela sugestão do Jõao Marcos de usar "demonstr" ao invés de
> "prov", eu aprovo! Tenho tentado manter sempre (já tinha ouvido o Jairo
> falar sobre isso e acabei adotando), apesar de sempre acabar usando "Teoria
> da Prova" e não "Teoria da Demonstração".
>
> Quanto à incompletude, foi bem lembrado os dois tipos:
>
> Sintática: se existe uma fórmula A tal que nem A nem ~A são demonstráveis
> no sistema;
> Semântica: se existe uma fórmula válida que não é teorema do sistema (tem
> também a versão forte: existe uma fórmula A e um conjunto de fórmulas C tal
> que A é conseqüência semântica de C, mas A não é deduzida no sistema a
> partir de C).
>
> Quanto ao termo "incompletabilidade" sugerido pelo João, ou incompletável,
> tem-se que ver se é no sentido sintático ou semântico. No caso do Teorema de
> Gödel, é semântico (em relação ao Modelo Padrão ou outro isomorfo).
> Não me é claro que é impossível encontrar uma extensão de certas teorias
> aritméticas axiomáticas que seja sintaticamente completa (mas é claro que
> essa extensão não será mais correta em relação ao Modelo Padrão).
>
> De qualquer modo, acho boa a noção de "incompletabilidade".
>
> Bem, eu também gosto do termo Metademonstração quando se trata de uma
> demonstração que não é feito no(s) sistema(s) formal(is) mas sobre esse(s)
> sistema(s).
>
> Ficamos assim com "Primeiro Metateorema do Incompletamento de Gödel"?! ;)
>
> Isso não é um tanto quanto bárbaro? :))
>
> Abraços.
> Ricardo.
>
> 2009/8/10 Bruno Woltzenlogel Paleo <[email protected]>
>
>> Olá,
>>
>> --------------------
>> (1) os teoremas de Gödel
>> São mesmo teoremas de "incompletude"?  Parece que neste caso o próprio
>> Gödel é responsável pela má escolha do termo "incompleteness", em
>> inglês, dando suporte à tradução do seu artigo feita por van
>> Heijenoort.
>> ------------
>>
>> Vale lembrar também que o titulo original do paper foi "Über formal
>> unentscheidbare Sätze der Principia Mathematica und verwandter Systeme I".
>>
>> "Unentscheidbar" traduz-se como "indecidivel"...  Ou seja, nao é possivel
>> 'decidir' "G", no sentido de que nem "G" nem "not G" sao demonstraveis...
>>
>> A partir daí vem uma nocao de completude para teorias. Uma teoria é
>> definida
>> como completa se, para toda sentenca "F", ou "F" ou "not F" pertencem a
>> teoria (i.e. sao "teoremas").
>> Aí fica facil ver como o teorema de Gödel sobre sentencas indecidiveis
>> acaba
>> virando um teorema sobre incompletude de teorias. (nao me lembro se isso
>> já
>> é feito no proprio paper do Gödel, ou se só foi feito depois.)
>>
>> Depois surge uma outra nocao de incompletude um pouco diferente: um
>> calculo
>> de demontracoes (proof calculus) C é completo se e somente se, se uma
>> sentenca "F" é valida, entao existe uma prova de "F" em C.
>> Entao também decorre do teorema de Gödel que nao há um calculo completo
>> com
>> relacao à interpretacao padrao da linguagem da aritmetica. Ou seja,
>> existem
>> sentencas que sao verdadeiras no modelo padrao da Aritmetica, mas que nao
>> sao demonstraveis...  Essa consequencia do teorema de Gödel acabou se
>> popularizando bem mais que o teorema em si... (na epoca do paper do Gödel,
>> essas distincoes entre verdade, demonstrabilidade, decibilidade ainda nem
>> estavam tao claras...)
>>
>>
>> Aproveitando, gostaria de perguntar algo àqueles que entendem de logicas
>> paraconsistentes:
>>
>> O teorema de Gödel pode ser enunciado aproximadamente assim: "nao existe
>> nenhuma teoria T extendendo a teoria minima da aritmetica Q, que seja
>> simultaneamente (recursivamente) axiomatizavel, (omega)-consistente e
>> completa"
>>
>> Como fica isso do ponto de vista paraconsistente? Será que é possivel
>> provar
>> que existe uma teoria paraconsistente T' que seja completa, axiomatizavel,
>> inconsistente, mas 'paraconsistente'? Ou existe uma versao paraconsistente
>> do teorema de Gödel?  Isso já foi discutido em algum paper? Estou viajando
>> demais :-) ?
>>
>>
>> Até...
>>
>> Bruno
>>
>> --------------------------------
>> Bruno Woltzenlogel Paleo
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> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia
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