Caro Paulo Henrique,

>  SE ja tivessemos axiomatizado "o mundo".
>
>
Era disso que eu falava anteriormente. Existem inúmeros fatores não
perceptíveis ao sentidos humanos, ou mesmo inconcebíveis no reino das idéias
que podemos ter, e por isso não temos uma axiomatização do mundo. Os
detalhes que faltam é que impossibilitam trabalharmos certos elementos
observáveis, inclusive, e a matemática é exatamente um modelo teórico de
como o mundo funciona. Tudo o que especificamamos, em basicamente qualquer
contexto, cabe como um modelo matemático, pois é assim que registramos as
coisas:

- Observação de elementos relevantes (Um número finito deles);
- Especificação de pontos comparativos que representem diferentes
"intensidades" de apresentação dessas categorias (Análise);
- Avaliação das idéias e teoretização da interação entre estes (Síntese);
- Documentação e defesa;

Esse é um modelo muito utilizado de projetar / formalizar idéias, e é
intrisecamente algorítmico e lida somente com variáveis discretizadas.
Embora isso seja assunto pra outro momento (E muito interessante, do meu
ponto de vista), coloco essas idéias somente para ilustrar parcialmente
nossos limites quanto à axiomatização do mundo.

Mesmo que o Witt as declare "superstição", acredito que uma dessas forças é
> o desejo da natureza em realizar seu proposito (não tenho como definir este
> tipo de "coisa"), assim esta "ordem" que não sofre alteração pelo desejo
> humano e independe de nosso conhecimento se manifesta em varias situações.
>
>
Eu mesmo acredito em algo desse tipo, mas pra mim é algo que rege o mundo e
está muito além de nossa compreensão, devido ao seu imenso grau de
complexidade. Não falo em termos e crenças religiosos, mas creio que essas
coisas são resultantes da interação entre a energia existente em cada ação,
ambiente, coisa, intenção e forma material ou viva que existe em tal mundo.
É inclusive por isso que desacredito na possibilidade de chegarmos a modelo
determinísticos sobre certos problemas. É possível que o simples fato de
querermos prever seus resultados já alterem o modelo e as interações
envolvidas, ou que sabermos o futuro já o altere drasticamente.


> Com relação a afirmar que uma dada combinação por exemplo 01-02-03-04-05-06
> tem a mesma probabilidade de ser sorteada pois pertence ao "universo de
> combinações" tem argumentos contrarios (não de filosofos) e alguns chegam a
> dizer que quantos mais concursos ocorrem aumenta a chance desta combinação
> ser sorteada
>
>
Isso ocorre pela própria distribuição de probabilidades.
Pensemos em qualquer sequência de números seguidos. Suponha que sorteamos
aqui o número 10.
Dessa forma, temos várias combinações de números que levaria a uma sequencia
de 6 números (independente da ordem do sorteio).
As sequencias de números variam de 05-10 até 10-15. São 6 sequencias
diferentes.

Tendo sorteado o número 10, temos então o seguinte quadro: O número seguinte
precisa ser algum outro do intervalo entre 05 e 15.
Temos, em 49 bolas, 10 possibilidades, ou seja, são 10 probabilidades a
favor destes resultados, contra 39 que se opõem e impossibilitam que
tenhamos todos em sequencia **E isso é só a segunda.**
Agora suponhamos, por bondade, que tenha sido sorteado um vizinho do 10, o
11. Dessa forma, perdemos somente o 05 como número de interesse. Agora,
temos, em 48 bolas, 8 números a favor e 40 contra. Note que esse resultado
considerou a vizinhança do 10 e 11.

De forma geral, se continuarmos sorteando números vizinhos, a distribuição
será:
- 50 a favor (a primeira define quais sequencias valem).
- 10/49 a favor, 39/49 contra.
- 8/49 a favor, 40/49 contra.
- 6/49 a favor, 41/49 contra.
- 4/49 a favor, 42/49 contra.
- 2/49 a favor, 43/49 contra.

A probabilidade de sair uma sequencia é igual a qualquer outro sorteio,
porém, note que o número de não sequencias é muito maior que o das
sequencias. Fora isso, no nosso resultado, temos:
1 - (10*8*6*4*2/ (49^5)) de probabilidade de sair uma sequencia qualquer,
dado que os sorteios favorecem sucessivamente como eu citei.

Esse cálculo é pra dar uma idéia aproximativa. Se formor considerar
adequadamente as distribuições, é muito mais trabalhoso.
O que quero apontar é que a **NATUREZA** segue fora de padrões desse tipo,
pois sua probabilidade de ocorrer é MÍNIMA! Quando consideramos "QUERO
SORTEAR O RESULTADO TAL", isso sim, nos dá uma probabilidade igual a
qualquer outro resultado, e a discussão fugiu para a probabilidade de sair
um resultado bonitinho e padronizado ou mais caótico.

Além disso, o ponto defendido em processos estocásticos que cita que um
evento com probabilidade de 50% de ocorrer ocorre aproximadamente a cada 2
sorteios, vem do fato que o **LIMITE** quando tendemos o número de
sucessivos sorteios ao **INFINITO** é de 1/2. Dessa forma, afirmamos que
quando mais sorteios ocorrem, maior a probabilidade de encontrarmos esses
resultados, pois é verdade que a distribuição dos resultados tende a se
equilibrar, nesse caso da loteria, com resultados em frações iguais tendo
ocorrido, quer dizer, se realmente for um processo estocástico...

Creio que, como o resultado dos jogos não seja realmente sorteado (mas sim a
comparação de habilidades entre os times, e que envolva sorte / política /
psicológico), ficamos mais próximos das análise de mercado de ações, em que,
da mesma forma, não há sorteio, mas apostamos num resultado que temos crença
ser o futuro.
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