Tinha maneiras espertas de fazer o calote sem declará-lo.

2008/10/1 Rafael <[EMAIL PROTECTED]>

> Não discordo dos pontos principais, temos divergências sobre as
> conclusões em cima dos pontos.
>
> A heterodoxia a que menciono, é uma palavra suave, para os que
> pregavam calote, irresponsabilidade fiscal, se esse
> livro valida essas práticas, e prova que funcionam, vou ler sim.
>
>
>
>
>
>
>
> 2008/10/1 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>:
> > Contei o que vi, não o que li nalgum livro. Se quiser, acredite; se não
> > quiser, sei lá...
> >
> > Sobre economia `ortodoxa': a crise de agora mostra bem a validade das
> > teorias `ortodoxas.' E sugiro a você a leitura de um livro sobre o
> mercado
> > livre - Karl Polányi, _The Great Transformation_.
> >
> > (E - bom, tenho alguns trabalhos publicados sobre modelos matemáticos em
> > economia, assunto do qual conheço um pouco.)
> >
> > 2008/10/1 Rafael <[EMAIL PROTECTED]>
> >>
> >> O Palocci  entende pouco  de economia, o Lisboa é que deu as primeiras
> >> aulas para ele, Lula
> >> demorou a escolher o Palocci, e escolheou por falta de opção, era
> >> natural que nas ciências econÕmicas, o PT
> >> não tivesse agregado pessoas com essa competência. Não vamos esquecer,
> >> que era o partido que
> >> pregava o calote, era orgulhosamente contra a lei de responsabilidade
> >> fiscal, entre outras mágicas. Economistas sérios
> >> não tem muita afinidade com essas idéias "heterodoxas".
> >> Palocci não tinha essas habilidades, mas teve a inteligência
> >> suficiente de ter abraçado a agenda perdida
> >> e contratado o Lisboa para tocá-la.Tanto é que itens dessa agenda
> >> foram tocados.  E era um ponto de frear o LUla, em sua fúria
> >> gastadora.  O fato de Delfim ter influência, em um momento de excassez
> >> de
> >> talentos, dos males o menor.
> >>
> >> Quanto a indicação do Meirelles, o ex-presidente dá essa versão da
> >> história no livro dele:
> >>
> >> "Lula venceu Serra no segundo turno, não criei qualquer obstáculo ao
> >> futuro governo, pelo  contrário, mas os mercados só se acalmaram
> >> quando, para surpresa de muitos, o Presidente  eleito e o novo
> >> ministro da Fazenda, o ex-deputado e ex-prefeito de Ribeirão Preto
> >> (SP)  Antônio Pallocci, mostraram claramente que seguiriam o curso
> >> traçado por meu governo. O  primeiro sinal claro seria a designação do
> >> presidente do BC.
> >> Depois de ter tateado várias  hipóteses, inclusive a da manutenção
> >> temporária de Armínio Fraga (defendida, entre outros,  pelo
> >> recém-eleito senador petista pelo DF Cristovam Buarque), terminou por
> >> escolher Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Banco de Boston,
> >> que acabara de se eleger  deputado federal pelo PSDB de Goiás. Uma
> >> bela manhã, Lula, que como Presidente eleito já  se instalara na
> >> Granja do Torto, telefonou-me e disse:
> >> - O presidente do BC vai ser um tucano, seu amigo.
> >> Explicou que seria Meirelles. Em seguida passou o telefone ao próprio
> >> recém-convidado  para dirigir o BC, Felicitei-o mas lembrei:
> >> - Você terá de renunciar ao mandato e se afastar do PSDB. Meirelles me
> >> pareceu surpreso  com a segunda ressalva. Ele de qualquer
> >> maneira teria de renunciar ao mandato. Mesmo assim, indagou:
> >> - Mas preciso também sair do partido?
> >> - Claro - respondi. Parecia-me evidente a resposta, não apenas pela
> >> posição técnica e  neutra, e portanto apartidária, que o presidente do
> >> BC deve manter, como também pelo fato  de que ele passaria a integrar
> >> um governo de um partido adversário do PSDB.
> >> Os mercados começaram a se acalmar, e o Brasil, a preservar a
> >> possibilidade de dias  melhores. Passada a borrasca, em grande medida
> >> provocada pelas apreensões do mercado e  de muita gente com a
> >> perspectiva de o PT ir para o poder, a situação econômico-financeira
> >> desanuviou-se a partir do segundo semestre de 2004. "
> >>
> >>
> >>
> >>  Não nego que havia influências externa e interna para não se colocar
> >> um petista "heterodoxo". A situação estava
> >> ruim, barbeiragem naquele momento poderia ter consequências dramáticas
> >> .A preocupação
> >> com o Brasil era grande,  o próprio Greenspan em sua recente
> >> biografia, faz menção a esse episódio.
> >> Qual era a garantia que o Lula não seria tão ruim quanto os aliados
> >> que ele tanta elogia e apoia , que fizeram
> >> hoje a cúpula do atraso? Hoje o que parece certo, não era tão certo.
> >>
> >> As comodities quadriplicaram, o mundo em expansão precisava de nossas
> >> exportações, ganhamos na loteria e fizemos pouco com
> >> o prêmio.
> >>
> >> abs,
> >> Rafael
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >>
> >> 2008/9/30 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>:
> >> > Olha, eu tava lá e vi o que aconteceu. Se você quiser acreditar, tudo
> >> > bem;
> >> > se não, igualmente ok...
> >> >
> >> > Vou contar outra coisa: o programa econômico do primeiro governo Lula
> >> > veio
> >> > direto do Banco Mundial. Entregue ao Lula pelo Wolfenson em novembro
> de
> >> > 2002, depois da eleição. Sei disso porque tenho dele cópia, na versão
> >> > original, distribuída no CDES para a gente pelo Vinod Thomas, que
> então
> >> > dirigia o Banco aqui no Brasil. Não sei se eles indicaram o Meirelles
> ou
> >> > não, mas - seria compreensível.
> >> >
> >> > O Palocci entende tanto de economia quanto eu de javanês. Um dos gurus
> >> > do
> >> > Lula no primeiro governo foi o Delfim.
> >> >
> >> > 2008/9/30 Rafael <[EMAIL PROTECTED]>
> >> >>
> >> >> Caro listeiros,
> >> >>
> >> >> não entendo muito de lógica, gostaria de aprender ,  mas como vi na
> >> >> mesma frase governo lule e eficiência, vou dar o meu pitaco.
> >> >> O Palocci foi muito importante para a estabilização econômica do
> país.
> >> >> Não devemos esquecer que os tempos eram outros.
> >> >> Os vintes anos de bravatas do Lula e cia, quase quebram o país mesmo
> >> >> antes dele tomar posse, não devemos esquecer daqueles
> >> >> slogans, calote da dívida, entre outros. O dolar foi a 4,00 e o
> >> >> financiamento externo travou, por mais juros que se pagasse.
> >> >> O Lula teve alguns momentos de lucidez, para o banco central, quando
> >> >> era ventilado o Mercadante, foi procurar o Meirelles em outro
> partido.
> >> >> Palocci na falta de plano econômico,  o PT só tinha slogans, pegou a
> >> >> agenda perdida do outro candidato, elaborado pelo Skeiman  , um
> >> >> exclente
> >> >> economista e com a colaboração do Lisboa, e a encontrou, passando a
> >> >> segui-la.
> >> >>
> >> >> Houve avanços no microcrédito,entre outras coisas,   quando estourou
> o
> >> >> mensalão e posteriormente a saida do Palocci, a agenda foi
> abandonada,
> >> >> e as reformas que o Brasil
> >> >> precisava e precisa, foram postas de lado. Lisboa um cara competente,
> >> >> ficou um estranho no ninho, competência não é lá muito apreciada , a
> >> >> qualidade que decide é ser da patota.
> >> >>  O prórpio Lula acabou descobrindo que não precisa governar, o país
> >> >> vai andando, por mais corrupto e mediocre
> >> >> que seja o governo, se a propaganda for boa, é o que importa.
> >> >> Esperemos que um outro governo qualquer que venha, volte a pauta das
> >> >> reformas estruturais necessárias.
> >> >>
> >> >> abs,
> >> >> Rafael
> >> >>
> >> >> Quanto ao desempenho mediocre, comparado a outras economias, vem
> mesmo
> >> >> dessa letargia, ganhamos na loteria, as comodities multiplicaram por
> 4
> >> >> e aproveitamos muito mal
> >> >> esse momento. Por mais propaganda que se faça, a nossa economia ainda
> é
> >> >> frágil.
> >> >>
> >> >> 2008/9/30 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>:
> >> >> > Nada a acrescentar, caro bretão...
> >> >> >
> >> >> > Passei há três semanas por aquele restaurante em Florença no Borgo
> >> >> > de'
> >> >> > SS
> >> >> > Apostoli, onde você me ofereceu aquela bistecca alla fiorentina
> >> >> > espetacular,
> >> >> > que ainda não retribuí. Assisti de novo à missa na igrejinha de' SS
> >> >> > Apostoli, e fotografei de novo os monumentos lá dentro. E, antes de
> >> >> > chegar à
> >> >> > Via Tornabuoni tem uma quitanda onde comprei uma crema ai tartuffi
> >> >> > neri
> >> >> > espetacular...
> >> >> >
> >> >> > Tenho pena de vosmicê, porque comida inglesa - aaaarghhh!!!
> >> >> >
> >> >> > 2008/9/30 Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]>
> >> >> >>
> >> >> >> Caro Doria
> >> >> >> Rendo-me aos seus argumentos e talvez o Lula não seja mesmo tão
> >> >> >> estúpido,
> >> >> >> somente primário, mas eu não gosto dele e nem do PT em geral. Veja
> >> >> >> por
> >> >> >> exemplo o que você disse do Mercadante: são falsos. De dia João,
> de
> >> >> >> noite
> >> >> >> Odete, de microsaia em Brasília, talvez. Cuidado, meu amigo. Vai
> ver
> >> >> >> que o
> >> >> >> porteiro estava rindo porque sabia que era o Mercadante em traje
> de
> >> >> >> gala.
> >> >> >> Com exceção do Tarso, de quem desconfio, os outros ministros
> parece
> >> >> >> que
> >> >> >> são
> >> >> >> de fato decentes, como o Haddad. E, afinal, o Lula está
> >> >> >> surpreendendo
> >> >> >> em
> >> >> >> algumas coisas, mas se olharmos para o irmão dele, para o
> compadre,
> >> >> >> para o
> >> >> >> filho, para a filha e genro, etc., vê-se que ele tem metido a mão
> no
> >> >> >> jarro
> >> >> >> em prol da prole. Mas quanto ao FHC, para nós foi de fato o pior
> de
> >> >> >> todos.
> >> >> >> Quem não lembra do Paulo Renato?
> >> >> >> Partilho a saudade pela Glaci.
> >> >> >> Abraços bretões,
> >> >> >> Décio
> >> >> >> (estou em Oxford)
> >> >> >>
> >> >> >> 2008/9/30 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>
> >> >> >>>
> >> >> >>> Deixa eu dar uma opinião contrária, até porque estive de 2003 a
> >> >> >>> 2006
> >> >> >>> no
> >> >> >>> CDES, convivi com vários ministros e senior officers desse
> governo,
> >> >> >>> e
> >> >> >>> tive
> >> >> >>> muita discussão interna sobre as políticas deles.
> >> >> >>>
> >> >> >>> O Palocci foi um desastre na fazenda. Não sabia o que fazer, e só
> >> >> >>> acumulava superávits primários, restringindo o dinheiro em tudo
> >> >> >>> quanto
> >> >> >>> é
> >> >> >>> canto. Tive, durante seu consulado, uma conversa longa com o
> >> >> >>> Aluisio
> >> >> >>> Mercadante, que representa o grupo do Mantega, e o Aluisio me
> >> >> >>> disse:
> >> >> >>> fecho
> >> >> >>> com o governo em público, mas internamente brigo furiosamente
> para
> >> >> >>> mudar as
> >> >> >>> políticas na economia.
> >> >> >>>
> >> >> >>> O Palocci caiu devido a um incidente menor - queria esconder que
> >> >> >>> transava
> >> >> >>> com putas caras, como acontece com todo mundo em Brasília (caras
> e
> >> >> >>> baratas:
> >> >> >>> uma vez desembarquei na porta de meu hotel, SHS, às onze da
> noite,
> >> >> >>> e
> >> >> >>> fui
> >> >> >>> atacado por um pelotão de adolescentes de microssaias e sandálias
> >> >> >>> de
> >> >> >>> salto
> >> >> >>> agulha, querendo que eu pegasse uma delas e levasse para cima -
> >> >> >>> enquano o
> >> >> >>> porteiro do hotel me olhava, condescendente e achando graça). Mas
> >> >> >>> foi
> >> >> >>> dado,
> >> >> >>> na queda do Palocci, um minigolpe: a política mudou para uma
> >> >> >>> política
> >> >> >>> mais
> >> >> >>> gênero keynesiano, mais ao estilo new deal.
> >> >> >>>
> >> >> >>> Conversei muito sobre isso com o Assis, José Carlos de Assis,
> hoje
> >> >> >>> no
> >> >> >>> BNDES. O Lula deveria implementar uma política gênero Roosevelt.
> >> >> >>> Bolsa-família, aumentos de servidores, crédito fácil para a
> classe
> >> >> >>> média são
> >> >> >>> parte dessa política. E está funcionando.
> >> >> >>>
> >> >> >>> O governo, hoje, tem menos a influência dos sindicalistas - como
> >> >> >>> aqueles
> >> >> >>> todos de nomes esquisitos que deram nos escândalos do primeiro
> >> >> >>> governo
> >> >> >>> - que
> >> >> >>> dos quadros e dos técnicos. Tarso Genro é um ideólogo (tenho um
> >> >> >>> retrato dele
> >> >> >>> abraçado comigo, com Glaci Zancan - saudades... - e com Eros
> Grau)
> >> >> >>> mas
> >> >> >>> é uma
> >> >> >>> pessoa correta, e ouve críticas. Miguel Jorge, um jornalista que
> >> >> >>> fez
> >> >> >>> carreira como administrador de empresas bem sucedido. Fernando
> >> >> >>> Haddad,
> >> >> >>> um
> >> >> >>> quadro administrativo discreto e competente. O Temporão, ótimo
> >> >> >>> sanitarista,
> >> >> >>> com mão de ferro como administrador.
> >> >> >>>
> >> >> >>> Não é um governo de apedeutas, com certeza. E é muito mais
> >> >> >>> eficiente
> >> >> >>> que
> >> >> >>> o governo de FHC, com todas as láureas que esse tenha - um
> governo
> >> >> >>> que
> >> >> >>> estagnou o país. E, que pelo que sei, odiava os professores
> >> >> >>> universitários.
> >> >> >>>
> >>
> >
> >
>
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