On Feb 26, 2009, Ricardo Bánffy <[email protected]> wrote: > Nunca fui acusado de não ser um defensor dos ideais do software livre, > precisamente por defender com unhas e dentes o direito dos seus > autores de disponibilizá-lo sob quaisquer condições que eles desejem,
Mas isso não passa nem perto dos ideais do Software Livre. Os ideais do Software Livre têm a ver com direitos dos usuários. Ao terem esses direitos, podem escolher se tornarem também co-autores, mas podem também escolher permanecer no mero papel de usuários. Mas usuários conscientes de suas liberdades, dispostos a exigi-las e até a fazer alguns sacrifícios por elas, para evitar que elas sejam perdidas por todos, em função da mesquinhez de alguns desenvolvedores. E, só pra deixar claro, não é de GPL nem de copyleft que estou falando. Essas são medidas que autores podem tomar, não para benefício próprio, mas para garantir o respeito das liberdades de *todos* os usuários do software que criam, e somente enquanto a lei lhes conceder esse tipo de poder. Estou falando de algo mais na linha de consumo consciente. Usuários atuando com suas carteiras para promover práticas comerciais decentes e respeitosas, e para extinguir práticas degradantes e aviltosas. > (adoraria ver o ZFS dentro do Linux, por exemplo, mas a escolha da Sun > em usar a GPL3 não deixa). A Sun deixa, sim. Quem não deixou foi o Linus, que fechou em GPLv2, ao invés do mais natural e, por excelentes razões, recomendado GPLv2+. > O que você parece não querer entender, marcelo, é que para que o > copyleft possa subverter os usos inconvenientes do copyright, o > copyright precisa existir. E, quando deixar de existir, ou pelo menos quando deixar de ser prejudicial, não será mais necessário nem copyleft nem licença de direito autoral. Que diferença isso faria pras liberdades dos usuários? Ao contrário do que muitos crêem (por influência do movimento código aberto), copyleft não é o fundamento do Software Livre. De fato, nasceu vários *anos* depois da filosofia, como consequência da obrigação de utilizar uma licença para respeitar as liberdades dos usuários, desrespeitadas pela lei de direito autoral, que o Software fosse Livre para os usuários. Pensando nisso é que surgiu a idéia de ir além do mero respeito às liberdades, e usar o poder conferido pela lei de direito autoral também para impedir o desrespeito às liberdades. Mas, de novo, esse impedimento não é parte da filosofia do Software Livre, é apenas uma ferramenta que seria melhor se não precisássemos usar. > É tão ruim assim pregar o respeito à vontade do autor? É. Qual o sentido de pregar o respeito à vontade apenas daquele que colocou o último tijolo sobre os ombros de gigantes que também construíram a obra? > Alguém, por favor, me explique porque isso é incompatível com a defesa > dos valores que deveríamos defender aqui. A vontade do autor pode (e muitas vezes é) incompatível com as liberdades dos usuários, que são a pedra fundamental do movimento Software Livre. -- Alexandre Oliva http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/ You must be the change you wish to see in the world. -- Gandhi Be Free! -- http://FSFLA.org/ FSF Latin America board member Free Software Evangelist Red Hat Brazil Compiler Engineer
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