On May 11, 2007, "Fabianne Balvedi" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Oi Oliva! > On 5/11/07, Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> wrote: >> >> On May 10, 2007, "Fabianne Balvedi" <[EMAIL PROTECTED]> wrote: >> >> > Usem, remixem, corrijam, modifiquem, espalhem, divulguem, compartilhem! >> > http://estudiolivre.org/el-gallery_view.php?arquivoId=3821 >> >> Tá bem legal!, Fabs, mas compilando com -pedantic aqui deu uns >> Warnings meio perigosos ;-) > não entendi nada, poderia explicar melhor? > não sei o que é -pedantic : / Foi mal aí, é piadinha de usuário do GCC. -pedantic é a opção que você passar pro GCC pra dizer pra ele: olha, seja o mais chato possível com esse código, avise sobre absolutamente qualquer desvio dos padrões/especificações da linguagem que estiver compilando. >> Interessa receber uns "patches" aí? ;-) > lógico, essa é a idéia, faça tua própria versão tb!! :) Então... Não sou muito habilidoso com offices, então vou apenas tecer comentários e deixar para que quem leve mais jeito fazer modificações, se tiver interesse. Tem uma confusão meio séria no texto, que provavelmente é proveniente de uma tentativa de simplificar as coisas para fazê-las caber no tempo escasso: é misturar direito autoral com patentes. Na realidade, o problema com patentes de software não nos aflige no Brasil, pois elas não são permitidas (pelo menos em tese). Exceto pelos que exportam software para países em que patentes de software têm valor, patentes de software podem ser praticamente ignoradas neste país, até onde entendo, e enquanto conseguirmos resistir à pressão estrangeira. IANAL, etc, etc. A questão do Software Livre é ortogonal aos problemas de patentes. De fato, um software que pratica uma patente não deixa de ser livre; ele só deixa de ser livre para aqueles que tenham as liberdades cerceadas pelo titular da patente, ou seja, aqueles que aceitarem licenciar as patentes sob termos restritivos, ou aqueles que tenham suas liberdades cerceadas por ordem judicial, proveniente de um processo de patentes. Enquanto nada disso acontece, o Software pode muito bem ser Livre, mesmo que pratique, sem licença, patentes de terceiros. Os mecanismos usados para restringir o uso de Software no Brasil são principalmente o segredo (não divulgação do código fonte), a ausência de permissões em licenças de direito autoral (ou mesmo a ausência de licenças), e outras exigências impostas através de EULAs e outros tipos de contratos. Quando vejo a apresentação falar de patentes, no maioria dos casos me parece que ela deveria falar de direito autoral. Espalhar a grande confusão que existe na cabeça das pessoas entre as leis de direito autoral e as de patentes, que nada têm a ver uma com a outra exceto por serem classificadas por advogados como "Propriedade Intelectual", um termo que nem começa a fazer sentido (veja http://www.fsfla.org/svnwiki/circular/2006-12.pt#1) e só aumenta a confusão. Seria melhor, em minha opinião, ajudar a dissipar a nuvem de incertezas sobre esse tema e falar distintamente sobre esses dois temas tão díspares. Patentes, por exemplo, não fazem sentido como forma de preservar segredos, como a apresentação faz parecer. Por sua própria natureza, existem para incentivar a *publicação* das idéias. Na ausência de um sistema de patentes, o inventor teria como único recurso de exclusividade manter as características de sua invenção em segredo, enquanto a explorasse comercialmente, até que a morte levasse embora sua alma e, com ela, os detalhes sobre a invenção, de modo que a sociedade jamais conheceria os detalhes da invenção, embora quem colhia seus benefícios já não pode mais colhê-los. Patentes não excluem a possibilidade de manutenção do segredo, apenas estendem ao inventor uma oferta: trocar uma vida de defesa de um segredo que outros podem estar tentando desvendar para também explorá-lo por um monopólio temporário de exploração da invenção, mesmo que re-descoberta por outros, em troca de sua publicação imediata. Com a publicação, abrem-se portas para uma exploração comercial muito mais abrangente, por isso a patente acaba sendo um bom negócio tanto para os inventores quanto para a sociedade. Exceto em alguns casos explorados no artigo mencionado acima. Fecha parênteses. Note, portanto, que o software proprietário não surgiu quando Bill Gates resolveu patentear os softwares. De fato, software não se patenteia. Nem nos EUA. Lá se patenteiam algoritmos, formas de vida e outras barbaridades, mas não software. Patentes de software são patentes sobre algoritmos, técnicas de programação, interfaces, etc, porque elas afetam software. Mas patentes tratam de idéias, enquanto software é expressão de idéias. O que Bill Gates decidiu fazer, e aí, segundo me consta, ele de fato inovou, foi esconder o código fonte dos programas. Ao contrário da prática vigente então, em que software era praticamente um componente do hardware, e os fabricantes de hardware ofereciam o software (sistema operacional básico) com código fonte para seus clientes, Bill Gates vislumbrou um mercado de software independente do mercado de hardware, e percebeu que podia tornar seus clientes mais fiéis (= dependentes) se não lhes fornecesse o código fonte. Essa relação de dependência não precisaria de mecanismos legais tais como direito autoral ou patentes: a não divulgação do código fonte seria apenas um caso de segredo industrial. Direito autoral e, bem depois, patentes, entram na jogada para impedir o compartilhamento, de modo que cada usuário precisasse pagar por uma licença, ao invés de obter uma cópia do programa de seu vizinho. Veja então que o segredo, o direito autoral e as patentes conspiram contra as liberdades dos usuários, mas em dimensões diferentes. O segredo, enquanto mecanismo de criar dependência. O direito autoral, enquanto mecanismo de impedimento de compartilhamento. Patentes, também, mas também como mecanismo anti-competitivo: não precisa nem saber que uma patente existe pra infringi-la; ao contrário do direito autoral, em que você só infringe se de fato viu e copiou a obra do outro. Os outros Warnings que minha compilação com -pedantic levantaram foram o uso dos termos "fechado/aberto" ao invés de "proprietário/livre", que prefiro porque os primeiros podem significar muitas coisas, nem todas alinhadas com o que acredito; e a falta de paralelismo na tabela de Softwares Livres mais conhecidos, onde o núcleo Linux aparece como paralelo ao sistema operacional completo MS-Windows. O correto ali seria dizer: Linux (núcleo do MS-Windows) ou GNU (MS-Windows) ou ainda GNU/Linux (MS-Windows) Na mesma página, OpenOffice não é o nome da suíte de escritório que você usou para criar a apresentação, é uma marca registrada no Brasil por uma empresa que não quer que usemos seu nome. O nome do projeto é OpenOffice.org (atente para o sufixo) mas, no Brasil, por causa do litígio dessa empresa mal intencionada, somos obrigados a usar outro nome: BROffice.org. Espero que isso ajude alguma coisa. Abração, -- Alexandre Oliva http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/ FSF Latin America Board Member http://www.fsfla.org/ Red Hat Compiler Engineer [EMAIL PROTECTED], gcc.gnu.org} Free Software Evangelist [EMAIL PROTECTED], gnu.org}
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