Estou desacostumado com isso. Alguns dos argumentos deles até fazem sentido.
Thomas T. Soares wrote:
As urnas eletrônicas brasileiras possuem falhas de segurança que
podem alterar os resultados das eleições.
Seu voto pode ser roubado.
As de papel também tinham seus problemas de segurança. Nem todo o
software do mundo vai acabar com todos eles.
*Os fatos:* Recentemente, a ONG americana /Black Box Voting/
publicou o relatório do especialista Harri Hursti sobre os Testes de
Penetração que realizou nas urnas eletrônicas fabricadas pela
empresa Diebold o qual reforça a análise do Fórum do Voto Seguro.
Nas palavras do Eng. Amilcar Brunazo Filho, Diretor Técnico da TD
Tecnologia Digital Ltda:
"A conclusão básica destes relatórios é que existem falhas de
segurança nos projetos e construção das máquinas de votar
americana-canadenses da Diebold que permitem que o programa de
votação possa ser adulterado para modificar o resultado da apuração
dos votos.
Argumento furado. As urnas que ele testou foram as americanas.
Como a empresa Diebold possui quase 90% do mercado brasileiro de
urnas eletrônicas, onde, com a marca Diebold-Procomp, produziu 375
mil das 426 mil urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições
presidenciais brasileiras de outubro de 2006, se faz necessário
analisar se as falhas de segurança apontadas nos Relatórios Hursti
também existem nos modelos de urnas eletrônicas fornecidas ao Brasil."
Posso afirmar que elas são animais totalmente diferentes. As brasileiras
podem ter outros problemas, interiramente diversos.
O jornal baiano "A TARDE" publicou, em 4 de junho de 2006, uma
matéria sobre o acontecido nas eleições de 2002 na cidade de
Salvador: o desaparecimento de 8.000 (oito mil) cartões de
programação de urnas eletrônicas, que colocaram em risco a segurança
do pleito na Bahia!! Este montante corresponde a 24% do eleitorado
daquele estado e o fato foi totalmente omitido na ocasião.
Devem estar em cameras digitais e tocadores de MP3.
Em 11 de junho passado foi a vez do Jornal do Brasil informando que
a Polícia Federal investiga possível fraude eleitoral na urna
eletrônica no Rio, nas eleiões de 2004. Dois políticos - um
ex-deputado e um vereador - já foram indiciados por compra de votos,
e outro político e um assessor de juiz eleitoral serão indiciados em
breve. O processo segue em segredo de justiça.
E, evidentemente, melhorar as urnas impediria a compra de votos. Arrã.
Há ainda inúmeros casos documentados de fraudes eleitorais
decorrentes de fragilidades do sistema, que não cabe detalhar neste
documento.
Falhas de segurança encontradas nas urnas eletrônicas:
-O Sistema de inicilização (boot) pode ser modificado por software;
-Possibilidade de se modificar os programas internos por meios
digitais externos;
Dá pra violar qualquer coisa com tempo e disposição. O fato de que
caixas eletrônicos são vítimas disso (e, acreditem, bancos guardam seu
dinheiro com tanto ou mais zelo que TSE emprega na guarda dos seus
votos) é uma clara demonstração dos limites da tecnologia na prevenção
de fraudes.
-O Sistema Operacional (Windows CE) não possui recursos de segurança
aceitáveis;
Como assim? Ele é tão mínimo que é difícil pensar em um vetor de ataque
crível que explore falhas do SO. Windows CE não é Windows 98. Claro que
poderia ser melhor - poderia ser algo mais reforçado e fortificado,
usando um TPM ou programas digitalmente assinados. O SO podia estar em
ROM soldada na motherboard e ser ele próprio passado pelo TPM.
-Sistema de lacres físicos ineficiente e o gabinete fácil de abrir
sem nada destruir;
Aparentemente sim. Parece que alguém do TSE precisa ler mais sobre
lacres invioláveis e como usá-los (dica: não se deve distribuí-los por aí)
-Possibilidade de se reconfigurar os recursos de segurança por meio
de "jumpers" na placa-mãe;
Não seria um problema se a urna fosse inviolável e, se a urna for
violável, tudo está perdido. De repente guardar parâmetros de
inicialização em uma memória write-once soldada na motherboard - SHA1s
de todas as mídias e configuração de jumpers - seria uma boa idéia. Não
vai impedir nada, mas vai deixar um rastro auditável - quem bootar uma
urna com o software errado vai deixar marcas. Essa memória poderia ainda
guardar uma chave criptográfica (recriada a cada boot) para autenticar
os dados como tendo sido gerador por aquela urna naquela operação.
-Presença de conector interno para cartões de memória "multimedia";
O software da urna fica nesse cartão que não tem acesso externo. Você
precisa violar a urna para isso.
-O Botão externo de "teste de bateria" pode ser explorado em ataques
disparados pelo eleitor.
Queria (sério mesmo) saber como isso acontece.
"A forma mais devastadora envolve a inserão de programa que adultera
o Boletim de Urna (BU) junto com o correspondente mecanismo para o
seu acionamento. Encerrada a votação, esse programa interceptaria a
gravação em disquete e a impressão do BU para, por exemplo, antes,
desviar uma porcentagem pré-programada dos votos de um candidato a
outro.... Tais ações seriam relativamente fáceis de serem
codificadas por um programador mediano que conheça o sistema."
Isso demandaria o uso de código não-autorizado na urna. Fazer isso é
ridiculamente simples. A mágica acontece se alguém conseguir fazer isso
sem ser notado antes, durante e depois da eleição. Se conseguir, tem
meu mais sincero respeito. Não que não seja um crime, mas o cara é bom.
Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado especializado em Direito
Constitucional acrescenta:
"Pode-se, por exemplo, fazer inserir nos programas das urnas um
comando para que, a cada quatro votos para um candidato, um seja
desviado para outro candidato. Pior: este programa de desvio de
votos pode ser programado para se auto-destruir às 17 horas do dia
da votação, sem deixar vestígios, tornando inócua qualquer
verificaão posterior nos programas da urna."
Poderia se destruir às 15 ou às 17:01. Estamos mesmo ouvindo um
especialisa em Direito Constitucional falar de segurança de dados? Ele
deve ter algo interessante a dizer, mas sobre leis, não sobre bits (até
porque ele repetiu o que o Pedro já falou)
*Impossibilidade de auditoria:*
1) As urnas são inauditáveis porque não existe a impressão paralela
do voto. As ONGs nos EUA e na Europa estão trabalhando no sentido de
dar maior segurança às urnas eletrônicas e fazer valer a democracia.
Nos EUA, 50% dos estados já estão com a legislação que exige a
impressão do voto nas urnas eletrônicas. E na maioria dos países
democráticos existem movimentos como o do Voto Seguro para forçar a
materialização do voto.
Concordo que a impressão e visualização dos votos é importante. Em 2002
fizemos uma impressora exatamente para isso. Como eram em menor número
que as urnas (elas não são baratas), elas seriam sorteadas entre as
urnas. Não sei se isso aconteceu.
O voto impresso não resolve 100% o problema de segurança e
confiabilidade das urnas eletrônicas atuais, mas constitui um avanço
significativo na conquista da lisura nas eleições. Em caso de
necessidade, pode-se fazer uma recontagem parcial ou total dos votos.
Eu acho que ele mais ou menos resolve os mais importantes. O eleitor vê
se o voto é o dele mesmo e ele vai pra uma urna. Havendo suspeita, os
votos de papel são verificados. O que não pode é qualquer um pedir
recontagem de votos de papel para todas as urnas ou poderiamos
simplesmente voltar à época dos votos de papel.
E possui uma implementação bastante simples, ou seja, todas as urnas
brasileiras possuem uma impressora embutida para a impressão da
rotina de abertura, denominada "zerésima" e do Boletim de Urna. As
desculpas do TSE são de que "a impressora dá problema" e por isso
não se pode imprimir o voto. E é a mesma impressora que imprime a
Zerézima e os BUs, sem problema algum.
É uma impressora diferente, ligada a uma urna descartável e com uma
janela (e componentes mecânicos bem chatos de manter funcionando) para
que o eleitor visualize seu voto. E sim, eu acho que o BU deveria ser
fornecido a qualquer cidadão interessado, inclusive, dentro dos limites
do razoável.
A idéia não é imprimir o voto para levar para a casa porque isto
estaria contribuindo para a volta do voto de cabresto ou a compra de
votos. Os votos impressos seriam colhidos automaticamente em urnas
lacradas e, após o término da eleição, algumas seriam escolhidas por
sorteio para fazer a contagem manual. Ou seja, seria muito mais
difícil fraudar os dois sistemas - manual e eletrônico -
simultaneamente.
Essa é uma das coisas que fazem sentido. Eu sempre tenho vontade de
surrar quem propõe que se imprima o voto para levar pra casa.
2) A regulamentação das eleições deste ano retirou dos partidos
políticos o direito de obterem cópias individuais dos BU impressos,
o que inviabiliza a conferência de totalização dos votos. Segundo
Amilcar Brunazo Filho, "Sem o BU impresso os partidos não terão como
conferir a totalização dos votos e, um ataque (de fraudadores) neste
campo é mais abrangente, sendo o que eu chamaria de "a mãe de todas
as fraudes", pois poderia reverter até resultados fraudados na
urnas-e pelo outro lado."
Com o BU impresso (e eu sugeriria que ele fosse impresso ao mesmo tempo
em forma legível para humanos e também para máquinas - "códigos de
barra" que hoje em dia não são mais barras, mas pontos). A impressão do
BU na hora da lacração da urna dificultaria o ataque à urna depois de
lacrada. Se bem me lembro, para dificultar ataques à urna em trânsito,
ela tem um prazo de algumas horas para chegar ao tribunal eleitoral e,
se perder esse prazo, é impugnada.
Além disso, é desejável que os BUs aceitos pelo sistema eletrônico
de totalização sejam publicados na Internet na medida em que
possibilitaria a comparação e auditoria entre eles e os BUs emitidos
pelas urnas eletrônicas.
Concordo totalmente com isso. Mais uma coisa que faz sentido. A análise
de desvios na contagem pode ajudar a indicar onde e se houve fraudes
(duas urnas da mesma seção não devem divergir significativamente, por
exemplo). Se isso puder ser feito em tempo real e pelo maior número de
pessoas possível, só temos a ganhar.
Ações: O Voto Seguro já entrou com um novo pedido de dissecação e/ou
penetração no sistema de segurança das Urnas Eletrônicas brasileiras
e precisa do vosso apoio para ajudar a pressionar o TSE para tomar
medidas urgentes ainda para as próximas eleições, no sentido de
torná-las auditáveis.
Não vejo porque não aceitar opiniões (e rebatê-las energicamente, quando
o caso) de qualquer um qualificado para isso.
TSE vem sistematicamente se opondo a realizar os Testes de
Penetração, impedindo o acesso aos programas de segurança
(permitidos até a Lei 9.504/97), abolindo todo e qualquer tipo de
auditoria quando veta a impressão do voto e dos Boletins de Urna (BU).
De fato, torná-la inauditável só faz com que não tenhamos más notícias.
Nem sempre é preciso receber boas notícias, mas, se deixarmos de receber
as más, teremos problemas.
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