Eu me interesso mais em saber como estes resultados são descobertos.
Ou pelo menos, como poderiam, a princípio, ser descobertos por alguém com
conhecimentos básicos de matemática escolar (por exemplo, PAs, PGs e
equações do 2o grau) e alguma iniciativa.

Por exemplo, PA s e PGs (talvez os exemplos mais conhecidos de sequências),
podem servir como ponto de partida pra esta investigação.

Definida recursivamente, uma PA é A(n) = A(n-1) + d, onde d é um número
fixo, e o termo geral é A(n) = A(0) + n*d.
Já uma PG é G(n) = G(n-1)*q, onde q é um número fixo, e o termo geral é
G(n) = G(0)*q^n.

Daí, diante de uma recorrência do tipo F(n) = F(n-1) + F(n-2), me parece
que seria razoável (???), para alguém que só conhecesse PAs e PGs, testar
uma solução da forma F(n) = a + bn ou então uma da forma F(n) = a*b^n, onde
a e b são números reais fixos.

A primeira alternativa, leva a:
a + n*b = a + (n-1)*b + a + (n-2)*b ==> a = (n-3)*b ==> não serve, já que a
e b são fixos mas n é variável, a menos que b = 0, o que leva a a = 0 e a
F(n) = 0.

A segunda leva a:
a*b^n = a*b^(n-1) + a*b^(n-2) ==> (dividindo tudo por a*b^(n-2) )   b^2 =
b + 1, que é justamente a equação característica da sequência de Fibonacci.

Esta equação do 2o grau tem duas raízes distintas p e q ( =
(1+/-raiz(5))/2) ).
Daí, também me parece razoável (???) tentar uma solução da forma F(n) =
a*p^n + b*q^n  (combinação linear de duas PGs).
Com as condições iniciais F(0) = 0 e F(1) = 1, caímos num sistema 2x2,
determinamos a e b e obtemos a fórmula de F(n) em função de n.

Outro caminho é operar com a definição recursiva.
Aí entra outra ideia: tentar achar uma sequência telescópica. (quão natural
ou obvia é essa ideia?)
Por exemplo, escrevendo F(n-2) = F(n) - F(n-1), e somando ambos os membros
de n = 2 até p, obtemos:
F(0) + F(1) + ... + F(p-3) + F(p-2) = F(2) - F(1)  +  F(3) - F(2)  +  ... +
F(p-1) - F(p-2)  +  F(p) - F(p-1).
A soma do lado direito é telescópica e igual a  F(p) - F(1).
Logo, mudando de variável e notando que F(0) = 0 e F(1) = 1, obtemos a
propriedade F(1) + F(2) + ... + F(n) = F(n+2) - 1.

Outra propriedade da sequência de Fibonacci é que a razão de termos
consecutivos se aproxima cada vez mais de p = (1+raiz(5))/2 ~
1.618033989... = a famosa razão áurea,
Por exemplo, F(11)/F(10) = 89/55 = 1,6181818...

Mas realmente não sei quão razoável seria alguém olhar pra razão de termos
consecutivos. Talvez pelo fato da sequência ser uma combinação linear de
duas PGs (e a razão de dois termos consecutivos de uma PG é constante, por
definição).

Enfim, como p > 1, q = -1/p está entre -1 e 0, e daí vemos que:
 F(n+1)/F(n) = (a*p^(n+1) + b*q^(n+1))/(a*p^n + b*q^n) = (p +
(bq/a)*(q/p)^n)/(1 + (b/a)*(q/p)^n) -> p quando n -> infinito.
O fato de q estar entre 0 e 1 mostra que o termo b*q^n, na fórmula de F(n),
tende a zero, de modo que pra n suficientemente grande F(n) ~ a*p^n (ou
seja, F(n) se aproxima de uma PG).
De fato, F(n) = inteiro mais próximo de a*p^n, o que implica, mais uma vez,
que F(n+1)/F(n) -> q.

A propriedade descrita no problema original é mais sutil e talvez tenha
sido descoberta ao se analisar quão boa é a aproximação de "p" pelas
frações F(n+1)/F(n).
A sequência é:  1/1, 2/1, 3/2, 5/3, 8/5, 13/8,  21/13, 34/21, ...
Como essa sequência converge (para p), a diferença entre termos
consecutivos deve tender a zero.
Essa diferença é  F(n+2)/F(n+1) - F(n+1)/F(n) = (F(n+2)*F(n) -
F(n+1)^2/(F(n)*F(n+1))
Analisando numericamente (possivelmente com uma planilha), observamos que:
2/1 - 1/1 = 1
3/2 - 2/1 = -1/2
5/3 - 3/2 = 1/6
8/5 - 5/3 = -1/15
13/8 - 8/5 = 1/40
21/13 - 13/8 = -1/104

Daí, não é difícil fazer uma conjectura sobre os numeradores:
F(n+2)*F(n) - F(n+1)^2 = (-1)^(n+1)
Ou, se você preferir:
F(n+1)*F(n-1) - F(n)^2 = (-1)^n   (*)

Isso é provado facilmente por indução (e essa talvez seja um dos principais
usos da indução: demonstrar fórmulas que são conjecturadas a partir da
observação de casos particulares).

E quanto à diferença F(n+2)/F(n+1) - F(n)/F(n-1) ?
Empiricamente, obtemos:
3/2 - 1/1 = 1/2
5/3 - 2/1 = -1/3
8/5 - 3/2 = 1/10
13/8 - 5/3 = -1/24
21/13 - 8/5 = 1/65
34/21 - 13/8 = -1/168
E chegamos à conjectura  F(n+2)*F(n-1) - F(n+1)*F(n) = (-1)^n, igualmente
demonstrada por indução.

Tentemos agora ver quanto é F(n+3)*F(n-1) - F(n+2)*F(n).
Ao invés de ir pela via empírica, podemos usar a definição recursiva da
sequência de Fibonacci e obter:
F(n+3)*F(n-1) - F(n+2)*F(n)
= (F(n+2) + F(n+1))*F(n-1) - ((F(n+1) + F(n))*F(n)
= F(n+2)*F(n-1) + F(n+1)*F(n-1) - F(n+1)*F(n) - F(n)^2
= (F(n+1)*F(n-1) - F(n)^2) + (F(n+2)*F(n-1) - F(n+1)*F(n))
= (-1)^n + (-1)^n
= 2*(-1)^n

Prosseguindo...
F(n+4)*F(n-1) - F(n+3)*F(n)
= (F(n+3) + F(n+2))*F(n-1) - ((F(n+2) + F(n+1))*F(n)
= F(n+3)*F(n-1) + F(n+2)*F(n-1) - F(n+2)*F(n) - F(n+1)*F(n)
= (F(n+3)*F(n-1) - F(n+2)*F(n)) + (F(n+2)*F(n-1) - F(n+1)*F(n))
= 2*(-1)^n + (-1)^n
= 3*(-1)^n

E assim por diante...

Formulamos então a conjectura:  F(n+k)*F(n-1) - F(n+k-1)*F(n) =
(-1)^n*F(k), que é demonstrada por indução (sobre n: k é fixo)

Pondo k = n, chegamos à identidade original: F(2n)*F(n-1) - F(2n-1)*F(n) =
(-1)^n*F(n).

[]s,
Claudio.

-- 
Esta mensagem foi verificada pelo sistema de antiv�rus e
 acredita-se estar livre de perigo.

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