2018-04-18 16:59 GMT-03:00 Claudio Buffara <[email protected]>:

> 2018-04-16 11:53 GMT-03:00 Marcela Costa <[email protected]>:
>
>
>> Infelizmente, seu projeto me parece utópico, pois:
>>
>> - a estrutura dos currículos e dos livros-texto são incompatíveis com
>> suas ideias;
>>
>> - o treinamento dos professores é inadequado para conduzir aulas no seu
>> formato.
>>
>
> Concordo com as duas afirmações acima.
>
> O que eu sei é que a maioria dos alunos, seguindo o currículo e os
> livros-texto atuais, mais cedo ou mais tarde acaba descambando pra decoreba
> de fórmulas, procedimentos e modelos de problemas resolvidos.
>
> Um exemplo: um amigo meu, que dá aula no EM de uma escola pública, passou
> o seguinte problema a seus alunos:
> "O 4o termo de uma PA é 11 e o 13o termo é 74. Qual o 10o termo desta PA?"
> Ele me disse que nem todos os alunos conseguiram resolver esse.
> E os que conseguiram, aplicaram a fórmula do n-ésimo termo: a(n) = a(1) +
> (n-1)*r, para n = 4 e n= 13.
> Caíram, assim, num sistema linear 2x2, por meio do qual acharam a(1) e r.
> Daí, aplicaram mais uma vez a fórmula com n = 10.
>
> Naturalmente, se tivessem tido uma boa educação matemática, simplesmente
> raciocinariam com o PADRÃO da PA, um dos mais símples e ubíquos da
> matemática elementar.
> Algo na seguinte linha: (pensando nos termos da PA como "degraus de uma
> escada")
> Pra ir do 4o ao 13o termo, eu tenho que subir 13 - 4 = 9 degraus.
> Ao subir estes 9 degraus eu terei subido 74 - 11 = 63 unidades.
> Como numa PA todos os degraus têm a mesma altura, cada degrau tem 63/9 = 7
> unidades de altura.
> Pra ir do 4o ao 10o degrau eu preciso subir 10 - 4 = 6 degraus, cuja
> altura total é 6*7 = 42 unidades.
> Como eu comecei no nível 11, vou terminar no nível 11 + 42 = 53 ==> a(1) =
> 53.
>
> Me parece que um problema desses, com esta solução, seria acessível a
> alunos de 6o ano, apesar de PAs só serem vistas no EM.
>
> Tenho certeza de que este tipo de coisa acontece com praticamente cada
> tópico da matemática escolar.
>
>
> É por isso que eu acho que, num currículo baseado em padrões, conjecturas
e demonstrações, e que encorajasse a experimentação, os alunos não
precisariam decorar quase nada.
Pois, com base em 4 ou 5 fatos básicos, eles seriam capazes de deduzir
todos os outros resultados de que precisassem.
Mas, é claro, esta habilidade tem que ser ensinada e exercitada.
E, do 6o ao 12o ano, me parece haver tempo de sobra pra isso.

[]s,
Claudio.

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