Olá Marcio,

Estive ontem de noite acompanhando a movimentação no Twitter e MathOverFlow 
sobre o paper,

A crítica principal é que a teoria Flow não teria sido mostrada consistente, 

Qual é a posição dos autores sobre isso ?

Até mais,

[]s Samuel
----- Mensagem original -----
De: Valeria de Paiva <[email protected]>
Para: Márcio Palmares <[email protected]>
Cc: Samuel Gomes da Silva <[email protected]>, LOGICA-L <[email protected]>
Enviadas: Sat, 10 Oct 2020 13:31:19 -0300 (BRT)
Assunto: Re: Teoria Flow: o princípio da partição não implica o axioma de 
escolha

obrigada pela motivacao meio quaternionica, Marcio!
sempre ajuda,
abs
Valeria

On Sat, Oct 10, 2020 at 7:56 AM Márcio Palmares <[email protected]>
wrote:

> Oi Valeria,
>
> Verdade... Acho que você tem razão... Existem muitos 'foundational
> frameworks', e apenas a seleção natural define quais prosperam, por sua
> melhor adaptação para a resolução de problemas em áreas específicas. Quando
> mostramos uma versão preliminar desse trabalho para o Jean-Pierre Marquis,
> ele se mostrou entusiasmado, talvez porque o sistema pudesse lançar uma
> nova luz sobre o velho debate "Feferman vs. categoristas de todo o mundo",
> uma vez que Flow mostra mais uma vez a primazia das funções diante dos
> conjuntos... Naquela ocasião Jean-Pierre Marquis chamou nossa atenção para
> as "Autocategories", de René Guitart, e à medida em que o trabalho foi
> prosseguindo, descobrimos outros sistemas. De fato, se Flow não tivesse
> mudado a forma como olhamos para certos problemas, e não tivesse levado
> Adonai à solução do problema do Princípio da Partição, seria muito difícil
> justificar sua existência num meio já bastante povoado por sistemas
> fundacionais...
>
> Bem, seja como for, elaborei uma pequena tentativa de "motivação", para
> que os possíveis interessados possam compreender melhor (de um ponto de
> vista intuitivo) os axiomas e construções iniciais de Flow.
>
> O ponto de partida é o teorema de Cayley, a relação existente entre
> operações binárias associativas e a representação dessas estruturas usando
> funções e composição de funções. Por exemplo, consideremos os inteiros
> módulo quatro {0, 1, 2, 3} sob a multiplicação módulo quatro. Temos assim
> um conjunto equipado com uma operação binária associativa, a multiplicação.
> Neste caso, trata-se de um monoide, pois temos um elemento neutro. O
> teorema de Cayley nos diz então que essa estrutura é isomorfa ao monoide
> das funções f_0, f_1, f_2, f_3, sob a composição, definidas da maneira
> usual; f_2, por exemplo, é definida como f_2(x) = 2x, com x no conjunto {0,
> 1, 2, 3}.
>
> Então, elementos de estruturas binárias associativas podem ser
> "transformados" em funções, ou "interpretados" como funções.
>
> Consideremos agora um caso mais geral, de uma operação binária
> não-associativa, definida no conjunto {0, 1, 2, 3}. Agora, porém, os
> símbolos 0, 1, 2 e 3 não devem ser interpretados como "inteiros módulo
> quatro", são apenas símbolos. Nossa operação binária será não-associativa;
> não-comutativa; idempotente, isto é, 0*0=0, 1*1=1, 2*2=2 e 3*3=3; terá um
> elemento 0 bilateral (absorvente dos dois lados): 0*x=x*0=0; e um elemento
> neutro 1 à esquerda: 1*x=x.
>
> Poderíamos desenhar uma tabela para essa operação. Os valores não listados
> acima, para completar a tabela, seriam: 2*1=3*1=0; 2*3=0 e 3*2=2. Esses
> valores são arbitrários. Apenas as propriedades de 1, como neutro à
> esquerda, 0 como absorvente bilateral, e a idempotência são predefinidos.
>
> Como a operação não é associativa, não vale o teorema de Cayley, e a
> estrutura formada com as funções sob a composição não será, em geral,
> isomorfa à estrutura original. Mas não faz mal. Isso não é um problema para
> nós, porque não estamos perseguindo este isomorfismo. Só queremos
> representar os elementos da estrutura como funções. Cada função será então
> um "endomorfismo" no conjunto {0, 1, 2, 3}, e poderá ser representada pelos
> típicos "diagramas internos de endomorfismos".
>
> Agora vem o "pulo do gato": o que aconteceria se considerássemos, neste
> exemplo, a operação binária * como uma "função aplicação", ou "função
> avaliação", ou "evaluation map", isto é, suponhamos que, em vez de escrever
> 2*3=0 escrevêssemos 2(3)=0, e imaginássemos que 0, 1, 2 e 3 são eles
> próprios as funções, cujo comportamento é descrito em termos dessa
> avaliação ou aplicação? O resultado seria um pequeno universo de quatro
> termos, 0, 1, 2 e 3, que operam uns sobre os outros livremente, produzindo
> termos do mesmo universo. Com essa interpretação, chamamos 0, 1, 2 e 3 de
> "funções", e dizemos que 1(1)=1, 1(2)=2, 1(3)=3, 2(0)=0, 2(2)=2, etc.
>
> Essa é uma boa maneira de interpretar, de forma intuitiva, o universo da
> Teoria Flow. Nele, temos uma infinidade de termos f, g, h, etc., que se
> aplicam livremente uns sobre os outros, produzindo outros termos, chamados
> de "funções". Nesse universo existem duas funções especiais, 1 e 0, com as
> propriedades 1(f)=f e 0(f)=f(0)=0, para toda função f. Além disso, toda
> função f de Flow satisfaz f(f)=f, o que chamamos de "postulado de
> autorreferência", mas podemos pensar que se trata da propriedade de
> idempotência da "avaliação" vista como operação binária, se quisermos. Com
> essa interpretação fica fácil ler os primeiros axiomas e entender as
> demonstrações.
>
> O primeiro axioma diz que se f(g)=g e g(f)=f, então g=f (se f é ponto fixo
> para g, e g é ponto fixo para f, são a mesma função). E também tem o
> seguinte: se f(g)=f e g(f)=g, então f=g (se f absorve g e g absorve f, são
> a mesma função).
>
> O segundo axioma diz que f(f)=f.
>
> Depois introduzimos 1 e 0 e provamos que são únicas. Os axiomas seguem
> então como a caracterização da estranha álgebra não-associativa,
> não-comutativa, idempotente e com 0 e 1 especificados, da avalição, o único
> conceito primitivo de Flow.
>
> Bem, era isso. (Espero que essas maluquices ajudem.)
>
> Obrigado, Valeria, pelas considerações!
>
> Abraços!
>
> M.
>
>
> Em sábado, 10 de outubro de 2020, Valeria de Paiva <
> [email protected]> escreveu:
>
>> oi Marcio,
>> sim, que o lambda-calculus sem tipos precisa de ser modelado em
>> categorias (pra nao ter problemas parecidos com os do paradoxo de Russell)
>> 'e bem conhecido.
>> o paper mais famoso do John Reynolds e' Polymorphism is not
>> set-theoretic - HAL-Inri <https://hal.inria.fr/inria-00076261/document>e
>> a resposta do Andy Pitts 'e:
>> Polymorphism is set theoretic, constructively
>> <https://link.springer.com/content/pdf/10.1007%2F3-540-18508-9_18.pdf>
>> e sim 'e otimo ilustrar outros possiveis usos pro framework.
>> mas esse uso eu nao acho muito convincente nao, pois a gente sabe modelar
>> o lambda-calculus com ou sem tipos.
>> a minha impressao sobre foundational frameworks 'e que eles todos
>> funcionam -mais ou menos- igualmente.
>> umas coisas sao melhores em um, outras em outro, mas no final da' tudo
>> mais ou menos no mesmo na media.
>> abs
>> Valeria
>>
>>
>>
>> On Fri, Oct 9, 2020 at 4:59 PM Márcio Palmares <[email protected]>
>> wrote:
>>
>>> No livro "Introduction to higher order categorical logic", Lambek e P.J.
>>> Scott dizem o seguinte:
>>>
>>> "An obvious question to ask about the untyped λ-calculus, as originally
>>> defined or as extended by us, is what its models, that is, Curry algebras
>>> or C-monoids, look like. In particular, are there any models other than the
>>> trivial one with only one element? This is the old question: can one
>>> consistently posit a universe of functions which apply to all functions,
>>> including themselves as arguments?" [pp. 118-119]
>>>
>>> O livro é de 1986, mas teve reimpressão em 1994...
>>>
>>> Em um artigo, creio que de 1982, "What is a model of the lambda
>>> calculus", Albert R. Meyer, por sua vez, escrevia:
>>>
>>>
>>> "Applying a function to itself violates the rules of ordinary set theory
>>> which forbid a function from being in its own domain. The violation can
>>> quickly lead to contradiction. For example, let P be the "paradoxical"
>>> functional such that P(f) is zero if f(f) is not the integer zero, and P(f)
>>> is the integer one otherwise. So by definition P(f) != f(f) for all f;
>>> substituting P for f immediately yields the
>>> contradiction P(P) != P(P)."
>>>
>>> Em publicações mais recentes sobre modelos para o cálculo lambda,
>>> encontramos sempre a mesma objeção a um possível universo de funções
>>> auto-aplicáveis, como se obter um tal sistema não fosse possível.
>>>
>>> Bem, a menos que tenhamos feito tudo errado (não creio que seja o caso,
>>> haha), encontramos um tal sistema.
>>>
>>> Aqui entra uma possível interessante conexão com a teoria de categorias
>>> (entre outras).
>>>
>>> Sabe-se que Dana Scott construiu um modelo para o "untyped lambda
>>> calculus" usando a ideia de um "objeto reflexivo" U em uma categoria
>>> cartesianamente fechada (detalhes em
>>> https://ncatlab.org/nlab/show/lambda-calculus).
>>>
>>> Esse modelo de Dana Scott, de algum modo, é similar à visão intuitiva
>>> que temos do universo primitivo U (não é um termo da teoria) onde
>>> "estariam" todos os termos da teoria Flow...
>>>
>>> Então, um problema interessante é o seguinte: será que alguma porção do
>>> universo de Flow pode ser modelada usando essa ideia de Dana Scott? Se sim,
>>> por uma espécie de transitividade, saberíamos qual é a porção do universo
>>> de Flow que corresponde a um modelo para o cálculo lambda.
>>>
>>> [Não pretendo tirar o foco da discussão sobre o Princípio da Partição,
>>> estou apenas ilustrando possíveis "usos" para o framework.] :-)
>>>
>>> []'s
>>>
>>> M.
>>>
>>>
>>>
>>> Em sexta-feira, 9 de outubro de 2020, Valeria de Paiva <
>>> [email protected]> escreveu:
>>>
>>>> muito obrigada pela resposta direta Samuel!
>>>> valeu!
>>>> Valeria
>>>>
>>>> On Fri, Oct 9, 2020 at 4:04 PM Samuel Gomes da Silva <[email protected]>
>>>> wrote:
>>>>
>>>>> Olá Valeria,
>>>>>
>>>>> Eu confesso que a minha desconfiança no quanto a PP ser equivalente a
>>>>> AC ou não, que eu realmente achava que poderia ser,
>>>>> era mais pelo tempo que o problema ficou aberto.
>>>>>
>>>>> Recentemente, quando Malliaris e Shelah provaram que p = t, eu também
>>>>> estava no grupo dos 99 por cento dos teoristas de conjuntos
>>>>> que pensavam que a solução do problema não seria essa, e sim p < t
>>>>> consistente.
>>>>>
>>>>> Então a gente cria expectativas quando um problema de muito tempo fica
>>>>> aberto, no meu caso não era muito mais do que
>>>>> isso o "chute" de que PP poderia ser equivalente a AC.
>>>>>
>>>>> Quanto a grandes cardinais: ora, categoristas mais ou menos pressupõem
>>>>> que existam grandes cardinais, não é ? É com grandes
>>>>> cardinais que normalmente se justificam a existência (no sentido de se
>>>>> imaginar modelos conjuntistas) de conglomerados e outros que tais.
>>>>>
>>>>> Por exemplo, eu estava lendo recentemente alguma reportagem na qual se
>>>>> dizia que Grothendieck não tinha absolutamente
>>>>> nenhuma preocupação quanto ao fato de que a existência de Universos de
>>>>> Grothendieck era equivalente à existência de
>>>>> cardinais fortemente inacessíveis. Para ele, aquilo seria apenas um
>>>>> meio para se chegar em algo.
>>>>>
>>>>> Se existe a intenção de que a teoria Flow se meta em Categorias,
>>>>> inacessíveis são até bem vindos, acho.
>>>>>
>>>>> Atés
>>>>>
>>>>> []s  Samuel
>>>>>
>>>>> ------------------------------
>>>>> *De: *"Valeria de Paiva" <[email protected]>
>>>>> *Para: *"samuel" <[email protected]>
>>>>> *Cc: *"LOGICA-L" <[email protected]>, "marciopalmares" <
>>>>> [email protected]>, "Adonai S. Sant'Anna" <
>>>>> [email protected]>
>>>>> *Enviadas: *Sexta-feira, 9 de outubro de 2020 18:54:13
>>>>> *Assunto: *Re: [Logica-l] Re: Teoria Flow: o princípio da partição
>>>>> não implica o axioma de escolha
>>>>>
>>>>> Sim, Samuel!
>>>>> e' por isso que eu perguntei, ne?
>>>>>
>>>>>  vc tb publicou ha' algum tempo atras (2017) com o Andreas e o Hugo
>>>>>
>>>>> https://www.researchgate.net/publication/319331534_Categorial_forms_of_the_Axiom_of_Choice
>>>>> e a continuacao (que eu ainda nao li).
>>>>>
>>>>> por isso minha pergunta inicial:
>>>>> o que nos levava a pensar que PP e AC seriam equivalentes?
>>>>> nao eram as formas categoricas do AC, me parece.
>>>>>
>>>>> uma segunda pergunta, mais geral e', por que introduzir mais um
>>>>> "foundational framework"--
>>>>> se nao for pra resolver o problema de PP equivalente ou nao a AC? ('e
>>>>> muito lindo mesmo, se resolver esse problema, tb acho!)
>>>>>
>>>>> mas a terceira pergunta 'e se isso nao 'e "caro" demais: Flow insiste
>>>>> que tenhamos a "existence of strongly inaccessible cardinals".
>>>>> vale o preco? na verdade eu nao sei os "precos" em teoria de
>>>>> conjuntos, nao sei o que 'e caro ou o que e' barato.
>>>>> mas eu acho que 'essa a discussao q o Adonai, o Marcio e o  Renato
>>>>> estavam querendo suscitar, nao e'?
>>>>>
>>>>> abracos conjuntistas (mas ignorantes) a todxs!
>>>>> Valeria
>>>>>
>>>>>
>>>>> On Fri, Oct 9, 2020 at 3:25 PM samuel <[email protected]> wrote:
>>>>>
>>>>>> ... Bom, só pra dar um pitaco de Princípio da Partição em categorias,
>>>>>> recentemente eu publiquei este paper aqui, relacionando tanto o Axioma da
>>>>>> Escolha quanto o Princípio da Partição com as categorias Dialecticas da
>>>>>> Valeria.
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> https://academic.oup.com/jigpal/advance-article-abstract/doi/10.1093/jigpal/jzaa023/5875437?redirectedFrom=fulltext
>>>>>>
>>>>>> Atés
>>>>>>
>>>>>> []s  Samuel
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> Em sexta-feira, 9 de outubro de 2020 às 18:19:17 UTC-4, samuel
>>>>>> escreveu:
>>>>>>
>>>>>>> ... Foi pelo blog do Karagila que há alguns anos atrás eu fiquei
>>>>>>> sabendo do Princípio da Partição,
>>>>>>>
>>>>>>> Se ele está acompanhando a coisa, trata-se de um especialista no
>>>>>>> assunto, muito bem !
>>>>>>>
>>>>>>> Atés
>>>>>>>
>>>>>>> []s  Samuel
>>>>>>>
>>>>>>> Em sexta-feira, 9 de outubro de 2020 às 17:43:11 UTC-4,
>>>>>>> marciopalmares escreveu:
>>>>>>>
>>>>>>>> Oi, Valeria!
>>>>>>>>
>>>>>>>> Que bom que Adonai respondeu à sua pergunta... Eu sempre pensei
>>>>>>>> assim: todo epimorfismo pode ser cindido em Set, temos portanto uma 
>>>>>>>> versão
>>>>>>>> categorial do axioma da escolha, sabemos que o axioma da escolha 
>>>>>>>> implica a
>>>>>>>> lei do terceiro escolhido, então saberemos como é a álgebra dos 
>>>>>>>> subobjetos
>>>>>>>> nas categorias em que vale o AE, e pronto! É tudo o que precisamos 
>>>>>>>> saber
>>>>>>>> sobre axioma de escolha! (Eu nem sabia que esse problema do Princípio 
>>>>>>>> da
>>>>>>>> Partição existia...).
>>>>>>>>
>>>>>>>> Como Adonai mencionou, o artigo chamou a atenção de Asaf Karagila.
>>>>>>>> Ele fez uma postagem em seu blog e está comentando passo a passo, à 
>>>>>>>> medida
>>>>>>>> em que progride na leitura pelo twitter:
>>>>>>>> http://karagila.org/2020/going-with-the-flow/ (São muito
>>>>>>>> divertidos os comentários.)
>>>>>>>>
>>>>>>>> Esse primeiro artigo está completamente focado em demonstrar o
>>>>>>>> resultado principal, e também em provar que os axiomas de ZF são 
>>>>>>>> teoremas
>>>>>>>> quando traduzidos em Flow. Mas estamos trabalhando também em outra 
>>>>>>>> frente:
>>>>>>>> mostrar que o sistema que William Lawvere sugeriu em 1966 (category of
>>>>>>>> categories as a foundation) também pode ser imerso em Flow, isto é, os
>>>>>>>> axiomas da teoria de primeira ordem sugeridos por Lawvere são teoremas 
>>>>>>>> em
>>>>>>>> Flow, quando devidamente traduzidos.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Seria muito legal se o artigo despertasse também atenção dos
>>>>>>>> categoristas, apesar de, por restrições de tamanho e pelo resultado 
>>>>>>>> obtido,
>>>>>>>> ter ficado restrito a teoria de conjuntos, teoria de modelos.
>>>>>>>>
>>>>>>>> Abraços!
>>>>>>>>
>>>>>>>> M.
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>> Em sex., 9 de out. de 2020 às 18:34, Adonai S. Sant'Anna <
>>>>>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>>>>>
>>>>>>>>> Valeria
>>>>>>>>>
>>>>>>>>> Longa história para responder à sua pergunta. Se o trabalho
>>>>>>>>> estiver certo, nossa teoria geral de funções Flow permite exibir 
>>>>>>>>> modelo de
>>>>>>>>> ZF onde vale PP mas não AE. Isso é conseguido graças a um axioma de
>>>>>>>>> F-Escolha que sugerimos em nosso trabalho. Esse axioma de F-Escolha 
>>>>>>>>> permite
>>>>>>>>> PP como teorema. No entanto, existe ZF-conjunto (ZF-conjuntos são 
>>>>>>>>> termos de
>>>>>>>>> Flow que correspondem a conjuntos de ZF num sentido preciso) que não 
>>>>>>>>> pode
>>>>>>>>> ser bem ordenado. Logo, não vale AE. Não somos os únicos que 
>>>>>>>>> desconfiaram
>>>>>>>>> que AE independe de PP. Asaf Karagila admitiu por e-mail ter a mesma
>>>>>>>>> impressão. Estamos conversando com ele sobre isso. Em breve teremos 
>>>>>>>>> mais
>>>>>>>>> novidades (boas ou ruins, só Deus sabe).
>>>>>>>>>
>>>>>>>>> Abraço
>>>>>>>>>
>>>>>>>>> Adonai
>>>>>>>>>
>>>>>>>> Em sex, 9 de out de 2020 às 5:42 PM, Valeria de Paiva <
>>>>>>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>>>>>>
>>>>>>>> Marcio, Samuel,
>>>>>>>>>> e voces conseguem dizer *por que* o principio da particao 'vale
>>>>>>>>>> em ZF, mas o axioma da escolha nao?
>>>>>>>>>> porque tinha uma razao pra pensar que eles seriam equivalentes,
>>>>>>>>>> ne?
>>>>>>>>>> qual era essa razao?
>>>>>>>>>> obrigada,
>>>>>>>>>> Valeria
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>> On Fri, Oct 9, 2020 at 1:32 PM samuel <[email protected]> wrote:
>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>> Caros,
>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>> Renato Brodzinski (outro dos autores) tinha me avisado mais cedo
>>>>>>>>>>> desse trabalho. Por acaso, o seminário que eu vou apresentar em 
>>>>>>>>>>> novembro
>>>>>>>>>>> fala, precisamente, do Princípio da Partição !
>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>> Se tudo der certo, eles resolveram só o problema mais antigo da
>>>>>>>>>>> Teoria dos Conjuntos (com mais de 100 anos em aberto).
>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>> Atés e parabéns pelo trabalho,
>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>> []s  Samuel
>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>> Em sexta-feira, 9 de outubro de 2020 às 08:29:14 UTC-4,
>>>>>>>>>>> marciopalmares escreveu:
>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> Olá, pessoal!
>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> Estamos divulgando nosso trabalho sobre a teoria Flow, uma
>>>>>>>>>>>> teoria geral sobre funções, cujo propósito inicial era fornecer um
>>>>>>>>>>>> framework tanto para a teoria de categorias quanto para ZF. No 
>>>>>>>>>>>> meio do
>>>>>>>>>>>> caminho, Adonai resolveu o problema em aberto do princípio da 
>>>>>>>>>>>> partição,
>>>>>>>>>>>> isto é, construiu um modelo para ZF em Flow em que vale o 
>>>>>>>>>>>> princípio da
>>>>>>>>>>>> partição mas não o axioma de escolha, e agora a Teoria Flow conta 
>>>>>>>>>>>> com um
>>>>>>>>>>>> cartão de visitas muito legal!
>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> Uma prévia do trabalho está disponível no arXiv:
>>>>>>>>>>>> https://arxiv.org/abs/2010.03664
>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> O objetivo de divulgar o preprint é recolher críticas,
>>>>>>>>>>>> sugestões, antes da submissão para um periódico. Então, todas as 
>>>>>>>>>>>> críticas
>>>>>>>>>>>> são bem-vindas!
>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> Obrigado!
>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> Abraços!
>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>> M.
>>>>>>>>>>>>
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>>>>>>>>>> Valeria de Paiva
>>>>>>>>>> http://vcvpaiva.github.io/
>>>>>>>>>> http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/
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>>>>>>>>> Adonai S. Sant'Anna
>>>>>>>>> DMAT/UFPR
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>>>>> http://vcvpaiva.github.io/
>>>>> http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/
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