Caro JM

Eu fiquei trabalhando principalmente sobre a relação sequentes
/ bivalorações, não diretamente sobre semânticas multivaloradas matricias,
com foi o seu caso, provavalemente na influencia da escola campinheira.
E o aspeco efetivo existe sim.

O sistema de sequentes que eu fiz para a lógica L3 de  Lukasiewicz foi
baseado na semântica bivalorada do Suszko, que eu re-organizei um
pouquinho, não a partir de matrizes trivalorades..
“A sequent calculus for Lukasiewicz’s three-valued logic based on Suszko’s
bivalent semantics”, Bulletin of the Section of Logic, 28 (1999), pp.89-97.
http://www.jyb-logic.org/bsl-luk.pdf
(Alguem tinha falado que era impossivel fazer um cálculo de sequentes para
L3 ..., não sei porque!)
E no outro sentido, a semântica bivalorada que eu apresentei para a logica
quadrivalorade de Dunn-Belnap,
“Bivalent semantics for De Morgan logic (the uselessness of
four-valuedness)", in W.A.Carnielli, M.E.Coniglio, I.M.L.D'Ottaviano (eds),
The many sides of logic, College Publication, London, 2009, pp.391-402.
http://www.jyb-logic.org/papers/morgan.pdf
eu fiz a partir de um sistema de sequentes (que não foi eu que inventei)
para essa lógica.
Aqui também então não trabalhei diretamente a partir de matrizes lógicas.

Nunca trabalhei  diretamente sobre as relações entre semantica bivalorada e
semânticas multivaloradas matriciais.
Mas expliquei como criar semânticas multivalorades não matricais ja num
artigo de 1990:
 “Logiques construites suivant les méthodes de da Costa”, Logique et
Analyse, 131-132 (1990), pp.259-272.
https://www.jyb-logic.org/papers/dacosta-methods.pdf
Anos depois escrevi um artigo sobre esta assunto de semânticas
multivaloradas não matriciais,
 “Non truth-functional many-valued semantics”, in Aspects of Universal
Logic, J.-Y.Béziau, A.Costa-Leite and A.Facchini (eds), Université de
Neuchâtel, Neuchâtel, 2004, pp.199-218
http://www.jyb-logic.org/nottmany.pdf
que até hoje é um assunto muito pouco conhecido /estudado.

O início de meu trabalho foi de construir um sistema de sequentes para a
lógica paraconsistente C1, isso foi feito no meu mestrado de lógica
matemática em Paris 7 (em 1990)
E logo depois fiz também sistemas de sequentes para as
lógicas paracompletas e  não atléticas  de Loparic e da Costa
 “Calcul des séquents pour logique non-alèthique”, Logique et Analyse,
125-126 (1989), pp.143-155.
https://www.jyb-logic.org/papers/nonalethique.pdf
Para fazer isso eu estava usando uma correspondência intuitiva entre
 sequentes e bivalorações.
Consegui a mostrar que isso de fato funcionava na base de um teorema que
levei alguns anos para formalizar / provar, foi em agosto de 1994 em São
Paulo.
Uma das ideias que usei  na prova vem de um artigo do Gentzen:
G.Gentzen, “Uber die Existenz unabhängiger Axiomensysteme zu unendlichen
Satzsystemen”, Mathematische Annalen, 107 (1933), 329–350
https://link.springer.com/article/10.1007/BF01448897
ligado ao trabalho do Hertz (antes dele formular sistemas de seqentes), com
explico aqui
"Monosequent Proof Systems"
http://www.jyb-logic.org/MONO

Este teorema que eu provei permite de ter sim um procedimento efetivo para
transformar regras de sistemas de sequentes em semântica bivalorade,
com explicado  no exemplo da implicação na página dois de meu artigo:
 “Sequents and bivaluations”, Logique et Analyse, 44 (2001), pp.373-394.
http://www.jyb-logic.org/seqbiv.pdf
Peguei este exemplo para apontar que este mecanismo não funciona para
qualquar sistema de sequentes,
se for o caso, a implicação intuitionista teria a mesma semântica que a
clássica, ja que as regras são as mesmas, a diferença sendo a nivel da
estrutra dos sequentes.
Meu teorema depende de algumas condições caracterizadas através da noção de
SSSS (Structurally Standard Systems of Sequents).
Geralmente lógicas que não tem  semânticas multivaloradas matriciais
finitas, seja a lógica intuicionista, ou as lógicas modais mais conhecidas,
que eu saiba não tem SSSS.

Um abraço
JYB

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