Vamos convidar o Marcelo Viana para a Lista de Lógica, agora que ele
descobriu que falar dos  fundamentos da matemática dá mais "ibope"  do que
falar sobre sistemas dinâmicos e teora ergodica!

Aliás,  os leitores da Folha ganhariam mais se ele escrevesse  sobre teoria
ergodica...

W.

Em sex, 5 de out de 2018 22:43, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:

> A crise dos fundamentos da matemática - parte 2
> Antes dos computadores, matemáticos questionavam o que pode ser
> calculado objetivamente
> -- Marcelo Viana, Diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e
> Aplicada, ganhador do Prêmio Louis D., do Institut de France
> 03/10/2018
>
> https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2018/10/a-crise-dos-fundamentos-da-matematica-parte-2.shtml
>
>
> Quando alguém prova que um teorema é verdadeiro, podemos ter certeza
> que não virá outra pessoa provar que é falso? Esta pergunta preocupava
> os matemáticos na virada do século 20. A teoria dos conjuntos, então
> recentemente criada por Georg Cantor, exibia muitos paradoxos ligados
> à ideia de infinito, e havia o temor de que contaminassem outras áreas
> da matemática.
>
> Foram propostas várias saídas. A mais famosa foi formulada por David
> Hilbert. Ele proponha listar um certo número de fatos fundamentais
> (axiomas), a partir dos quais seriam provadas todas as demais
> afirmações da matemática (teoremas), por meio de raciocínios
> rigorosos. Um objetivo crucial seria mostrar, de modo igualmente
> rigoroso, que não há teoremas ao mesmo tempo verdadeiros e falsos
> (consistência).
>
> O “programa de Hilbert”, como ficou conhecido, influenciou muitos
> trabalhos realizados na primeira metade do século 20, inclusive pelo
> grupo Nicolas Bourbaki, de que falei recentemente, e também esteve na
> origem dos resultados de Kurt Gödel, um dos pensadores mais profundos
> desse século.
>
> Nos anos 1930, Gödel provou um resultado desconcertante, chamado
> primeiro teorema de incompletude: em qualquer sistema de axiomas
> suficientemente forte para conter a aritmética –com as operações de
> adição e multiplicação–, existem teoremas que são verdadeiros e, no
> entanto, não podem ser provados!
>
> Mas o pior (ou melhor) ainda estava por vir: em seu segundo teorema de
> incompletude, Gödel provou que a consistência de um tal sistema de
> axiomas não pode ser provada sem usar axiomas mais fortes (cuja
> consistência teria de ser provada a partir de outros ainda mais fortes
> etc).
>
> Esse foi um golpe duro no programa de Hilbert, embora não o tenha
> eliminado. Por essa altura, a mecânica quântica estava ensinando aos
> físicos que há limites do que podemos conhecer na natureza, e os
> teoremas de Gödel tiveram um papel semelhante no domínio da
> matemática. Eles também tiveram um papel fundamental na gênese da
> computação teórica.
>
> Ainda antes do advento dos computadores, matemáticos se perguntavam o
> que pode realmente ser calculado de maneira objetiva. Por exemplo,
> será que é possível analisar um teorema e decidir, por meio de um
> cálculo, se ele é verdadeiro?
>
> Foram propostas várias ideias para responder a estas perguntas,
> inclusive o famoso conceito de “máquina de Turing”, uma espécie de
> computador abstrato proposto em 1936 pelo britânico Alan Turing.
>
> Na sequência foi provado que as resposta à pergunta acima é negativa:
> computadores não podem calcular a veracidade de teoremas. Não fora
> assim, talvez a esta altura nós matemáticos estivéssemos
> desempregados!
>
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