Colapso de cardinais: vc vê na prova, direitinho, essas aplicações que existem ou não, conforme o modelo.
Sent from my iPhone > On Jun 16, 2016, at 10:16 AM, Hermógenes Oliveira > <hermogenes.olive...@student.uni-tuebingen.de> wrote: > > Samuel Gomes escreveu: > >> Oi Hermógenes, > > Oi, Samuel. Obrigado pelos esclarecimentos! Ainda tenho algumas > questões, se não for abusar demais da sua paciência (e da lista). > >> --> A coisa dos "modelos pensantes" é simplesmente um jargão. Dizer >> que um modelo M "pensa" uma certa asserção phi é simplesmente >> dizer que M modela phi, i.e., que phi é válida em M, que phi é >> verificada em M. > > Hum. Acho o jargão meio esquisito, mas tudo bem. > > Então, baseado nas suas explicações abaixo, a frase "this model must > think that ZFC has no model" significa que um certo modelo M de ZFC > modela, ou satisfaz, a sentença gödeliana ⌜φ⌝ que "expressa" a > inconsistência de ZFC. É isso? > >> Exemplo: por Lowenheim-Skolem "pra baixo", a teoria dos reais (em >> primeira ordem) tem modelo enumerável. Então podemos ter uma estrutura >> enumerável M no qual todas as sentenças sobre os reais são válidas, >> quando relativizadas a M (existe x = existe x em M, para todo x = para >> todo x em M, e assim por diante). >> >> O que choca inicialmente as pessoas é: como pode existir um modelo >> enumerável de algo que é não-enumerável ? Esse seria o tal do Paradoxo >> de Skolem... >> >> Pois é, o que ocorre é que o tal modelo enumerável "pensa" que é >> não-enumerável. Pois todas as funções que sobrejetam os naturais em M >> estão FORA do modelo: eu olhando de fora sei que ele é enumerável, mas >> "lá dentro" as tais funções que o enumeram não estão, essas funções >> não pertencem a M. "Na opinião dele", ele é enumerável - pois a >> sentença "Não existe bijeção entre a estrutura e os naturais" é >> verificada, é válida lá. > > Imagino que aqui você quis dizer: "Na opinião dele, ele *não* é > enumerável — pois a sentença "Não existe bijeção entre a estrutura e os > naturais" é verificada, é válida lá." > > Ou eu perdi alguma sutileza? > >> (É a velha historinha de que a formiguinha que está andando sobre a >> mesa não consegue enxergar a terceira dimensão: ela "pensa" que >> o mundo é bidimensional, porque o modelo onde ela vive é assim). >> >> --> você pergunta "por quê" estamos usando o Teorema de Completude >> para ZFC, então não tenho certeza >> se realmente a sua pergunta é sobre "por quê" ou "como", então vou >> aproveitar a oportunidade para >> dar respostas rápidas para ambas... >> >> "Por quê ?": se a pergunta foi essa, talvez você esteja confundindo >> completude SEMÂNTICA (= "se é consistente, tem modelo") com >> completude SINTÁTICA (="toda sentença pode ser provada ou refutada"). > > De fato, eu estava pensando em completude sintática. > > Quando o Noah Schweber começou uma frase com "by completeness" e a frase > seguinte com "by incompleteness", minha cabeça girou... > > Por isso, prefiro chamar o primeiro teorema de Gödel de teorema de > *indecidibilidade*, pois, caso contrário, sempre acabo metendo os pés > pelas mãos com a distinção que você faz acima. > >> [...] >> >> ZFC não prova Con(ZFC) - ou seja, Con(ZFC) não é consequência >> sintática de ZFC. ("Claro que na verdade não prova nem refuta, mas >> sigamos só disso") >> >> Por Completude, se não é consequência sintática então não é >> consistência semântica. >> >> Então não é verdade que Con(ZFC) seja válido em todos os modelos de >> ZFC. >> >> Portanto, existe um modelo de ZFC no qual Con(ZFC) não é válido. Esse >> é um tal modelo que "pensa que não existe" - pois, dentro dele, a >> asserção "existem modelos de ZFC" (que é equivalente a "ZFC é >> consistente", por Soundness + Completeness) não é verificada. >> >> ... Notar que, também por completude, deverão existir modelos de ZFC >> onde Con(ZFC) é válido e também deverão existir modelos de ZFC onde >> Con(ZFC) não é válido ("se todos os modelos concordassem, existiria >> uma prova", essencialmente é isso que Completude diz). Aí podemos >> aplicar Soundness e chegar em Con(Con (ZFC)) e Con(não Con(ZFC)), ou >> seja, Con(ZFC) é independente de ZFC. > > Achei a sua explicação bem melhor do que a do Noah. Ademais, talvez por > causa da dissolução do jargão, sua explicação não soa tão misteriosa. > > Além do jargão, algo que me escapou na resposta do Noah e que ficou mais > claro na sua é como usar consistência, que Gödel mostrou como codificar > para dentro da teoria, e completude semântica (consistência ≡ existência > de modelo) para "expressar" noções como "(não) tem modelo" dentro da > teoria. > > Agora, devo admitir que essa conversa toda de "modelo pensante" e > "modelo de ZFC dentro do qual ZFC não tem modelo", me soa *muito* > suspeita: terminologia, alegações e asserções tão misteriosas (eu diria > até mesmo místicas) para expressar algo tão simples. Deve ser por isso > que eu fujo de teoria dos modelos que nem o diabo da cruz... > >> ... Espero que ajude, > > Ajudou bastante. Obrigado, novamente. > > Abraços, > > -- > Hermógenes Oliveira > > -- > Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos > Grupos do Google. > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um > e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. > Visite este grupo em > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. > Para ver esta discussão na web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/87h9ctl1e0.fsf%40camelot.oliveira. -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. Visite este grupo em https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/. 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