João
Concordo inteiramente com o Walter. Você deveria estender o seu comentário para 
um artigo em uma revista de divulgação como Galileu (?) ou Sci. Am. BR ou um 
jornal mesmo, como a Folha. Bacana.
Abraço
D



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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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> Em 26/12/2013, às 10:42, Walter Carnielli <[email protected]> 
> escreveu:
> 
> Caro João,
> 
> caramba, voce deveria  escrever  para  jornais! Onde  você aprendeu tudo 
> isso??
> 
> Pelo que vimos: a graça, se dada em tempo,  teria  servido a Turing
> para extinguir a pena, mas dada extemporaneamente não serviu para
> nada. A  pena ele já cumpriu (só  interrompida  pelo singelo fato de
> que morreu, aparentemente vítima do serviço secreto de Sua Majestade),
> e a culpa permanece.
> 
> Não sabia disso, apesar de ter assinado  a e-petição. Mas duvido que
> mesmo o Barry Cooper saiba da distinção entre "pardon", "grace" e
> "mercy"...
> 
> Feliz ano novo,
> 
> Walter
> 
> Em 26 de dezembro de 2013 01:35, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
>> Há um problema de tradução aí.  O "perdão real" concedido pela chamada
>> <royal prerogative of mercy> não exime o criminoso de culpa, nem
>> sequer reconhece falta no processo que o condenou.  No Brasil o termo
>> jurídico para isso é "graça", que pode ser concedida apenas pelo Chefe
>> de Estado (ver artigos 734-742 do Código Penal: "Da Graça do Indulto,
>> e da Anistia" --- nenhum dos três termos, contudo, deve ser confundido
>> com o uso coloquial de "perdão").
>> 
>> A Rainha E2 não "pediu desculpas" a Turing, mas simplesmente
>> agraciou-o.  Concedida na hora certa (isto é, antes do cumprimento da
>> condenação), a graça teria lhe servido para extinguir a pena, como um
>> dia serviu ao pirata Barbanegra, agraciado pela Coroa Britânica e
>> algum tempo depois morto pela Marinha Estadunidense --- que, afinal,
>> não devia satisfações a um rei saxão.  Com efeito, Turing está agora
>> na companhia seleta de vários dos condenados que fundaram a Austrália,
>> do 1o Marquês do Maranhão (Lord Cochrane, grande heroi da
>> Independência Peruana, condecorado por D. Pedro I), mais um par de
>> piratas, alguns blasfemos ou apóstatas, uns tantos assassinos, um
>> oficial nazista condecorado, o judeu criador da sub-metralhadora mais
>> popular do mundo, e diversas pessoas dos partidos políticos errados:
>>  http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Recipients_of_British_royal_pardons
>> Sim, há também na brevíssima lista um economista, John Law --- uma
>> clemência difícil de explicar, neste caso.
>> 
>> Concedida post-mortem, a "graça" é figura jurídica tão útil quanto a
>> própria Rainha da Inglaterra.
>> 
>> A "graça" exime a responsabilidade do cidadão pelo delito que ele de
>> fato cometeu, e com isso extingue a punibilidade.  No Brasil, o
>> "indulto" é a forma de graça concedida pela Presidência da República a
>> uma coletividade, e também pressupõe a condenação.  É popular também o
>> indulto natalino oferecido amplamente pelo papa aos seus seguidores
>> nesta época do ano.  Por fim, a "anistia" (em Portugal, "amnistia"),
>> ou mesmo o "perdão", podem ser concedidas pela autoridade legisladora
>> a qualquer momento do processo, e tem por efeito o "esquecimento da
>> infração penal".  Note-se assim que a anistia tem caráter de
>> generalidade e diz respeito ao fato que causa a punição: ao extinguir
>> o próprio crime, ela por consequência beneficia o réu.  Já o "perdão"
>> é concedido pelo magistrado em circunstâncias excepcionais, como
>> quando "as consequências da infração atingiram ao próprio agente de
>> forma tão grave que a pena se torna desnecessária" (por exemplo,
>> quando o pai perde um filho por tê-lo deixado fechado dentro do
>> carro).
>> 
>> Em inglês jurídico, "indulto" com mais frequência se diz <pardon> do
>> que <mercy>, e às vezes tem o efeito adicional de "perdão" (daquele
>> que consiste na remissão total dos pecados) --- com isso só
>> confundindo mais as coisas para todos nós, pobres mortais.
>> 
>> * * *
>> 
>> Quem tiver interesse histórico no assunto pode ler mais sobre o
>> decreto-lei vitoriano que criminalizou a homossexualidade masculina
>> ("An Act to make further provision for the Protection of Women and
>> Girls, the suppression of brothels, and other purposes"):
>>  http://en.wikipedia.org/wiki/Criminal_Law_Amendment_Act_1885
>> 
>> * * *
>> 
>> Uma boa pergunta seria: a Câmara dos Lordes ou o Parlamento Britânico
>> terão oficialmente concedido anistia ao crime de "gross indecency",
>> pelo qual foram condenados Alan Turing, Oscar Wilde, e outros tantos
>> cujos nomes a história esqueceu?  Bem, quem quiser acompanhar em
>> particular o processo (ainda em andamento!) de "perdão estatutário" a
>> Alan Turing pelo Parlamento, pode fazê-lo por RSS ou email:
>>  http://services.parliament.uk/bills/2013-14/alanturingstatutorypardon.html
>> Este é certamente um serviço público interessante para os 37.404
>> assinantes da e-petição que deu partida ao processo
>> (http://epetitions.direct.gov.uk/petitions/23526), e outros curiosos.
>> Já já veremos no que vai dar.  Curiosamente, uma e-petição recente
>> solicitando o mesmo perdão estatutário a *todos* os condenados por
>> ofensas de "flagrante indecência" colheu apenas 278 assinaturas, vejam
>> só:
>>  http://epetitions.direct.gov.uk/petitions/50203
>> Neste momento a e-petição mais popular, ainda em aberto, já com mais
>> de 100 mil assinaturas, diz respeito à proibição da venda de cãezinhos
>> e gatinhos sem a presença de suas respectivas mães
>> (http://epetitions.direct.gov.uk/petitions/49528).  Se conseguir
>> angariar tantas assinaturas assim, o Turing ainda pode ir parar na
>> nota de 10 libras (http://epetitions.direct.gov.uk/petitions/31659).
>> 
>> * * *
>> 
>> Boas Festas a todos,
>> JM
>> 
>> 
>> 2013/12/25 josé carlos cifuentes <[email protected]>:
>>> Olá pessoal, antes de mais nada felizes festas de fim do ano a todos.
>>> Com o devido respeito ao Turing que eu admiro muito, ele não recebeu o
>>> perdão real por ser gay senão por ser Turing. Então, somos forçados
>>> a inferir (como lógicos?) que os outros gays que não são Turing não merecem
>>> hoje o perdão real. Aqui no Brasil acontecem coisas ligeiramente parecidas
>>> (e nós nem como intelectuais percebemos): certos políticos, que
>>> denominaremos "X", cometem um determinado crime, porém basta que pagam a
>>> despesa produzida e não paguem pelo crime para estar tudo bem. Se um
>>> indivíduo "y", que não é "X", pretende fazer o mesmo, ele é condenado.
>>> Há algo pior que todo isso, está se promovendo uma nova "ética" que as
>>> novas gerações estão absorbendo e nós, professores universitários, uma das
>>> cabezas pensantes da sociedade, não fazemos nada.
>>> É só pra refletir neste Natal.
>>> Um forte abraço.
>>> Cifuentes
>>> 
>>> 
>>> Em 24 de dezembro de 2013 10:01, bedregal <[email protected]> escreveu:
>>> 
>>>> Emfim hoje Alan Turing recebeu o perdao...quem deveria pedir perdao é o
>>>> governo Ingles pelo castigo imposto ao Turing...
>>>> 
>>>> http://noticias.terra.com.br/mundo/condenado-por-ser-gay-
>>>> homem-que-quebrou-codigo-nazista-recebe-perdao,
>>>> 3e5425e754013410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html
>>>> 
>>>> Abracos e para todos na lista deixo, desde Natal, meus votos de um otimo
>>>> Natal
>>>> 
>>>> Benja
>> 
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> Prof. Dr. Walter Carnielli
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> Fax: (+55) (19) 3289-3269
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