É um tema comum mas importante, Luis: a questão de saber se a racionalidade
coincide com as lógicas conhecidas ou se há uma dimensão da racionalidade
extra-lógica. Recomendo a leitura dos artigos do Walter Carnielli:

CARNIELLI, Walter (2009). *Uma lógica da modalidade econômica?* In *Revista
Brasileira de Filosofia*, v. 232, p. 209-225.

(2010). *On a Theoretical Analysis of Deceiving: How to Resist a Bullshit
Attack*. *CLE e-Prints*, vol. 10(2).
Basicamente, através da lógica se pode modelar uma racionalidade
não-humana, embora haja aspectos da racionalidade humana que ainda estejam
por descobrir ou que mesmo já descobertos escapam à tradição lógica. Agora,
os nomes que se dão aos processos em questão, a saber, dedução, inferência,
consequência, etc., são uma opção de cada autor.

Em 3 de janeiro de 2013 22:34, Luis Rosa <[email protected]> escreveu:

> Caro João,
>
> Não li o capítulo 3 da tese que você recomendou, mas queria observar: em
> epistemologia analítica alguns autores (Goldman, Harman) não só observam
> que inferência não é a mesma coisa que derivação ou dedução lógica, mas
> também que inferências racionais não necessariamente obedecem aos padrões
> de derivação lógica. Parece correto dizer que inferências são processos
> cognitivos, ao passo que derivações lógicas são relações entre sentenças de
> acordo com determinadas regras. Uma inferência em particular eventualmente
> instancia um padrão de inferência racional (que pode ser representado
> algoritmicamente), e tal padrão de inferência pode ter uma relação de
> isomorfia estrutural com uma regra de derivação. Tal relação se dá, porém
> entre o* type* do processo inferencial e a regra de derivação (não entre o
> *
> token* do processo inferencial e a regra de derivação).
>
> (já lendo o paper do JYB - obrigado pela sugestão!)
>
> X_x
> LR
>
>
> On Thu, Jan 3, 2013 at 9:29 PM, Joao Marcos <[email protected]> wrote:
>
> > > O meu artigo de 1999
> > > RULES, DERIVED RULES, PERMISSIBLE RULES
> > > AND THE VARIOUS TYPES OF SYSTEMS OF DEDUCTION
> >
> > Sobre este tema recomendo a leitura do ótimo artigo de Jean-Yves, e
> > sugiro também a leitura de:
> >
> > R. Fagin, J.Y. Halpern, M.Y. Vardi, What is an inference rule?, J.
> > Symbolic Logic 57 (3) (1992) 1018–1045.
> >
> > Sobre a diferença, igualmente pertinente à discussão, entre *regras de
> > inferência* e *regras de dedução* sugiro a leitura do elegante e
> > 'moderno' capítulo 3 de:
> >
> > C. Caleiro, Combining logics, PhD thesis, IST, Universidade Técnica de
> > Lisboa, 2000,
> > http://www.cs.math.ist.utl.pt/ftp/pub/CaleiroC/00-C-PhDthesis.ps
> >
> > Abraços,
> > Joao Marcos
> >
> > --
> > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/
> >
>
>
>
> --
> *Luis Rosa                            *
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