Carlos
Pois é...mais uma vez. Os tais teoremas de Gödel  de fato parecem encabeçar a 
lista dos resultados sobre os quais mais bobagens se fala. Até o Stephen 
Hawking andou dando as suas patadas (o único modo que ele tem de dar patadas, 
coitado...ôpa, deslizei de novo - espero que ninguém deseje a mim ou aos meus a 
mesma doença...) sobre o teorema. Mas o livro da Rebeca é de fato um marco na 
história das obras ruins. 
E a comunidade de lógicos, não deveria se pronunciar? Creio que este é um mal 
nosso: sempre dizemos "deixe prá lá, tenho mais coisas a fazer", principalmente 
das 8h às 18h (horário oficial).
D.

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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 01/12/2011, às 17:47, Carlos Gonzalez <[email protected]> escreveu:

> Décio e lista,
> 
> Realmente seria um bom exercício encontrar falácias no artigo e no
> blog. Essa Carla responde para o Homo Erectus:
> 
> "Homo, vc está totalmente equivocado. E sobretudo, é incoerente. Note
> que seu método de contestação é baseado apenas na leitura que Jacques
> Bouveresse faz – o que é só uma leitura, uma interpretação. Na sua
> argumentação o que vc apresenta como fundamentos são, na verdade,
> interpretações. Note ainda que vc tem todo o direito de apresentá-las,
> desde que Bouveresse faz a mesma coisa que Debray ou Derrida…uma
> leitura de Godel. Não se trata de ser relativista, se trata apenas de
> que vc não tem refutações científicas, tem apenas uma interpretação em
> que se apoiar. A diferença é que eu admito estar apoiada numa
> interpretação. Já vc…"
> 
> Com um Ad Hominem tão agressivo, deve ser difícil dialogar nas aulas
> dessa senhora. Além disso, citar somente um autor é dar somente uma
> interpretação: "vc não tem refutações científicas, tem apenas uma
> interpretação". Tanto faz Derrida ou Hao Wang: "uma leitura de Godel".
> 
> Pelo contrário, esse Homo Erectus afirma:
> "Gödel era um realista platônico, acreditava que os números eram
> entidades reais que habitavam um domínio de verdades eternas não
> necessariamente deduzidas pela mente humana."
> 
> Entretando, a "interpretação" escolhida pela Carla é um livro de fofocas:
> 
> "Os teoremas de Gödel tiveram conseqüências para o pensamento sobre a
> natureza da verdade, do conhecimento e da certeza, como demonstra o
> livro “Incompletude: a prova e o paradoxo de Gödel”, em que a autora,
> Rebecca Goldstein, conta histórias saborosas e as idiossincrasias de
> um gênio louco, autor de descobertas matemáticas indecifráveis, em
> texto acessível a leitores leigos."
> 
> Vejam que o livro que ela usa não é "uma interpretação", pois fala
> "como demonstra o livro". Como os "verbos irregulares": meu livro
> demonstra, teu livro interpreta.
> 
> "The necessary incompleteness of even our formal systems of thought
> demonstrates that there is no non-shifting foundation on which any
> system rests."
> 
> Eu não sei o que são os "nossos sistemas formais de pensamento" nesse
> contexto. Sei, como muitos nesta lista, que existem belos sistemas
> formais completos em primeira ordem, como os corpos algébricos
> ordenados ou as álgebras de Boole sem átomos.
> 
> Por último: quando vemos que existe esse grau de confusão com relação
> aos teoremas de Gôdel, penso que não está demais colocar a hipótese de
> consistência que esses teoremas usam: "se a Aritmética de Peano é
> consistente, então existem proposições indecidíveis". O saudoso Daniel
> Glushankof ironizava esses casos de desconhecimento do teorema de
> Gödel dizendo: "Gödel demonstrou que a AP é inconsistente, pois
> intuitivamente ela é completa".
> 
> Carlos
> 
> 
> 2011/12/1 Décio Krause <[email protected]>:
>> Pois é, Walter, um bom exercício seria procurar os erros no artigo, a 
>> começar pelo ano de 1930. Quem achar menos de 10 está reprovado. E no blog 
>> dela, e ela faz questão de dizer que nele ela faz o que quer, ainda contesta 
>> um tal de Homus Erectus que procura dar uma luz ao tema, ainda que também 
>> exagere um pouco quando diz que Gödel decretou o fim do processo 
>> lógico-dedutivo (ou algo assim, estou sem o texto). A autora é professora da 
>> PUC-RJ, espero que não de lógica...
>> D
>> 
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>> Décio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
>> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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>> 
>> 
>> Em 01/12/2011, às 15:32, Walter Carnielli <[email protected]> 
>> escreveu:
>> 
>>> Publicado no Caderno EU&, do jornal Valor, sexta-feira, 7 de novembro
>>> --  Paradoxo? Tem algum paradoxo nisso? É contrário à crença de quem,
>>> da Carla jornalista?
>>> 
>>> "...cujo paradoxo está em não poder ser nem provadas nem refutadas, ..."
>>> 
>>> --- Gödel mulherengo  famoso  no Círculo de Viena?  Será que ela
>>> copiou isso  daquele   livrinho de fofocas da  Rebecca Goldsltein?
>>> "Os episódios pitorescos vão desde a sua fama de mulherengo – famosa o
>>> no Círculo de Viena,..""
>>> 
>>> 
>>> --- Newton  e  Dória culpados de "repercutir "   Gödel  no Brasil, só
>>> em 1991?   :- )    " No Brasil, sua obra teve repercussão em 1991,
>>> quando os pesquisadores Newton da Costa e Francisco Doria,
>>> respectivamente doutores em Matemática e Física, demonstraram que a
>>> indecidibilidade se aplica também à teoria do caos... "
>>> 
>>> 
>>> Abs,
>>> 
>>> Walter
>>> 
>>> 
>>> Em 1 de dezembro de 2011 15:11, Décio Krause <[email protected]> 
>>> escreveu:
>>>> Caros lógicos
>>>> Vejam o texto em http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570
>>>> sobre os teoremas (de incompletude, claro) de Gödel e tirem suas próprias 
>>>> conclusões. A autora é de uma capacidade incrível para dizer tolices sobre 
>>>> o que certamente não conhece.
>>>> D.
>>>> 
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