Décio e lista,

Realmente seria um bom exercício encontrar falácias no artigo e no
blog. Essa Carla responde para o Homo Erectus:

"Homo, vc está totalmente equivocado. E sobretudo, é incoerente. Note
que seu método de contestação é baseado apenas na leitura que Jacques
Bouveresse faz – o que é só uma leitura, uma interpretação. Na sua
argumentação o que vc apresenta como fundamentos são, na verdade,
interpretações. Note ainda que vc tem todo o direito de apresentá-las,
desde que Bouveresse faz a mesma coisa que Debray ou Derrida…uma
leitura de Godel. Não se trata de ser relativista, se trata apenas de
que vc não tem refutações científicas, tem apenas uma interpretação em
que se apoiar. A diferença é que eu admito estar apoiada numa
interpretação. Já vc…"

Com um Ad Hominem tão agressivo, deve ser difícil dialogar nas aulas
dessa senhora. Além disso, citar somente um autor é dar somente uma
interpretação: "vc não tem refutações científicas, tem apenas uma
interpretação". Tanto faz Derrida ou Hao Wang: "uma leitura de Godel".

Pelo contrário, esse Homo Erectus afirma:
"Gödel era um realista platônico, acreditava que os números eram
entidades reais que habitavam um domínio de verdades eternas não
necessariamente deduzidas pela mente humana."

Entretando, a "interpretação" escolhida pela Carla é um livro de fofocas:

"Os teoremas de Gödel tiveram conseqüências para o pensamento sobre a
natureza da verdade, do conhecimento e da certeza, como demonstra o
livro “Incompletude: a prova e o paradoxo de Gödel”, em que a autora,
Rebecca Goldstein, conta histórias saborosas e as idiossincrasias de
um gênio louco, autor de descobertas matemáticas indecifráveis, em
texto acessível a leitores leigos."

Vejam que o livro que ela usa não é "uma interpretação", pois fala
"como demonstra o livro". Como os "verbos irregulares": meu livro
demonstra, teu livro interpreta.

"The necessary incompleteness of even our formal systems of thought
demonstrates that there is no non-shifting foundation on which any
system rests."

Eu não sei o que são os "nossos sistemas formais de pensamento" nesse
contexto. Sei, como muitos nesta lista, que existem belos sistemas
formais completos em primeira ordem, como os corpos algébricos
ordenados ou as álgebras de Boole sem átomos.

Por último: quando vemos que existe esse grau de confusão com relação
aos teoremas de Gôdel, penso que não está demais colocar a hipótese de
consistência que esses teoremas usam: "se a Aritmética de Peano é
consistente, então existem proposições indecidíveis". O saudoso Daniel
Glushankof ironizava esses casos de desconhecimento do teorema de
Gödel dizendo: "Gödel demonstrou que a AP é inconsistente, pois
intuitivamente ela é completa".

Carlos


2011/12/1 Décio Krause <[email protected]>:
> Pois é, Walter, um bom exercício seria procurar os erros no artigo, a começar 
> pelo ano de 1930. Quem achar menos de 10 está reprovado. E no blog dela, e 
> ela faz questão de dizer que nele ela faz o que quer, ainda contesta um tal 
> de Homus Erectus que procura dar uma luz ao tema, ainda que também exagere um 
> pouco quando diz que Gödel decretou o fim do processo lógico-dedutivo (ou 
> algo assim, estou sem o texto). A autora é professora da PUC-RJ, espero que 
> não de lógica...
> D
>
> ------------------------------------------------------
> Décio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ------------------------------------------------------
>
>
> Em 01/12/2011, às 15:32, Walter Carnielli <[email protected]> 
> escreveu:
>
>> Publicado no Caderno EU&, do jornal Valor, sexta-feira, 7 de novembro
>> --  Paradoxo? Tem algum paradoxo nisso? É contrário à crença de quem,
>> da Carla jornalista?
>>
>> "...cujo paradoxo está em não poder ser nem provadas nem refutadas, ..."
>>
>> --- Gödel mulherengo  famoso  no Círculo de Viena?  Será que ela
>> copiou isso  daquele   livrinho de fofocas da  Rebecca Goldsltein?
>> "Os episódios pitorescos vão desde a sua fama de mulherengo – famosa o
>> no Círculo de Viena,..""
>>
>>
>> --- Newton  e  Dória culpados de "repercutir "   Gödel  no Brasil, só
>> em 1991?   :- )    " No Brasil, sua obra teve repercussão em 1991,
>> quando os pesquisadores Newton da Costa e Francisco Doria,
>> respectivamente doutores em Matemática e Física, demonstraram que a
>> indecidibilidade se aplica também à teoria do caos... "
>>
>>
>> Abs,
>>
>> Walter
>>
>>
>> Em 1 de dezembro de 2011 15:11, Décio Krause <[email protected]> 
>> escreveu:
>>> Caros lógicos
>>> Vejam o texto em http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570
>>> sobre os teoremas (de incompletude, claro) de Gödel e tirem suas próprias 
>>> conclusões. A autora é de uma capacidade incrível para dizer tolices sobre 
>>> o que certamente não conhece.
>>> D.
>>>
>>> ------------------------------------------------------
>>> Décio Krause
>>> Departamento de Filosofia
>>> Universidade Federal de Santa Catarina
>>> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
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>> Prof. Dr. Walter Carnielli
>> Director
>> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
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>> 13083-859 Campinas -SP, Brazil
>> Phone: (+55) (19) 3521-6517
>> Fax: (+55) (19) 3289-3269
>> Institutional e-mail: [email protected]
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