Caro Walter,
Sua msg me fez ler o verbete http://plato.stanford.edu/entries/psychologism/ na SEP. Interessante mesmo. Mas como estamos falando de questões linguísticas e terminológicas (no sentido de padronização do vocabulário usado por uma comunidade), e não de lógica pura, ou de lógica matemática, que eram os objetos da Psychologismusstreit, não tem como não resvalar para a psicologia. Ou vc estava se referindo aos atritos verbais entre as msgs? Um abraço, Fernando Náufel, D.Sc. [email protected] http://fnaufel.wordpress.com http://www.uff.br/llarc Professor Adjunto (~Professor Doctor see http://en.wikipedia.org/wiki/Professor#Brazil_and_Portugal) LLaRC - Laboratório de Lógica e Representação do Conhecimento RFM - Depto. de Física e Matemática PURO - Pólo Universitário de Rio das Ostras UFF - Universidade Federal Fluminense Brazil -- 2011/11/7 Walter Carnielli <[email protected]>: > Pessoal, > > sem querer ser chato, mas por isso mesmo não me desculpando de > antemão: é curioso ver como a "Lista Acadêmica Brasileira dos > Profissionais e Estudantes da Área de Lógica" resvala para sua > vertente psico- lógica. > > Os vovôs Frege e Husserl ficariam felizes em saber que a > "Psychologismusstreit" ainda está em pé. > > Abraços, > > Walter > > Em 6 de novembro de 2011 15:35, Hermogenes Hebert Pereira Oliveira > <[email protected]> escreveu: >> Em 06 de novembro de 2011, Fernando Naufel do Amaral escreveu: >>> Eu escrevi "zero premissas". Não "tomo ofensa" (tradução literal de >>> "take offense", que não se usa em português?), mas não acho que eu >>> seja um falante incompetente. >>> >>> Aliás, qual o problema em falar "zero premissas"? >>> >>> Quanto às minhas faculdades mentais, percebo que vc é um daqueles >>> preconceituosos que acham que ser bom orador equivale a ter bom >>> senso e razão. Técnicas de oratória foram desenvolvidas pensando em >>> gente como vc. >>> >>> Por favor, não se ofenda. >> >> Eu não me ofendo. E peço desculpas publicamente, pois aparentemente >> ofendi você, Fernando. Sei que isso não consola muito a pessoa >> ofendida, mas permita-me explicar o que aconteceu. Minha intenção não >> era, de maneira alguma, fazer comentários pessoais a seu respeito. >> Afinal, sequer o conheço pessoamente. Em particular, não pretendia >> dizer que você é um falante incompetente da língua portuguesa ou >> mesmo sugerir qualquer coisa a respeito das suas faculdades mentais. >> Meu objetivo era apenas fazer uma caricatura de certas práticas, das >> quais eu mesmo sou culpado, como disse. Displincentemente, assumi um >> tom que seria apropriado caso estivesse conversando com amigos, mas >> que mostrou-se terrivelmente infeliz numa mensagem a uma lista de >> discussão cuja maioria dos membros não me conhece pessoalmente. >> Relendo agora minha mensagem, percebo que ela pode ser tomada de >> maneira bastante ofensiva e desrespeitosa. Confesso que estou >> envergonhado. Permita-me ainda dizer que não me considero bom orador >> e que a arrogância que pode ser lida em minha mensagem é apenas >> aparente. Enfim, sei que aquilo que escrevi autoriza-o a adotar a >> pior das imagens sobre a minha pessoa. Ainda assim, peço que aceite >> meu pedido de desculpas. >> >>> Sim, nada impede que "provável" tenha dois (ou mais) sentidos. Mas, >>> em uso corrente, só tem um ("algo com grande probabilidade de >>> ocorrer"). >>> >>> Quando vc fala em "imperícia", vc está partindo do pressuposto de >>> que há uma maneira correta (em termos absolutos) de usar a língua. >> >> Não creio que seja necessário um critério _absoluto_. Penso que, >> certamente, temos uma noção de bom uso e mau uso da língua. O que >> pretendia apontar era somente o fato de que tratamos o bom uso da >> língua com uma certa displincência e que poderíamos melhorar nesse >> quesito. Observem que uso a primeira pessoa do plural. Portanto, isso >> não é uma acusação ou julgamento pessoal a respeito desse ou daquele >> colega, mas um convite coletivo a pensarmos sobre o assunto. >> >>> Daí, a pergunta inevitável: quem decide qual é a maneira correta? A >>> ABL? O governo? No nosso caso, a SBL? >>> >>> Engraçado: isto não lembra a controvérsia platonismo X formalismo X >>> intuicionismo na fundamentação da matemática? >>> >>> O idioma existe platonicamente, independente de nós, ou é definido >>> por um conjunto de regras formais totalmente arbitrárias, ou é um >>> conjunto de construções mentais? >>> >>> Acho que estamos sendo amadores também nesta discussão. Lógica, >>> linguística e filosofia têm uma interseção altamente técnica e >>> interessante, mas esta não é a minha área. É a sua? >> >> Não, não é a minha área. Como pode observar, o amadorismo também é da >> minha parte. >> >>> Eu acho que existem dois registros: o técnico e o semitécnico. >>> >>> No registro técnico, é necessário oferecer definições precisas dos >>> termos usados. Se as definições não forem de conhecimento comum, >>> devemos incluí-las no texto (e.g., em um artigo técnico), e aí não >>> há qualquer dúvida quanto aos significados. >>> >>> No registro semitécnico, vale usar termos ambíguos ou imprecisos, >>> tornando seus significados pretendidos mais ou menos claros através >>> do texto, não necessariamente através de definições. >>> >>> De forma alguma a definição de uma terminologia em uma área de >>> atuação é uma questão simples. O pessoal da Medicina e da Biologia >>> vem atacando esse problema há décadas, com padrões, vocabulários, >>> ontologias formais, e outras técnicas e ferramentas. E ainda não >>> chegaram a um consenso. >>> >>> Mas, para mim, a causa principal do nosso "amadorismo" no uso de >>> termos lógicos em português é a seguinte: >>> >>> A maior parte da lógica de verdade (artigos para conferências ou >>> periódicos, relatórios, capítulos de livros, etc.) escrita por >>> lógicos brasileiros em seu dia-a-dia É ESCRITA, ORIGINALMENTE, >>> EM INGLÊS! Depois, se houver necessidade, traduz-se para o >>> português, mas nunca se tem muito tempo (ou conhecimento >>> linguístico) para dedicar à tarefa. >>> >>> Então, para testar este meu palpite, eu pergunto: quantos de vcs >>> fazem lógica originalmente em português? E quantos de vcs fazem >>> rascunhos, anotações e esboços de artigos em inglês (sabendo que o >>> produto vai acabar sendo publicado nesse idioma mesmo)? >>> >>> E mais: quantos de vcs lêem mais livros de lógica em português do >>> que em inglês? >>> >>> Admitamos: a terminologia de lógica que usamos mentalmente está toda >>> em inglês! A tradução para português é um "afterthought". >>> >>> Dever de casa para os puristas: achar uma boa tradução para >>> "afterthought". >> >> Concordo contigo. E creio que, assim como os colegas da Medicina >> devíamos nos preocupar com esse problema. Eu não tenho as soluções. >> Mas creio que podemos melhorar as coisas se, em vez de ignorarmos >> o problema, engajarmos na solução dele. >> >> -- >> Hermógenes Hebert Pereira Oliveira >> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > > > > -- > ----------------------------------------------- > Prof. Dr. Walter Carnielli > Director > Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE > State University of Campinas –UNICAMP > 13083-859 Campinas -SP, Brazil > Phone: (+55) (19) 3521-6517 > Fax: (+55) (19) 3289-3269 > Institutional e-mail: [email protected] > Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
