Pessoal, sem querer ser chato, mas por isso mesmo não me desculpando de antemão: é curioso ver como a "Lista Acadêmica Brasileira dos Profissionais e Estudantes da Área de Lógica" resvala para sua vertente psico- lógica.
Os vovôs Frege e Husserl ficariam felizes em saber que a "Psychologismusstreit" ainda está em pé. Abraços, Walter Em 6 de novembro de 2011 15:35, Hermogenes Hebert Pereira Oliveira <[email protected]> escreveu: > Em 06 de novembro de 2011, Fernando Naufel do Amaral escreveu: >> Eu escrevi "zero premissas". Não "tomo ofensa" (tradução literal de >> "take offense", que não se usa em português?), mas não acho que eu >> seja um falante incompetente. >> >> Aliás, qual o problema em falar "zero premissas"? >> >> Quanto às minhas faculdades mentais, percebo que vc é um daqueles >> preconceituosos que acham que ser bom orador equivale a ter bom >> senso e razão. Técnicas de oratória foram desenvolvidas pensando em >> gente como vc. >> >> Por favor, não se ofenda. > > Eu não me ofendo. E peço desculpas publicamente, pois aparentemente > ofendi você, Fernando. Sei que isso não consola muito a pessoa > ofendida, mas permita-me explicar o que aconteceu. Minha intenção não > era, de maneira alguma, fazer comentários pessoais a seu respeito. > Afinal, sequer o conheço pessoamente. Em particular, não pretendia > dizer que você é um falante incompetente da língua portuguesa ou > mesmo sugerir qualquer coisa a respeito das suas faculdades mentais. > Meu objetivo era apenas fazer uma caricatura de certas práticas, das > quais eu mesmo sou culpado, como disse. Displincentemente, assumi um > tom que seria apropriado caso estivesse conversando com amigos, mas > que mostrou-se terrivelmente infeliz numa mensagem a uma lista de > discussão cuja maioria dos membros não me conhece pessoalmente. > Relendo agora minha mensagem, percebo que ela pode ser tomada de > maneira bastante ofensiva e desrespeitosa. Confesso que estou > envergonhado. Permita-me ainda dizer que não me considero bom orador > e que a arrogância que pode ser lida em minha mensagem é apenas > aparente. Enfim, sei que aquilo que escrevi autoriza-o a adotar a > pior das imagens sobre a minha pessoa. Ainda assim, peço que aceite > meu pedido de desculpas. > >> Sim, nada impede que "provável" tenha dois (ou mais) sentidos. Mas, >> em uso corrente, só tem um ("algo com grande probabilidade de >> ocorrer"). >> >> Quando vc fala em "imperícia", vc está partindo do pressuposto de >> que há uma maneira correta (em termos absolutos) de usar a língua. > > Não creio que seja necessário um critério _absoluto_. Penso que, > certamente, temos uma noção de bom uso e mau uso da língua. O que > pretendia apontar era somente o fato de que tratamos o bom uso da > língua com uma certa displincência e que poderíamos melhorar nesse > quesito. Observem que uso a primeira pessoa do plural. Portanto, isso > não é uma acusação ou julgamento pessoal a respeito desse ou daquele > colega, mas um convite coletivo a pensarmos sobre o assunto. > >> Daí, a pergunta inevitável: quem decide qual é a maneira correta? A >> ABL? O governo? No nosso caso, a SBL? >> >> Engraçado: isto não lembra a controvérsia platonismo X formalismo X >> intuicionismo na fundamentação da matemática? >> >> O idioma existe platonicamente, independente de nós, ou é definido >> por um conjunto de regras formais totalmente arbitrárias, ou é um >> conjunto de construções mentais? >> >> Acho que estamos sendo amadores também nesta discussão. Lógica, >> linguística e filosofia têm uma interseção altamente técnica e >> interessante, mas esta não é a minha área. É a sua? > > Não, não é a minha área. Como pode observar, o amadorismo também é da > minha parte. > >> Eu acho que existem dois registros: o técnico e o semitécnico. >> >> No registro técnico, é necessário oferecer definições precisas dos >> termos usados. Se as definições não forem de conhecimento comum, >> devemos incluí-las no texto (e.g., em um artigo técnico), e aí não >> há qualquer dúvida quanto aos significados. >> >> No registro semitécnico, vale usar termos ambíguos ou imprecisos, >> tornando seus significados pretendidos mais ou menos claros através >> do texto, não necessariamente através de definições. >> >> De forma alguma a definição de uma terminologia em uma área de >> atuação é uma questão simples. O pessoal da Medicina e da Biologia >> vem atacando esse problema há décadas, com padrões, vocabulários, >> ontologias formais, e outras técnicas e ferramentas. E ainda não >> chegaram a um consenso. >> >> Mas, para mim, a causa principal do nosso "amadorismo" no uso de >> termos lógicos em português é a seguinte: >> >> A maior parte da lógica de verdade (artigos para conferências ou >> periódicos, relatórios, capítulos de livros, etc.) escrita por >> lógicos brasileiros em seu dia-a-dia É ESCRITA, ORIGINALMENTE, >> EM INGLÊS! Depois, se houver necessidade, traduz-se para o >> português, mas nunca se tem muito tempo (ou conhecimento >> linguístico) para dedicar à tarefa. >> >> Então, para testar este meu palpite, eu pergunto: quantos de vcs >> fazem lógica originalmente em português? E quantos de vcs fazem >> rascunhos, anotações e esboços de artigos em inglês (sabendo que o >> produto vai acabar sendo publicado nesse idioma mesmo)? >> >> E mais: quantos de vcs lêem mais livros de lógica em português do >> que em inglês? >> >> Admitamos: a terminologia de lógica que usamos mentalmente está toda >> em inglês! A tradução para português é um "afterthought". >> >> Dever de casa para os puristas: achar uma boa tradução para >> "afterthought". > > Concordo contigo. E creio que, assim como os colegas da Medicina > devíamos nos preocupar com esse problema. Eu não tenho as soluções. > Mas creio que podemos melhorar as coisas se, em vez de ignorarmos > o problema, engajarmos na solução dele. > > -- > Hermógenes Hebert Pereira Oliveira > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > -- ----------------------------------------------- Prof. Dr. Walter Carnielli Director Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE State University of Campinas –UNICAMP 13083-859 Campinas -SP, Brazil Phone: (+55) (19) 3521-6517 Fax: (+55) (19) 3289-3269 Institutional e-mail: [email protected] Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
