Para mim, o efeito mais perverso da "fast science" (para adotar esse modo de
falar) é sobre os estudantes: "fast dissertation", "fast thesis", exigindo
resultados em prazos incompatíveis com o processo de amadurecimento de
idéias que eles precisam seguir, e que não tem como acelerar.

Abraços,

Rocha

Em 10 de agosto de 2011 14:44, psdias2 <[email protected]> escreveu:

> Devagar e sempre
> -----------------------------
> JC e-mail 4317, de 08 de agosto de 2011.
> Movimento 'Slow Science'
> defende o direito de cientistas fugirem da corrida pelo grande número de
> publicações e priorizarem qualidade da pesquisa.
> Um movimento que começou na
> Alemanha está ganhando, aos poucos, os corredores acadêmicos. A causa é
> nobre:
> mais tempo para os cientistas fazerem pesquisa. Quem encabeça a ideia é a
> organização "Slow Science" (http://slow-science.org), criada por
> cientistas gabaritados da Alemanha.
>
> Aderir ao movimento significa não se
> render à produção desenfreada de artigos em revistas especializadas, que
> conta
> muitos pontos nos sistemas de avaliação de produção científica. Hoje, quem
> publica em revistas científicas muito lidas e mencionadas por outros
> cientistas
> consegue mais recursos para pesquisa.
>
> Por isso, os cientistas acabam
> centrando seu trabalho nos resultados (publicações). "Somos uma guerrilha
> de
> neurocientistas que luta para que o modelo midiático de produção científica
> seja
> revisto", disse à Folha o neurocientista Jonas Obleser, do Instituto Max
> Planck,
> um dos criadores do "Slow Science". O grupo chegou a criar um manifesto, no
> final do ano passado, em que proclama: "Somos cientistas, não blogamos, não
> tuitamos, temos nosso tempo".
>
> "A ciência lenta sempre existiu ao longo de
> séculos. Agora, precisa de proteção." O documento está na porta da
> geladeira do
> laboratório do médico brasileiro Rachid Karam, que faz pós-doutorado na
> Universidade da Califórnia em&nbsp; San Diego.
>
> "O manifesto faz sentido.
> Temos de verificar os dados antes de tirarmos conclusões precipitadas",
> analisa.
> "A 'Slow Science' nos daria tempo para analisar uma hipótese em
> profundidade e
> tirar conclusões acertadas."
>
> De acordo com Obleser, o número de
> cientistas simpatizantes do movimento está crescendo, "especialmente na
> América
> Latina". "Mas não é preciso se filiar formalmente. Basta imprimir o
> manifesto e
> montar guarda no seu departamento", diz.
>
> O Slow Science é um braço do já
> conhecido "Slow Food", que defende uma alimentação mais lenta e saudável,
> tanto
> no preparo quanto no consumo dos alimentos. Na ciência, a ideia é pregar a
> pesquisa que não se paute só pelo resultado rápido.
>
> Ceticismo - "É
> improvável que o ritmo de fazer pesquisa seja diminuído por meio de um
> acordo
> mundial em que cada cientista assume o compromisso de desacelerar seus
> trabalhos", diz o especialista em cientometria (medição da produtividade
> científica) Rogério Meneghini.
> Ele é coordenador científico do Projeto
> SciELO, que reúne publicações da América Latina com acesso livre.
>
> Para
> Meneghini, o "Slow Science" é um movimento "anêmico" num contexto em que a
> rapidez do fluxo de ideias e informações acelera as descobertas. "Parece
> uma
> reivindicação de um velho movimento com uma roupagem nova. É certamente a
> sensação de quem está perdendo as pernas para correr", conclui.
> (Folha de São
> Paulo)
>
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Antônio Carlos da Rocha Costa - C3/PPGMC/FURG
Centro de Ciências Computacionais
Prog. Pós-grad. Modelagem Computacional
Universidade Federal do Rio Grande
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